5+ projetos urbanísticos brasileiros

Por Ana Luiza Souza

O urbanismo é a ciência humana que se preocupa com planejamento das cidades. É papel do urbanista manter o equilíbrio entre as edificações e as áreas verdes, para que a população seja consciente sobre o papel que desempenha na concepção de áreas urbanas. Em 1949, a Organização das Nações Unidas estabeleceu o dia 08 de novembro como o Dia Mundial do Urbanismo. A data foi designada em homenagem a Carlos Maria della Paolera, o primeiro professor de Urbanismo da Argentina. Este dia tem como objetivo promover a integração entre a comunidade e o Urbanismo. O Jornalismo NIC reuniu 5 projetos urbanísticos do Brasil para comemorar esta data.

Brasília, um dos marcos do urbanismo do século XX

Muitos pensam que o projeto de Brasília, conhecido como Plano Piloto, foi elaborado por Oscar Niemeyer. Entretanto, o traçado da cidade é de autoria do urbanista Lúcio Costa.  Ele foi o vencedor de um concurso, em 1957, para elaboração do planejamento urbanístico da nova capital. Coube a Niemeyer o projeto dos principais prédios públicos e residenciais da cidade. O projeto urbanístico de Brasília foi desenvolvido tendo como fundamento o movimento moderno, ancorado no uso irrestrito da razão. O movimento moderno reflete os principais conceitos do arquiteto francês Le Corbusier, sendo Brasília um dos principais exemplos de cidade desse movimento. Os arquitetos e urbanistas desse movimento baseavam-se nas formas geométricas, sem ornamentos, espaços mínimos e uso de janelas de vidro contínuas nas fachadas ao invés de janelas tradicionais. O país vivenciava um período em que o industrial representava o novo e moderno, assim os movimentos culturais, como a arquitetura, refletiam o desejo de modernidade da população.

Plano piloto é o nome do planejamento urbano da cidade de Brasília. (Foto: Reprodução).

Teresina, a primeira capital planejada do país

O planejamento urbano de Teresina, no Piauí, foi pensado antes mesmo da sua fundação. Em 1952, a cidade foi a primeira capital planejada do Brasil. O responsável pelo projeto foi  José Antônio Saraiva, um conhecido advogado e político da época. O modelo urbanístico foi baseado no modelo português de construção do século XVIII. As principais características do projeto foram as linhas retas, as formas geométricas e a concentração do governo e da justiça ao redor de uma praça principal. O a escolha do território e do plano urbano de Teresina comprovam o desejo de fortalecer uma rede urbana na, então, província. Já em 1969, foi desenvolvido o primeiro plano urbano da cidade de Teresina, no Piauí. Chamado de Plano de Desenvolvimento Local Integrado, o projeto tinha como objetivo fazer levantamentos e diagnósticos da área urbana e contornar os problemas que travavam ou inibiam o desenvolvimento da cidade.

Teresina é reconhecida como a primeira capital planejada do país. (Foto: Reprodução).

Belo Horizonte, a cidade das zonas

Minas Gerais foi um dos estados com maior importância econômica e cultural para o Brasil nos tempos de colônia. Surgiu então, entre a população, o desejo de ter uma capital que transmitisse a  importância do ouro para a região. Fundada 1897, Belo Horizonte, foi planejada por Aarão Reis, engenheiro urbanista paraense. O projeto, que teve inspirações francesas, contava com bulevares circulares, que são vias de trânsito geralmente largas e projetadas com objetivo paisagístico. Além disso, a cidade foi dividida em três zonas a urbana, a suburbana e a rural. Na urbana, estavam a administração, os serviços, o comércio e as moradias urbanas. Na área suburbana haviam chácaras de pequeno ou médio portes. Enquanto que na região rural, estava um cinturão verde para o abastecimento urbano de alimentos.

O projeto urbanístico da cidade de Belo Horizonte é divido em zonas. (Foto: Reprodução).

Goiânia, a capital  moderna no sertão do Brasil central

Atílio Corrêa Lima foi o urbanista convidado para elaborar o plano da nova capital do Estado de Goiás, em 1932. Influenciados pela “Revolução de 30”, um grupo da elite urbana de Goiás achou que seria interessante construir uma capital  moderna em pleno sertão do Brasil central. Esse grupo tinha como objetivo explorar a área entre a Goiânia e a fronteira, além de  promover as as funções econômicas em um território ainda pouco aproveitado. No projeto urbanístico de Lima Corrêa, o elemento urbano mais importante era a praça central, cortadas pelas avenidas Goiás, Tocantins e Araguaia. Os elementos como as edificações, áreas verdes, hierarquia das vias e tráfego deviam atender a independência econômica da cidade, ou seja a área comercial. Entretanto, por divergências entre Atílio e governo do Estado de Goiás, o arquiteto abandonou o projeto. Quem assumiu as obras foi o engenheiro Armando de Godoy, que fez muitas alterações no projeto inicial. Uma delas foi a do centro comercial, pois Godoy afirmava que uma área comercial muito grande necessitaria de muitos pequenos comércios, o que poderia dificultar o desenvolvimento da cidade.

Planejamento da cidade de Goiânia. (Foto: Reprodução).

Palmas,  a última capital projetada do século XX

Palmas, no estado do Tocantins tem apenas 28 anos, seu plano urbanístico tinha o papel de transmitir um discurso de novo tempo para a população. O urbanismo da cidade ficou por conta de Luiz Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho. Uma das principais características do projeto é a inspiração no modelo da capital do país. Em Palmas, assim como em Brasília, o projeto prioriza os veículos automotivos ao invés dos pedestres. Outro aspecto interessante do projeto foi a construção de uma cidade “pós-moderna”.  Nele há as grandes quadras, avenidas e os espaços vazios. Entretanto, devido a esses recursos a cidade tem um o vazio demográfico, falta pessoas para ocupar os espaços.

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