Intervenções sobre o Patrimônio são discutidas no VIII Seminário do Patrimônio Cultural

Por Lara Montezuma

De acordo com o Art. 216 da Constituição Federal Brasileira, os patrimônios culturais são “todos os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Ou seja, toda e qualquer forma de representação da população do país pode ser expressa por criações científicas, artísticas, tecnológicas, assim como obras, objetos, edificações, conjuntos urbanos e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais.

Durante o VII Seminário do Patrimônio Cultural, promovido pela Prefeitura de Fortaleza por meio da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a Unifor, alguns profissionais debateram a importância de preservar os patrimônios. Na quarta-feira (01), o último dia do evento, arquitetos debateram a inovação e a sustentabilidade nas edificações em uma mesa-redonda, com o tema “Intervenções sobre o patrimônio edificado”.

Renata Semin, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), viveu em Fortaleza entre os anos de 2007 e 2009 e se dedicou à ampliação da habitação de áreas públicas da cidade. Mas, Semin não deixou de transmutar entre as questões ligadas ao uso e à ocupação da cidade. Ela falou sobre os patrimônios modernos e como eles são gerenciados no país, com base em seus anos de aprofundamento no assunto.

Modernização do patrimônio arquitetônico

A Biblioteca Mário de Andrade, reformada com a supervisão da arquiteta Renata Semin, é a segunda maior do Brasil. ​Foto: Reprodução.

Renata ficou responsável pela modernização da Biblioteca Mário de Andrade, a segunda maior biblioteca do país, localizada no Centro Novo de São Paulo. Ela revelou alguns problemas técnicos que enfrentou no processo de modernização do edifício. No entanto, o mais preocupante para a arquiteta era a falta de investimento e a falta de interesse popular no local. “A biblioteca não se portava mais como serviço público”, destacou Renata. Hoje, devido aos recursos implantados no local, como os “móveis inteligentes”, eles recebem, diariamente, mais de 1.500 pessoas por dia.  

Para conseguir tal êxito na intervenção realizada, a arquiteta conta que foi necessário fazer um profundo processo de levantamento e ter uma equipe qualificada no projeto. Segundo Renata, as intervenções devem ser “mínimas e autênticas”. Esta opinião foi corroborada pelo também arquiteto da Universidade Federal da Bahia, Nivaldo Andrade. Para ele as “fórmulas” do sucesso das intervenções tem a ver com a união entre a conservação do patrimônio e um bom projeto de uma nova ideia.

“O patrimônio sem conexão com as pessoas não é patrimônio”, acrescenta Nivaldo. Segundo ele, existem outros cinco grandes pontos que surgem depois do início das obras que são fundamentais na constituição de uma boa intervenção. São eles o uso, a conservação, o respeito a ambiência, a compatibilidade do patrimônio com a cidade e o uso de materiais de qualidade. A estudante de arquitetura, Suzianni Monteiro, 32, considera que detalhes como estes, discutidos na mesa-redonda, são “enriquecedores”, pois isso “aprofunda os alunos em conteúdos que não são muito elaborados”.

“O patrimônio sem conexão com as pessoas não é patrimônio” (Nivaldo Andrade)

Também foi destacada a necessidade de usar a Justiça para garantir a preservação de certas manifestações culturais, para que possam continuar existindo e tendo valor junto à sociedade. Segundo os palestrantes, manter os patrimônios vão além das reformas, porque a população deve se apropriar dos locais para que estes se tornem parte afetiva da cidade.  

 

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