Jovens Líderes são formados pelo incentivo à iniciativa e à liderança

Por Lara Montezuma

Durante uma semana corriqueira na Universidade de Fortaleza (Unifor), um grupo de jovens muda a rotina de quem frequenta o campus. Divididos em pequenas turmas, eles se espalharam pela Unifor com cartazes de “abraços grátis”, colocando em prática as intervenções propostas pelo Projeto Jovens Líderes, iniciativa que objetiva o desenvolvimento pessoal e profissional de estudantes da rede de ensino público para que, futuramente, possam ingressar no ensino superior.

Os alunos trabalham a criatividade e a sensibilidade. Foto: divulgação/ Projeto Jovens Líderes

Inicialmente chamado de Mediação Escolar, o Projeto Jovens Líderes utiliza métodos alternativos de educação, que fogem do ensino padrão adotado pela maioria das instituições escolares, e estão se popularizando cada vez mais. Em 2010, quando a primeira turma foi formada, com a supervisão da vice-reitora de pós-graduação Lília Sales, os professores voluntários buscavam, assim como ela, ensinar os conceitos da mediação de conflitos para os seus alunos. Hoje, quase sete anos depois, os profissionais envolvidos são de diferentes áreas, algo que enriqueceu o projeto, adicionando novas vertentes.

Assim surgiram os cinco eixos em que o Jovens Líderes se desenvolve atualmente: Mediação e Liderança, Linguagens (Português e Inglês), Ação e Cidadania, Arte e Pensamento Criativo e Comunicação e Novas Tecnologias. Cada um aborda a aprendizagem de maneira diferente, procurando sempre explorar o trabalho em equipe, a criatividade, a sensibilidade e a solução de problemas complexos de maneiras fáceis. Nos eixos, como o de linguagens, por exemplo, o conteúdo é ensinado por meio de atividades dinâmicas e algumas avaliações para medir o conhecimento dos alunos.

Os professores do projeto são voluntários e de diferentes áreas. Foto: divulgação/Projeto Jovens Líderes

No entanto, a nota dos estudantes não é o mais importante para os professores da iniciativa. “O projeto nunca quis ser um curso, porque você não aprende apenas para passar em uma prova, ganhar um certificado e pronto. Nós queremos mudar a vida e a realidade desses alunos, tanto que é um projeto totalmente voluntário e sem remuneração. Isso sempre foi estabelecido como missão pela professora Lília, e continua até hoje”, comenta o professor voluntário de Arte e Pensamento Criativo, Lucas Sales.

Lucas acompanha o projeto desde o início e trabalha nele há três anos. Durante esse tempo, participou ativamente dos processos de seleção. Para serem selecionados, os jovens têm que passar por três fases. A primeira é uma apresentação da iniciativa, para os alunos compreenderem o conceito. A segunda é um dia de atividades dinâmicas, e a terceira é uma entrevista individual feita por todos os professores. “São muitas fases, pois nós observamos os alunos que se encaixam no perfil do projeto”, explica Lucas. O Jovens Líderes procura estudantes que se interessem por causas maiores, que sejam engajados e que tenham um propósito de vida “nobre e inovador”. “Uma frase que resume os jovens que se encaixam no nosso perfil é: jovens que pensam fora da caixa”, declara o professor.

“Uma frase que resume os jovens que se encaixam no nosso perfil é: jovens que pensam fora da caixa” (Lucas Sales)

Oportunidade única

O Jovens Líderes existe desde 2010. Foto: divulgação/ Projeto Jovens Líderes

O Projeto trabalha com alunos de escolas públicas na faixa etária de 14 a 18 anos, ou seja, do nono ao terceiro ano. As aulas acontecem de segunda a quinta, das 14 às 16h30, na Unifor. As intervenções realizadas pelos alunos, sejam elas artísticas ou didáticas, podem ocorrer dentro e fora da universidade. “A gente quer que eles entendam o propósito do projeto e passem a aplicar isso na vida deles. Eles estão aqui porque a gente acredita no perfil deles”, ressalta Lucas.

O Jovens Líderes está conseguindo alcançar as metas designadas na idealização da iniciativa. O Projeto foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão que oferece bolsas de iniciação científica júnior para os alunos. Desta maneira, eles conseguem transporte, alimentação e aprendem a escrever artigos, além de viajar nacionalmente e internacionalmente com as suas produções. Além disso, o programa já ganhou vários prêmios e foi representado por uma de suas alunas nos Jovens Embaixadores.

 

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