2º dia da “X Mostra de CinEMA” da Unifor exibe filmes do drama à comédia

Por Luiza Ester

Exibição de filmes a céu aberto. Foto: Khalil Sobreira/FotoNIC

Reflexões sobre a morte, o amor, o tempo e o espaço. Tudo isso foi visto nos filmes universitários exibidos durante o segundo dia da “X Mostra Unifor de CinEMA”. Curta-metragens de ficção, documentários e videoclipes sensibilizaram o público à sua maneira. As reações foram do riso ao choro em um piscar de olhos. Ou melhor, em olhares atentos. O evento ocorreu ontem (18), na Universidade de Fortaleza (Unifor), durante o 8º Mundo Unifor.

Um cinema a céu aberto. Na década de 50, assistir filmes ao ar livre era um sucesso. E foi assim que as produções cinematográficas dos estudantes de Cinema e Audiovisual foram apresentadas – sob o sereno da noite. Para a aluna Júlia Rabay, isso poderia ser algo constante. “Eu acho que podia ter um pouco mais disso, da gente se reunir e assistir o trabalho dos outros, porque os únicos trabalhos que eu tive a oportunidade de assistir foram os da minha turma. A gente não tem muita noção do que os outros colegas estão fazendo. Eu acho legal a gente se reunir para assistir o trabalho deles”, diz.

Curtas

Os curtas-metragens de ficção foram do drama à comédia. “À La Cida”, do diretor Lucas Santiago, se passa em um bar. Durante a madrugada que antecede a visita da vigilância sanitária, um dos funcionários do local morre. “Chego Pela Manhã”, de Daniel Sobral, tem seu conflito no desequilíbrio mental de um garoto que passa a noite sozinho em casa.

O público atento à exibição. Foto: Khalil Sobreira/FotoNIC

Em “Torque”, também exibido na Mostra, uma menina é criada sob uma cultura machista. As lembranças de sua mãe (que morreu depois de seu nascimento) impedem a jovem de se submeter ao estupro do irmão e a negligência de seu pai. O filme é dirigido por Lucas Timbó. Já em “Anita”, a mulher em questão é transexual. Apesar de viver um relacionamento feliz, o segredo sobre sua identidade de gênero ameaça seu namoro. O curta de Popy Ribeiro relaciona a figura da protagonista com a da pintora Anita Malfatti.

 

Documentários

“O amor com cheiro de naftalina”, de Raiane Ferreira, questiona a vulnerabilidade dos relacionamentos, com uma metáfora que compara o sentimento à substância química usada para espantar baratas. O documentário mostra que o amor, como a naftalina, pode chegar ao seu estado gasoso e deixar seu cheiro em móveis velhos. “Fotopintura à pastel: Memórias e relatos de dois fotopintores” relata as histórias de Mestre Júlio e Seu Joaquim, que trabalham com a arte da fotopintura a anos. O filme foi dirigido por Nathan Martins.

Videoclipes

O público presente também pôde assistir aos videoclipes “Who’s the man?” e “Nostalgia” dirigidos, respectivamente, por Sávio Fernandes e Daniela Duarte. O primeiro é uma narrativa baseada na música homônima de Steven Sharpe & The Broke Straight Boys, em que um garoto de 21 anos se assume gay para seu pai. Já o de Daniela, retrata a cidade de Fortaleza, com uma canção da banda Mulambo Alado.

Realização

Foto: Khalil Sobreira/FotoNIC

Filmes universitários são aqueles essencialmente feitos por estudantes. Pode parecer óbvio, mas é importante ressaltar tal fato. A mostra oportunizou o sentimento dos alunos como verdadeiros realizadores de cinema. “Eu sou diretor de fotografia e tive um filme passado na Mostra. Foi muito legal ver a reação da galera vendo um produto que eu participei. Eu acho que é isso. Eu me senti muito bem representado como realizador de Cinema. Foi muito legal ter esse momento na Unifor, de convívio entre alunos para ver as produções de cinema”, afirma o fotógrafo e estudante de Audiovisual Bruno Bressam.

Arthur Almeida, também estudante de Audiovisual, considera ser essencial acompanhar as obras de seus colegas. Ele ressalta não ter visto anteriormente a maioria dos filmes assistidos durante a noite de ontem. “Nós passamos grande parte do nosso tempo juntos e a gente não conhece o trabalho do outro. Então, é importante essa união, ter um momento como esse para você poder conhecer os trabalhos dos outros”, declara. Mesmo assim, ele  acredita que a Mostra poderia apresentar filmes de outras instituições que também oferecem o curso de Cinema. “Sinto falta de termos esse convívio ainda junto com a UFC [Universidade Federal do Ceará] e com os outros locais. Faz falta, eu espero que a gente consiga fazer esse intercâmbio crescer, que não seja fixo só para Unifor”, opina.

Reflexões

“Acho ótimo conhecer o trabalho dos outros, poder ver junto o que a gente errou, o que a gente fez certo. Receber opiniões, pegar inspirações e conhecer os trabalhos”, diz Almeida. No debate realizado após a exibição dos filmes, os realizadores falaram um pouco sobre suas criações e fascínios. As reações foram diversas, desde o orgulho de suas produções ao arrependimento de como foi tratado certo assunto.

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