Profissionais da área da saúde abrem discussão sobre suicídio e mídia

Por Andressa Câmara

Elaborando uma relação do suicídio com a série 13 Reasons Why, profissionais da área da saúde realizaram ontem (19) uma palestra que fez parte do terceiro dia do Mundo Unifor. Citando temas como a prevenção e os fatores de riscos, a palestra teve como objetivo abordar de uma maneira didática o papel desses profissionais e da sociedade nesses casos.

Diversos aspectos podem fazer parte da relação entre o profissional e o paciente que se encontra em um estado de risco para cometer suicídio. Alexandre Sampaio, médico psiquiatra e professor do curso de Medicina da Unifor, citou alguns pontos importantes no reconhecimento comportamental de um paciente que se encontra em situação favorável para realizar o ato. “Os sinais de alerta que se pode é observar é se aquela pessoa se isola, tem uma certa irritabilidade, desiste de projetos e atividades, baixa auto-estima, abuso sexual prévio ou recente, entre outros aspectos”.

Os palestrantes. Foto: Laura Monteiro

Daniele Sampaio, psicóloga e professora do curso de psicologia, diz que o suicídio é consequência de um comportamento influenciado por muitos fatores acumulados na vida do indivíduo, sendo necessário um olhar sensível na realização do tratamento,  fundamentados psicologia cognitiva comportamental. “Tendo conhecimento da realidade daquele paciente, o papel do profissional é realizar um suporte ao paciente tendo uma noção da sua realidade. Incentivamos o paciente a estar conectado com pessoas e ideias, pois aumenta a chance do paciente não realizar o ato. Realizar atividades físicas, se abrir com amigos e com a família, é uma das nossas primeiras orientações”, ensina.

Suicídio x Mídia

Livia de Andrade, docente do curso de enfermagem e pesquisadora, acredita que a mídia tem um papel importante, mas é necessário ter um certo cuidado na abordagem do tema. “A mídia pode influenciar  positivamente e negativamente. A série descumpriu aos requisitos que a OMS preconiza ao abordar essa temática. Nós pesquisadores realizamos esse alerta por causa do Efeito Werther [tipo de efeito que causa suicídios em sequência] na possibilidade de reprodução do caso. Fica o questionamento de como seria essa maneira ideal de abordagem além de trazer o tema em evidência, seria legal também trazer possibilidades como as estratégias de prevenção”, comenta.

Alexandre Sampaio acredita que a série acertou na abordagem de certos aspectos, mas não recomenda que seus pacientes assistam a série. “A série foi muito feliz em outros assuntos tabus como o estupro, bullying, relação de pais com os filhos adolescentes, mas com o suicídio ela cometeu alguns erros. Quando a personagem principal comete suicídio, a série mostra muitos detalhes. Quando há realização de um trabalho como esse, é preciso ter a noção de que ela vai atingir todo o tipo de pessoa. Um profissional que assiste a série, ele assiste para ter um conhecimento profissional já em um paciente que se encontra em uma situação vulnerável pode causar diversos efeitos negativos”, diz.  

Opinião

Para Daniele Sampaio existe a necessidade do suicídio deixar de ser tratado como tabu. “É muito importante, enquanto profissionais de saúde e professores da universidade, abrir espaço para discutir sobre esse assunto. O falar sobre, é preventivo. Precisamos dialogar com os alunos, precisamos refletir sobre as posturas profissionais. Tanto na dimensão científica, como também na responsabilidade com a comunidade coletiva”, explica.

Davi Sacramento, aluno do curso de jornalismo, acredita que ter especialistas capacitados para discutir sobre assunto faz toda diferença. “Em palestras como essas acabamos indo muito além do nosso senso comum. Uma palestra multiprofissional apresenta diversas visões sobre o assunto, capacitando as pessoas em assunto tão delicado”, comenta.

Candlelight Memorial

O Candlelight Memorial é uma montagem ao ar livre de pessoas que transportam velas após o pôr-do-sol para mostrar apoio para uma causa específica. Tais eventos normalmente são realizados para protestar contra o sofrimento de algum grupo marginalizado de pessoas ou em memória dos mortos.

Alunos do curso de Medicina da Unifor, integrantes da Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina (IFMSA, em inglês), realizaram a ação nesta quinta (19) em frente ao bloco T para homenagear as pessoas que tiraram as suas próprias vidas.

Candlelight Memorial. Foto: Laura Monteiro
Candlelight Memorial. Foto: Laura Monteiro

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