Essência cearense é destaque na CASACOR 2017

Por Ana Luiza Souza

Nas mobílias, cores como o rosa das flores, o verde da vegetação da caatinga e o azul do céu e mar do Ceará. Nas paredes, dezenas de quadros e fotografias de artistas cearenses. Em todos os 36 ambientes, panelas de barro, redes, macramê (um tipo de tecelagem manual, onde os fios se cruzam formando nós) e rendas estão espalhados formando composições únicas. Estes são alguns dos detalhes da cultura cearense na CASACOR 2017, cujo tema nacional é “Foco no Essencial” e, o regional, “Descubra o Ceará”. Em sua 19° edição, o evento reúne 52 profissionais da arquitetura, design de interiores e paisagismo, em uma casa localizada no bairro Manoel Dias Branco, próximo à Cidade 2000.

O designer de interiores Marcílio Sousa. Foto: Pedro Vidal
Foto: Pedro Vidal

A área de 7.700 metros quadrados recebe a mostra que apresenta um Ceará moderno, mas ligado às suas origens. Marcílio Sousa, 33, designer de interiores, desenvolveu um projeto da sala de leitura: Patativa, Alencar e Queiroz – Amigos de Leitura, que remete tanto aos grandes nomes do Estado, quanto às raízes do interior do Ceará. “O tema deste ano traz o essencial e, também, o Descubra o Ceará. Então, o que nos remete [ao Ceará]? O  [chão de] cimento batido das casas no interior. E o verde, é um verde das nossas matas. Um verde não tão vivo. Mas, quando chove no sertão, o verde floresce, tudo floresce”, explica. O designer conta que seu espaço representa uma homenagem a alguns escritores cearenses, como Raquel de Queiroz, José de Alencar e Patativa do Assaré.

 

Praça do visionário

Além destes grandes nomes da literatura cearense, outro homenageado pela CASACOR Ceará 2017 é o Chanceler Airton Queiroz. O projeto da “Praça Chanceler Airton Queiroz” foi feito por alunas do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), sob orientação da professora Maria Christina Bessa. Ela conta que o processo de elaboração do espaço foi muito rápido, cerca de duas semanas, mas, através dele, elas puderam elaborar algo baseado na personalidade visionária do homenageado. “A primeira coisa foi a personalidade dele. Ele era uma pessoa que tava sempre a frente, ele era muito direto, prático. Então, a gente traduziu isso daí em linhas retas e dinâmicas, irregulares, mas retas. Esse tipo de linha a gente usa quando o projeto é de uma pessoa muito inovadora”, conta. Além disso, o projeto traz algumas características da arquitetura da Unifor, como as plantas e os bancos. “A gente colocou algumas plantas que tem na universidade. As plantas que eram as favoritas dele, como as orquídeas e a espada de São Jorge. A partir daí, a gente quis desenvolver uma coisa que lembrasse a Unifor, mas sem copiar”, conta Maria Christina.

Foto: Divulgação
O arquiteto Ney Filho. Foto: Pedro Vidal

A CasaCor também busca incorporar o cotidiano cearense na decoração dos ambientes. Ney Filho, responsável pelo espaço externo “As Coisas do Meu Ceará”, incluiu o Ceará em seu projeto. “Dentro da minha ambientação tem plantas que são do nosso Estado. Nossas frutas, artesãos, artistas e nossas cores. Então, eu peguei alguns elementos que compõem o imaginário em algumas palavras do meu Ceará, como açude, sertão, Cariri, Itapipoca, jardim, praia, Beach Park. Eu também trouxe as tonalidades do rosa, das nossas flores que são os buganvílias e a variação de turquesa, que vai do nosso mar ao nosso céu”, conta.

Foto: Pedro Vidal

Para os visitantes, a exibição serve como fonte de inspiração. Lúcia Portela, funcionária pública, revela que retorna ao evento em busca das novas tendências de decoração. “Na realidade, tudo me chama atenção, porque tudo vai se renovando. Você vai tendo ideias novas. É isso que me traz todos os anos, ver uma mostra dessas”, diz. Já a piauiense Tânia Aguiar, aposentada, fala sobre os detalhes da mostra, como artigos com rendas e peças feitas à mão. “Eu notei que foi usado muito artesanato. Isso é realmente muito interessante, porque aproveitou o que tem de local. Sou do Piauí, moro em Fortaleza. Então, tudo é uma mistura, acaba sendo um mix de todas essas origens”, explica.

Além disso, o objetivo da maioria dos arquitetos é agradar o típico cearense. Em uma casa ampla, com local para deck, o projeto mostra soluções para as áreas ao ar livre com a utilização de redes e móveis resistentes ao sol e às chuvas. Consuêlo Nóbrega, 27, e Marcella Torres de Melo, 27, arquitetas responsáveis pelo “Deck de Luz, contam que buscam enaltecer o Ceará e contemplar as necessidades de interação das pessoas do Estado. Confira a entrevista no vídeo:

Arte genuinamente cearense

A arquiteta Emanuelle Brito. Foto: Pedro Vidal
Foto: Pedro Vidal

Outro aspecto que chama atenção na mostra são as esculturas, quadros e fotografias de artistas cearenses. Em quase todos os ambientes há um elemento made in Ceará. Pintores como Raimundo Cela e Sérgio Helle, escultores como Carlos Lebran e Felipe Bezerra são destaques nos ambientes. A arquiteta Emanuelle Brito, 38, estreante na mostra, conta que as esculturas presentes no ambiente da sala de Almoço “Apego da Família” foram produzidas por um artista local. “Os artistas são todos locais. Desde a escultura, ela foi feita mediante um croqui meu. Este escultor é muito jovem, mas muito promissor. Eu fiz um desenho e ele reproduziu. E saiu melhor do que o esperado. As telas são todas locais, e até os painéis fotográficos são de um fotógrafo local”, descreve.

Empreendedorismo de artesãos e designers

Coordenador do Projeto Economia Criativa do SEBRAE, Glauber Uchoa; Foto: Pedro Vidal

Este ano, o evento também conta com o Espaço Brasil Original, uma produção do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Neste ambiente, há um showroom de peças de designers e de grupos de produção artesanal.  Segundo Glauber Uchoa, coordenador do projeto Economia Criativa do Sebrae – Ceará, são itens produzidos por cerca de 200 artesãos sob a orientação de designers e de produção autoral de designers cearenses. “São 20 coleções diferentes. Tem bordado, couro de peixe, renda, couro, palha de croá. Já os designers se inspiram no artesanato para criar suas peças autorais. Tem [peças de] decoração e uso pessoal, como brincos, adereços, bolsas, e a maioria é de decoração”, conta.

Foto: Pedro Vidal

CASACOR pelo mundo

O projeto é uma franquia do Grupo Abril e reúne o que há de mais inovador da arquitetura, decoração e paisagismo. Hoje são 17 exposições nacionais (Alagoas, Bahia, Brasília, Ceará, Espírito Santo, Franca, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina), e mais seis internacionais (Miami, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai e Peru).

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