Livros resistem ao tempo com processo de restauração

Por Lígia Grillo e Luiza Ester

O restaurador Gomes. Foto: Lígia Grillo

“O objetivo é dar vida ao que estava morto, ao que estava ao final de 300 ou 400 anos de resistência”, conta o restaurador Francisco Gomes, 51. O profissional, especializado em conservação de livros e documentos raros, reconhece a responsabilidade de se trabalhar na preservação de um objeto cada vez mais inusitado no mundo atual: um livro.

Mas por quê preservar as obras? Para Ana Cecília Bedê, 31, curadora de livros da Biblioteca de Acervos Especiais da Universidade de Fortaleza (Unifor), o que vale é o conteúdo e a experiência. Cada livro pode oferecer sensações e descobertas diferentes para quem o explora. “Eles reúnem um conteúdo muito rico. Se você compara um dicionário atual com um dicionário de 1700, eles têm um português totalmente diferente”, afirma.

Higienização

Para um livro sobreviver ao tempo é necessário que eles passem por um processo de higienização. Livros antigos, por exemplo, precisam de uma restauração mais profunda. Segundo Gomes, isso é feito em uma máquina que suga a poeira dos livros, página por página. Algumas obras podem estar contaminadas de fungos e mofo e, por isso, os profissionais utilizam o pó amaciante nas páginas, um produto que tira a sujidade e permite o aumento da resistência da fibra do papel.

Assista ao vídeo a seguir, em que a auxiliar de restauração Jerlane Fontenele, 35, utiliza a mesa de higienização:

 

De acordo com Gomes, cada obra tem sua particularidade e, por isso, o trabalho requer paciência. Conhecer o livro é essencial, já que existem muitos tipos de materiais e nem todos eles funcionam para qualquer tipo. Eles podem ter capa de couro, de pergaminho ou papelão. Tudo isso influencia no trabalho. Após o processo de higienização, os profissionais fazem um laudo da obra, onde avaliam se ela precisa de um pequeno reparo na capa ou uma reenfibragem (processo que utiliza o papel japonês para restaurar a fibra da folha).

No vídeo abaixo, o restaurador Luis Gerônimo demonstra como recuperar a lombada de um livro:

 

Além da poeira e do mofo, outros animais infiltram-se entre as folhas e acabam permanecendo durante o tempo. Segundo Gomes, isso causa mau cheiro e danifica a fibra do papel, já que a maioria deles se alimentam da celulose (componente estrutural da planta). Confira abaixo alguns tipos deles:

Box: Luiza Ester

O número de leitores de livros em geral caiu 9,1% no país, segundo dados da edição de 2012 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência. Restauradores têm a responsabilidade de manter o legado dessas obras enquanto cada vez mais pessoas migram para a Internet. Contudo, esse trabalho deve ser de todos. Devido a isso, o Jornalismo NIC reuniu algumas dicas de como cuidar e proteger o seu livro, confira abaixo:

Box: Luiza Ester

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