“A gente está vivendo em um mundo que está em transição”

Por Melissa Carvalho

Em uma geração de consumo exagerado e tendências que ficam ultrapassadas facilmente, André Carvalhal aposta em uma moda mais sustentável. Para o fashionista, fazer moda é muito mais que vender roupas. Carvalhal acredita que a sociedade está passando por transformações. Ex-gerente de marketing e conteúdo da grife Farm, investe na colaboração para o futuro da moda.

Carvalhal é autor de dois livros. “A moda imita a vida” foi o primeiro lançamento do designer e compara uma pessoa com uma marca. A segunda obra, “Moda com propósito”, questiona os valores da sociedade e aborda temas atuais, como a sustentabilidade e a consciência social. Os dois livros apontam um lado diferente da moda, mostrando como as pessoas são afetadas por essa área que não se restringe apenas ao comercial, mas afeta também o social.

Capas dos livros “A moda imita a vida” e “Moda com propósito”. Foto: reprodução.

A MALHA, o maior espaço brasileiro de moda colaborativa, tem Carvalhal como co-fundador e principal investidor. O fashionista não faz mais parte da administração da empresa, por acreditar que seu propósito já foi cumprido. André considera o processo de colaboração um caminho para a sustentabilidade e uma maior interação entre as empresas e as pessoas. O local abriga Ahlma, marca que o designer atua como diretor co-criativo e aposta em peças mais sustentáveis.

André Carvalhal concedeu uma entrevista para o JornalismoNIC no dia 18 de outubro, antes da sua palestra sobre “A nova era da moda”, durante o Mundo Unifor. O designer falou sobre o que o futuro reserva para a moda e sua aposta para novas tendências.

Quando você sentiu a necessidade de investir na moda mais consciente?

Na verdade, eu acho que isso teve muito a ver com uma transformação interna minha. De uma hora para outra eu comecei a mudar muitos os meus hábitos, tanto de consumo, quanto de estilo de vida. Comecei a sentir que se isso tava acontecendo comigo, estaria acontecendo com outras pessoas também. Foi desse jeito que, para mim, parou de fazer sentido trabalhar dentro do mercado tradicional de moda, seguindo o calendário tradicional de moda, varejo. Começou a me dar vontade de fazer coisas diferentes, ligadas a um novo tipo de pensar a moda.

O seu livro “A moda imita a vida” parte da ideia de que uma marca é igual uma pessoa. Como a marca “André Carvalhal” se define atualmente?

Eu acho que o André Carvalhal é uma marca que está em transição. Eu acho que a gente, hoje, está vivendo em um mundo que está em transição. De uma época muito acelerada, de muito volume, de muito consumo, para uma época mais calma, mais olhando para dentro, mais para o interior, mais relaxada. De alguma forma, eu represento um pouco isso.

A Ahlma nasceu este ano, a partir de um processo colaborativo. Como você acha que esse empreendedorismo colaborativo vai atingir o mercado de forma positiva?

Eu acho que vai sim atingir o mercado de forma muito positiva. A colaboração, além dela ter muito sentido porque você tem mais pessoas trocando ideia, criando junto, unindo forças. Ela tem muitas vantagens, até econômicas, então, você tem a chance de se unir a outras marcas para fazer projetos que você não conseguiria fazer sozinho. É uma forma de você garantir a sustentabilidade do seu negócio, não só em termos ambientais, mas em termos econômicos também.

O sua palestra aqui no Mundo Unifor foi sobre a “A nova era da moda”. O que você considera mais marcante nessa nova era?

Eu acho que é a colaboração e a preocupação com a natureza. Essas são as duas coisas que a gente vai precisar reaprender daqui pra frente. Porque, em algum momento, a nossa humanidade já funcionou assim. A gente valorizava muito a natureza, se relacionava com os astros, com a terra, vivia em tribos, em rodas e fazia as coisas juntos. Depois de um tempo, foi se tornando todo mundo muito individualista, a gente foi esquecendo muito que a gente é natureza, que a gente faz parte da natureza. Esse momento que a gente está vivendo hoje que para muitos é uma crise ou é um momento de sofrimento, de muita coisa ruim acontecendo, para mim, é um momento da gente relembrar tudo isso.

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