Longa mostra a rejeição social de pessoas deformadas

Por Lia Bruno

Personagens solitários e que lutam para se encontrar numa sociedade que só reconhece uma forma física e que exclui e maltrata os diferentes. Peles, primeiro longa do diretor espanhol Eduardo Casanova, trabalha diferentes histórias que giram em torno de um mesmo denominador comum: ser fisicamente diferente.

A intrigante Samantha é, de longe, um dos personagens mais perturbadores retratados no longa. Nascida com o sistema digestivo invertido (anomalia fictícia em que o ânus e a boca estão em sentidos opostos) e cansada de viver nas sombras, ela finalmente decide sair da casa onde mora com o pai em busca de aceitação social. Porém, em uma cafeteria, Samantha é cruelmente humilhada por Itziar, uma mulher com excesso de peso que mais tarde é revelada como um dos clientes sexualmente inseguros de Laura, uma garota de programa cega.

Outro personagem que chama atenção é Ana, uma mulher que possui uma deficiência facial irreversível e namora dois homens. Guille, que teve seu corpo destruído em um incêndio, e Ernesto, que tem fetiche por mulheres deformadas. O longa também conta a história de Christian, um jovem que rejeita as próprias pernas e que sonha em se tornar uma sereia, e Vanessa, uma anã que trabalha fantasiada em um programa de entretenimento para crianças e que sonha em ser mãe.

Ansiando aproximar os personagens da realidade, Casanova buscou retratá-los como pessoas com desejos sexuais fortes, alguns ultrapassando limites que envolvem prostituição, fetichização e até mesmo pedofilia. Ao saltar entre personagens e cenários dentro de uma estrutura aparentemente aleatória, Peles revela grandes ambições de narrativa. Gradativamente, as histórias e personagens vão se cruzando, trazendo um desfecho ainda mais surpreendente.

Ficha técnica

Direção: Eduardo Casanova

Ano de Produção: 2017

Duração: 1h 17 minutos

Gênero: Drama

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