O humor inconfundível do cearense

Por Luana Façanha

Um congraçamento de sorrisos. Nas fotos penduradas no hall, nas fotografias sendo produzidas em meio à gargalhadas, no clima de alegria que quebrou a monotonia da terça-feira pela manhã de hoje, em frente ao Teatro Celina Queiroz. O evento “Tá Fresquin, Né?”, que ocorria do lado de dentro animava as pessoas antes mesmo de começar, em um clima de humor cearense.

A promoção dos alunos da disciplina de Gestão e Produção Cultural trouxe personagens do humor cearense como Titela, Mastrogilda e Aurineide Camurupim para conversar  sobre humor cearense. O estudante da Unifor e também  humorista, Mateus Cidrão, que fez às honras de anfitrião.

Na recepção, um artista já animava as pessoas. Foto: Juliano Almada

O evento provocou muitas risadas da platéia e atraiu um público diversificado. “Eu achei muito bacana. Muito divertido”, conta Diego Ferreira, engenheiro civil, 33. “Essa ideia [do humor cearense] é um tema que é bastante presente aqui no Ceará e, por muito tempo, não vemos aqui sendo discutido. Decidimos prestigiar o nosso estado com esse tema tão presente”, diz Celina Diógenes, 20, estudante de Jornalismo que organizou o evento junto com os colegas.

O “Tá Fresquin, Né?” ainda contou com as apresentações do DJ Heron e da Banda Outdoor, se iniciou com a entrada “triunfante” de Mateus Cidrão ao som da música “Vira-Vira”, do Mamonas Assassinas. Cidrão explica que o intuito do evento foi trazer um pouco de humor para o cotidiano das pessoas, falando sobre o mercado e a profissão de humorista, tudo com muita brincadeira e descontração. Então, foram convidados ao palco, as personagens Mastrogilda, Titela e Aurineide, que entraram com muitas piadas e animando o teatro lotado.

Mateus Cidrão. Foto: Juliano Almada

A primeira questão levantada aos convidados foi sobre a chegada dos stand-ups, se modificaram o mercado do humor. Quase todos entraram em um consenso dizendo que, na verdade, não modificou muita coisa em seus trabalhos. “Quando as pessoas vêm para o Ceará elas vêm para ver o típico humor cearense. Que é um humor de personagem, caricata. Então, quando as pessoas vem aqui e vêem o stand-up, principalmente o sulista, ele acaba vendo um pouco do mesmo do que ele vê lá. Acho o nosso humor inconfundível”, diz Mastrogilda.

Após esse momento, houve um pequeno show de Titela, seguido de um quadro de perguntas chamado “Alguém Conhece Alguém Que…?” título inspirado em um famoso grupo do Facebook. Nele, os entrevistados responderam algumas perguntas, como se conheciam alguém que cometeu um erro em uma apresentação, ou se já foram confundidos com algum outro humorista. Fizeram dinâmicas com o público e mostraram um pequeno vídeo com alguns alunos da disciplina contando piadas, mostrando que o cearense é engraçado naturalmente.

Polêmica

Os artistas no palco.​ Foto: Juliano Almada

Uma questão polêmica: qual o limite do humor em um momento que vivemos em que muitas piadas podem ser consideradas ofensivas? “Puxando a parte para o politicamente correto, ficou mais difícil fazer humor, mas gerou uma pequena insegurança ao entrar no palco e ter medo de alguma coisa dar errado”, diz Mastrogilda. Titela fala, “Percebo que, muitas vezes, se algumas pessoas escutam certos termos na piada, não procuram descobrir o que está sendo falado, ninguém está se dando o trabalho de ler o que está sendo dito. As pessoas estão tomando decisões muito rápidas”. Eles também falaram sobre o cuidado que precisam ter para não expor muito alguma pessoa. É preciso reconhecer o público e o tipo de coisa que poderia ser dita ali. Os convidados relataram que já enfrentaram processos por conta de coisas consideradas politicamente incorretas.

Outra pergunta interessante tratou do humor e sua influência na depressão, doença tão atual. Contando relatos do impacto de seu trabalho na vida dos fãs, também contam experiências pessoais referente à essa pergunta. Aurineide explicou que uma fã, que hoje é sua amiga, contou a ela que estava com depressão e, ao ver os seus videos, conseguiu melhorar. Também foi colocada a questão do próprio humorista e sua relação com o seu personagem. Eles contam que, muitas vezes, os seus personagens os ajudam a esquecer de vários problemas.

Depois disso, Aurineide fez um pequeno show e dinâmica com o público, fazendo algumas pessoas dançarem uma coreografia inventada por ela, valendo um brinde, seguido de um quiz com a platéia sobre o humor cearense. Depois, os humoristas foram questionados se eles acham que a nova “geração” de humoristas vai continuar levando esse “título” nacional de humor. Eles falam que o importante é que o humorista crie a sua identidade como profissional. Se usar alguma piada de outro artista, a mude um pouco. Crie sua personalidade. E para encerrar o evento, Mastrogilda fez o seu show.

 

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