“Que a gente permaneça jovem enquanto estiver vivo”

Por Melissa Carvalho

Letras que falam sobre olhar a vida de forma mais positiva são a aposta de Marcelo Jeneci, 35, para fazer sucesso na MPB. Cantor, compositor e instrumentista, gravou dois discos e já foi indicado ao Grammy Latino. Jeneci tem ganhado credibilidade e conquistado o público com um estilo mais intimista.

Jeneci cresceu entre os instrumentos que seu pai consertava, acordeons e sanfonas, mas sempre com uma grande afeição por instrumentos harmônicos, como o piano. Quando surgiu uma oportunidade para trabalhar como sanfoneiro na banda do Chico César, o cantor não hesitou e contou com a ajuda de Dominguinhos para entrar nesta área.

Capas dos álbuns “Feito para acabar” e “De graça”. Foto: reprodução

Por alguns anos, Jeneci dedicou-se apenas ao mundo musical, mas sem estar ligado à área cancionista. Com o incentivo de amigos cantores, como Arnaldo Antunes, Marcelo passou a investir na composição e no processo de produção do seu álbum de estreia. Seu primeiro disco, “Feito para acabar” foi lançado em 2010. A música “Felicidade” foi destaque nesse CD, sendo parte da trilha sonora da novela “Aquele beijo”.

O cantor participou da composição de músicas conhecidas, como “Amado”, que faz parte do álbum “Sim”, da Vanessa da Mata. Jeneci, aposta em um tipo de música com letras que fazem as pessoas pensarem e acredita que o mundo musical é muito mais do que só fazer música. Seu novo disco, “De graça”, foi indicado ao Grammy Latino, em 2014, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

Antes da sua apresentação na oitava edição do Mundo Unifor, no dia 16 de outubro, Marcelo Jeneci conversou com o JornalismoNIC. O artista falou um pouco das transformações que aconteceram na sua vida e da sua forma de fazer música.

O que mudou em você do “Feito para acabar” para o “De graça”?

Ah, nossa vida vai mudando de ciclos em ciclos. De anos em anos é difícil de notar, eu acho. Mas um disco foi bem ligado, assim, aos meus 20 anos e o outro aos 30. Na minha vida mudou muita coisa. Eu acho que vivi uma adolescência tardia aos 30 anos, me permitindo não me preservar tanto. Isso acabou sendo revelado também num som mais de banda, uma coisa mais visceral de grupo, tocando junto, uma onda mais coletiva.

Tem uma música no seu álbum que se chama “O melhor da vida”. Para você, o que é o melhor da vida?

O melhor da vida é a qualidade de presença, aqui e agora. Porque, tem que ser grande dentro do que a gente vive. Não adianta você tá numa situação completamente idealizada se dentro de você não tá confortável, tá contraído. Então, acho que o melhor da vida é perceber que a vida começa mesmo quando a gente desencana da platéia na vida real e entende que tudo é uma relação concêntrica. Tudo é para você se relacionar. Ao invés de pensar uma cena, viver uma cena. É qualidade de presença, eu acho.

Suas músicas falam sobre sonhos, felicidade. Como surgem essas temáticas na hora de compôr?

São maneiras que eu tenho de equilibrar meu estado emocional. É uma sorte que esse processo terapêutico se transforma em música e agrade tanta gente. Porque podia ser uma música mais hermética e não agradar. Mas, no caso é uma música que vai sendo bem recebida. São temas que eu escolho a partir do que eu estou vivendo. As frases aparecem conforme a mensagem que eu quero dar. É sem pensar muito.

Você tem bastante contato com os jovens. O que sua música tenta transmitir para eles, atualmente?

Eu gosto de pensar na situação do jovem de maneira atemporal. Porque tem gente que tem 70, 80 anos e é jovem há mais tempo que a gente. Então, que a gente permaneça jovem enquanto estiver vivo. Com o coração e o olhar brilhando, para se fascinar pelas coisas. Que a gente não deixe o mundo ou a complexidade das responsabilidades da vida capitalista tirar esse lugar da criança e do jovem dentro de si. Eu acho que é isso que a minha música vai tentar passar.

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