Giuliano Cedroni debate a representação da velhice no 8º Mundo Unifor

Por Ana Luiza Souza

O velho na televisão brasileira foi tema de palestra ministrada pelo roteirista e diretor, Giuliano Cedroni na última terça-feira (17), no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor). Cedroni falou sobre processo de criação e produção da série “Outros Tempos – Velhos”. O seriado, uma parceria entre a produtora do cineasta, a Prodigo Films e o canal de televisão HBO/Canal Max, conta como é a senioridade no Brasil através da história de idosos famosos como Ney Matogrosso, 76 e anônimos como Fernando Cardoso, 102.

Giuliano trata a terceira idade de forma respeitosa e inovadora. “A gente começou a escolher a nossa narrativa em cima do que não foi feito. Um conceito chamou muito a nossa atenção: a velhice é a melhor idade. Essa frase é muito interessante pro mercado e pra publicidade, para vender produtos para terceira idade. Essa frase é uma parte dessa ideia contemporânea, é fingir que a velhice só é boa se ela for vestida de juventude”, conta. Este conceito ficou marcado como um desrespeito para a equipe e passou a definir todas as grandes decisões da série para que a terceira idade fosse representada com cuidado.

Cineasta apresenta trechos da sua série sobre a terceira idade. Foto: Juliano Almada

Durante a palestra, o diretor também falou sobre o projeto de contar a história dos personagens através de grandes entrevistas, que demandaram muito tempo de pesquisa. Foram oito episódios, com 18 personagens que responderam cerca de 300 perguntas cada. Cedroni relatou ainda sobre as conquistas e desafios da produção da série. A emissora que patrocinou a produção delimitou o número de saídas das equipes de filmagem. Isso fez a Prodigo Films reduzir o número de personagens e de filmagens. Entretanto, Giuliano considera que a série foi capaz de retratar os personagens e suas vidas de forma intimista, por meio não só das falas, mas de fotos antigas dos entrevistados.

Para os estudantes, a palestra foi uma oportunidade de aprender como são pensados os documentários. A jornalista Marilena Lima, 58, aluna do curso Cinema e Audiovisual, destaca como essencial a forma que Giuliano relatou o processo de produção do seriado. “Acima de tudo pude ver todo esse planejamento. Quando se trata especialmente de documentário, é muito difícil a gente ver um resultado bom. E, aqui, ele deu uma demonstração de que a gente pode pensar tudo, se preparar e tirar o melhor proveito possível do que a gente vai encontrar pela frente”, conta.

Série sobre o novo

Giuliano Cedroni é produtor audiovisual desde 2007, quando entrou Prodigo Films. Foto Juliano Almada

Outro projeto está em curso, uma nova série que trata sobre a juventude “Outros Tempos_Novos”. A produção foi encomendada Giuliano pela HBO assim que o material da primeira série foi entregue. O seriado também tem um formato inovador, são oito episódios, oito diretores e oito temáticas diferentes a respeito da mocidade. “Outros Tempos_Novos” trata do questionamento “o que querem os jovens?”. O novo projeto tem estréia prevista para 2018.

Trajetória de Cedroni

Formado em história pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Tornou-se jornalista e trabalhou na editora Abril e foi diretor e editor da Revista Trip. Em 2007, passou a atuar na produção de conteúdo audiovisual na produtora Prodigo Films. Desde então, assinou a pesquisa e o roteiro dos documentários Motoboys: Vida loca (2003), Coração Vagabundo (2008) e A Raça Síntese de Joãosinho Trinta (2009).

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