“A biodança transforma o ser”

Por Ana Luiza Souza

Movimento, música, corpo e integração. Estes são os princípios de uma sessão de biodança. Ao contrário do que muitos pensam, a biodança não é como uma dança coreografada, pois seus movimentos são livres e devem ser autênticos, baseados na vivência de cada ser. Alguns também associam essa técnica a algo libidinoso, entretanto, a biodança é, na verdade, uma forma de psicoterapia, que envolve o encontro, contato e fluidez dos participantes.  Criada nos anos 1960, a biodança ainda é pouco conhecida, mas participantes afirmam que ela pode ser transformadora.

Nos encontros de biodança geralmente há dois momentos: a verbalização e a vivência. A verbalização é um momento de intimidade verbal, o qual cada participante do grupo compartilha suas emoções. Este é um momento para falar de si, momento para criar proximidade e intimidade entre as pessoas. A vivência é o momento de dança, de movimento e integração. Nesta etapa da sessão, os participantes são incentivados a deixar tudo de lado e participar da dança da vida. Os exercícios são livres e procuram integrar o pensar, o sentir e o agir.

A facilitadora Márcia Cipriano coordena o momento de verbalização do grupo de biodança. Foto: Ana Luiza Souza

A música e os movimentos, da biodança promovem benefícios à saúde mental dos participantes, segundo a psicóloga, Márcia Cipriano, facilitadora de biodança desde 2012. Essa técnica de psicoterapia desenvolve três vínculos: a conexão comigo, o reconhecer o outro e o estar com todo.  Durante a prática de biodança, “o indivíduo se volta para si, sendo convidado, pela da fala do facilitador, a se reconhecer e se acolher, o que eleva a autoestima do participante”, explica a facilitadora. Ao se ver, o participante também é  incentivado a enxergar o outro, se aproximando das pessoas e deixando de lado a timidez e a frieza do cotidiano. E, por fim, a biodança promove a sensação de totalidade, de estar com o todo, de pertencimento de um grupo e de intimidade. “Se você entra num vivência de biodança profundamente, ela te transforma de tal maneira que vai mexer no teu biológico, vai mexer com tudo. Vai tirando algumas camadas que só nos atrapalham, e a gente se entrega ao movimento. Então, a biodança vem tocar nesse lugar sagrado, nesse lugar de saúde”, conta Márcia.  

Para Jarbas Castro, participante de biodança, essa prática é um momento de autoconhecimento e catarse. “A biodança te leva a conhecer o seu próprio eu. É a perda das máscaras, a perda dessa cultura que a gente tem de estar vestido de tal forma, de ser perfeito. É a questão de simplesmente ser humano. Antes de tudo isso, ser só homem, só mulher, ser simples. Quando você reencontra aquela pessoa sua da infância, aquele menino aquela menina que brincava de bola. Na biodança você aprende a voltar a esse tempo, por isso no começo as pessoas são tão presas, porque é como você entrasse numa casa e uma pessoa falasse deixa isso e aquilo, e no final fica só você, nu de corpo e alma”, relata Jarbas.

Projeto #Desacelera

Na Universidade de Fortaleza, os estudantes podem praticar a biodança no projeto #Desacelera, uma iniciativa do Programa Tutorial Acadêmico (PTA) do Centro de Ciências da Saúde (CCS), que busca promover um momento de relaxamento para os alunos, especialmente da área da saúde. A próxima sessão de biodança acontecerá no Auditório do Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) da Unifor, no dia 09 de Novembro às 18:30.

O criador

Rolando Toro Araneda nasceu na cidade de Concepción no Chile em 19 de abril de 1924. Ele foi professor, psicólogo, antropólogo, poeta e pintor. Na década de 1960, criou o Sistema Biodanza e os conceitos do Princípio Biocêntrico, que regem esta prática terapêutica. Depois da expansão da biodança, Rolando Toro resolveu se instalar em Milão, Itália, de onde fundou escolas de formação de facilitadores de biodança por toda a Europa. Entre 1976 e 1989, esteve no Brasil e passou por cidade como Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. Devido ao aumento do número de escolas, Rolando cria então a Fundação Biocêntrica Internacional, da qual foi presidente. Em 16 de fevereiro de 2010, Rolando Toro faleceu no Chile.

Onde encontrar biodança em Fortaleza?

 

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