Nova forma de empreender une conceitos colaborativos

Por Luiza Ester e Clara Menezes

Você já pediu um Uber? Comprou uma refeição pelo Ifood? Procurou casas para alugar no Airbnb? Se alguma das respostas for sim, você, mesmo sem saber, já contribuiu com a economia compartilhada. Este conceito facilita a troca de produtos e serviços, em uma cadeia onde todos se beneficiam: o empresário da plataforma, o responsável pelo serviço, o usuário e o mundo, com a baixa do consumismo.

A economia compartilhada surge, principalmente, em momentos de crise. Foto: Pedro Vidal/Foto NIC

Com o constante aprimoramento da tecnologia, essa nova forma de empreender se mostra cada vez mais em alta. A economia compartilhada ou colaborativa tem o poder de reduzir o desperdício e até de combater o consumo exagerado. A empresa “Tem Açúcar”, por exemplo, facilita o compartilhamento de serviços e empréstimos entre vizinhos. Se você precisa de um objeto que será usado apenas uma vez, ou pouquíssimas vezes, você pode pedir emprestado.

O Brasil já é líder em serviços colaborativos na América Latina, de acordo com um estudo do IE Business School e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), escola de negócios localizada na Espanha. De acordo com o relatório da escola, as empresas que investem nessa nova economia prestam, geralmente, 26% de serviços para outras empresas, 24% serviços de transporte e 19% de aluguéis. Além disso, o mercado é considerado jovem, pois em um total de 107 participantes, a maioria das empresas foram criadas nos últimos cinco anos.

De acordo com a economista Thais Carioca, o fenômeno da economia compartilhada cresce diante das outras economias por ter uma relação além da tradicional. Ela afirma que antes existia uma ligação de serviço basicamente entre a empresa e o seu cliente. Com as plataformas tecnológicas, as pessoas podem ser tanto fornecedores quanto consumidores. “É isso que é diferente nessa economia. Justamente essa capacidade de você ter um encontro entre duas pessoas, que antigamente seriam apenas consumidoras, para começarem a ser fornecedoras de serviço de bens, etc”, conta.

“É isso que é diferente nessa economia. Justamente essa capacidade de você ter um encontro entre duas pessoas, que antigamente seriam apenas consumidoras, para começarem a ser fornecedoras de serviço de bens, etc” (Thais Carioca)

Crise econômica

O Brasil vem enfrentando a maior crise econômica e política da história do país. O IBGE divulgou, em 2016, que o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu retração pelo segundo ano seguido, o pior resultado da economia já registrado pelo instituto. Essa situação impactou negativamente diversos brasileiros. A taxa de desemprego durante o primeiro ano do governo de Michel Temer cresceu 23,1%. Até junho de 2016, o número de desempregados era 11,85 milhões, aumentando para 14,05 milhões em abril de 2017.

No entanto, apesar dessa situação de crise, alguns setores alternativos da economia brasileira tiveram a oportunidade de crescer. Entre eles, a economia compartilhada. O Uber, empresa prestadora de serviços na área do transporte privado urbano semelhante ao táxi, e o Airbnb, serviço online comunitário para as pessoas anunciarem, descobrirem e reservarem acomodações e meios de hospedagem, por exemplo, surgiram já em um momento desfavorável para o crescimento econômico. Porém, empresas como essas utilizam da crise para se desenvolverem.

Segundo a economista Thais Carioca, essa forma de consumo surgiu durante a crise de 2008 dos Estados Unidos, principalmente porque ela precisa de um ambiente considerado ruim para funcionar. “Por que a gente está em crise e esse setor cresce? Porque, para esse setor, é maravilhoso o período de crise. Você começa a pensar nas coisas que você tem para gerar renda”, conta a economista. Para ela, reutilizar um produto é mais eficiente e barato do que comprar um novo.

 “Por que a gente está em crise e esse setor cresce? Porque, para esse setor, é maravilhoso o período de crise.” (Thaís Carioca)

Praticidade

Para o estudante de Cinema, Bruno Paes, 20, o serviço prestado pelo ifood, aplicativo especialista em delivery de comida é rápido e confiável. Ele consegue visualizar a variedade no cardápio das lojas presentes na plataforma sem ao menos sair de casa, por meio de algum dispositivo móvel, como smartphones e tablets. Além disso, ressalta que não é preciso utilizar créditos telefônicos para pedir sua comida e nem falar com alguém. “Eu gosto porque salva a minha vida de geladeira vazia”, brinca.

Lara Maria, 19, estudante de Jornalismo, é usuária do Uber e adora o serviço do aplicativo. Ela cita como pontos positivos a praticidade na utilização da plataforma e o conforto de se estar em um carro. “Eu gosto do Uber porque tem uma praticidade muito maior do que ônibus, além de ser mais confortável. Tem a oportunidade de conhecer e conversar com novas pessoas, além do preço ser super acessível”, acrescenta.

“Eu gosto do Uber porque tem uma praticidade muito maior do que ônibus, além de ser mais confortável. Tem a oportunidade de conhecer e conversar com novas pessoas, além do preço ser super acessível” (Lara Maria)

Já para o motorista de táxi Paulo Ricardo Marques de Oliveira, 62, o Uber tem alguns aspectos negativos. “Você não sabe quem está do seu lado. Você pega gente em todo lugar. Tem muita insegurança. Se o motorista não conhece o local, o rapaz pode entrar em um lugar muito perigoso”, opina. Além disso, ele afirma que o carro acaba tendo uma menor durabilidade, pois os motoristas costumam “rodar” muito.

A economista Thaís afirma que esse tipo de empreendimento prejudica de alguma forma as empresas tradicionais. Mesmo assim, ela diz que isso faz parte de um movimento normal da economia. “A economia compartilhada é uma economia disruptiva. Mas, da mesma forma que a Internet foi disruptiva, ou que a máquina digital foi disruptivo para máquina fotográfica normal, a tecnologia, ela tem que seguir. Por mais que ela [economia compartilhada] atrapalhe outros negócios, eles têm que começar a se modernizar para poder, justamente, começar a competir com isso”, assegura. Para a economista, os benefícios desse tipo de economia supera as desvantagens.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php