“O baixo desenvolvimento de habilidades verbais estão relacionados ao abuso de substâncias psicoativas”, afirma Denise Vilas Boas no Mundo Unifor

Por Luana Façanha

A professora Denise Vilas Boas, em sua palestra sobre “Comportamento Verbal e o Uso de Substâncias Psicoativas”  interligou esses dois temas da análise de comportamento, mostrando como psicólogos, campanhas e a população devem agir perante esse assunto. O evento aconteceu ontem (19), como uma das palestras da Jornada de Psicologia no Mundo unifor.

A palestra reuniu várias pessoas, principalmente do curso de Psicologia. Foto: Laura Monteiro

A palestra teve uma grande lista de espera para a entrada, o que comprova a relevância do assunto. Apesar da maioria do público ter sido composto por estudantes de Psicologia, o encontro chamou atenção de pessoas de vários outros cursos. Muito agradecida, a professora Denise Vilas Boas, com doutorado em Psicologia Experimental: Análise de Comportamento, iniciou sua palestra explicando os termos “comportamento verbal” e “substâncias psicoativas”. Ela conta que, por mais que pareçam temas distintos, para ela, há uma importante ligação entre eles.

O comportamento verbal e as substâncias psicoativas

Sobre o comportamento verbal, Denise explica que é uma espécie da linguagem, sendo esta mais voltada para a interação. Enquanto a linguagem se encontra de forma mais substantiva, como algo que naturalmente temos, o comportamento verbal é aquele que ocorre com a presença de um ouvinte. É uma resposta que damos que provoca algum tipo de mudança, uma interação no ambiente em que aquela pessoa se encontra.

Já sobre as substâncias psicoativas, além daquelas já conhecidas, como  ansiolíticos, álcool, cigarro, e até açúcar e café, Denise conta que existem substâncias estimulantes, depressoras e perturbadoras, que podem causar mudanças fisiológicas e comportamentais. Vilas Boas explica que, para os psicólogos, é importante analisar as mudanças que elas geram na vida daquela pessoa e qual a sua função na vida daqueles indivíduos.

“Para a análise de comportamento, o critério de patologia não é topográfico, é funcional”, conta. É preciso saber se o uso provoca sofrimento na vida daquela pessoa, ou nas vidas que estão ao seu redor. “Então, o uso de substâncias psicoativas em si não é um problema. Até porque, a humanidade usa substâncias psicoativas desde que existem”. A psicóloga conta que o problema surgiu quando, na Era Industrial, houve uma grande produção em massa e a alienação do trabalho fazia com que as pessoas as usassem descontroladamente.

“Para a análise de comportamento, o critério de patologia não é topográfico, é funcional” (Denise Vilas Boas)

Essas substâncias produzem dois efeitos no organismo: o farmacológico e o comportamental, sendo este o foco da palestra. É importante se perguntar “Qual é o papel da substância na vida daquela pessoa?” Pensando nisso, ela abordou alguns fatores ligados ao lado comportamental, que são uma vulnerabilidade para o uso.

Como o assunto foi abordado

A fala é um estímulo verbal, é a resposta para a interação entre, no mínimo, duas pessoas. Um comportamento verbal pode ser um estímulo discriminativo, aliciador, motivador, contextual, reforçador e aversivo. Nas campanhas antidrogas, é possível perceber diversas regras sobre evitar o uso. A professora questiona, “Essas regras funcionam? Elas evitam o uso? Ou diminuem?”

Denise conta que essas regras, isoladamente, pouco provavelmente conseguem influenciar o consumo de substâncias. No comportamento governado por regras, a resposta estará no controle de estímulos verbais, e quanto mais inconsistentes e vazias forem as regras, mais difícil será que alguém as obedeça. É preciso que a pessoa conheça os efeitos da substância, pois, se ela experimentar e descobrir algo contrário do que ela entendia nesses preceitos, ela provavelmente não dará mais ouvidos a essas regras.

“O uso de drogas geralmente ocorre em situações sociais e, de acordo com pesquisas, as drogas aumentam o comportamento social e o valor da interação social”, explica. Os ansiolíticos e os antidepressivos, mesmo sendo lícitas, são substâncias psicoativas. Ela também aponta que “adolescentes usuários de substâncias psicoativas apresentam déficits nos repertórios de cooping, que é o enfrentamento de situações aversivas”

“O uso de drogas geralmente ocorre em situações sociais e, de acordo com pesquisas, as drogas aumentam o comportamento social e o valor da interação social” (Denise Vilas Boas)

Prevenções

Denise Vilas Boas em palestra. Foto: Laura Monteiro

Trabalhar para que crianças e adolescentes ampliem o seu repertório de enfrentamento pode ser uma melhor solução, de acordo com Vilas Boas. “Se eu desenvolvo habilidades que vão melhorar as interações sociais eu diminuo a vulnerabilidade para a dependência”, ressalta.  A psicóloga mostra que descobriu um déficit no repertório de autocontrole e de agressividade às situações aversivas. Então, nesses casos, ela indica que é preciso iniciar um trabalho que exercite o autocontrole. É importante que as pessoas aprendam a contenção e que se frustrem, pois assim evitam problemas futuros. Também há inabilidade de lidar com sentimentos que também podem aumentar esse risco de vícios. “Então, treino de repertórios verbais podem ser importantes para prevenir o abuso de substâncias e é uma ferramenta importante para o processo de tratamento. E falar a verdade sobre o uso de drogas. Apresentar uma regra consistente”, explica.

Rafael Gustavo, 23, estudante de Psicologia que assistiu a palestra, achou o encontro esclarecedor. “Achei uma palestra interessante, muito satisfatória para o conhecimento, pois não tinha tanto conhecimento sobre o assunto. Achei bastante proveitosa”. Raquel Lopes, 31, também estudante do curso de Psicologia, também gostou da experiência. “Eu adorei a palestra, achei muito esclarecedora, desmistificou algumas ideias”, conta.

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