Cientista Sílvio Meira fala de um futuro imediato no Mundo Unifor

Por Luana Façanha

Apresentado como um homem de estilo autêntico, simples, criativo e com um sorriso largo, que fala com propriedade sobre empreendedorismo e inovação, o premiado cientista Sílvio Meira, subiu ao palco da praça central da Universidade de Fortaleza (Unifor),  no início da noite de anteontem (16), durante o evento Mundo Unifor, para falar de um dos mais recentes trabalhos, “Sinais de um Futuro Imediato”. Este engloba temas como internet das coisas, plataformas, mercado em rede e transformação digital.

Meira explicou que a internet vem influenciando a sociedade, as empresas e a economia, principalmente depois dos anos 1990, quando ela se popularizou. Dessa forma, ele aponta os temas que mais estão causando essas mudanças, que dependem de tecnologias de informação e de comunicação. Assim, podemos “prever” o que pode estar acontecendo em um futuro imediato.

Internet das Coisas

Foto: Ares Soares

De acordo com o pesquisador, a primeira coisa que precisaria ocorrer para chegarmos nesse futuro imediato seria a noção e implementação da internet das coisas. Ele define esse termo como a “junção das coisas que fazemos em computação, comunicação e controle. É capaz de perceber o que está acontecendo no ambiente ao seu redor e agir sobre esse ambiente.” São exemplos de internet das coisas sensores de movimento e até freios de um carro.

Ele também comentou como essa implementação pode causar um enorme impacto econômico na sociedade. “O efeito econômico previsto para a internet das coisas é maior do que a economia da China, com cerca de 12 trilhões de dólares. E um pouco menor que a economia da Europa, com cerca de 16 trilhões de dólares. E é algo como 9 vezes a economia do Brasil, por ano. Estamos falando de uma mudança de impacto radical no universo dos negócios ao nosso redor”, explica.

Internet de tudo

Ele falou também de um futuro onde tudo está conectado o tempo todo, o que trouxe uma mudança no que chamamos de presença. “Então a gente muda completamente o que é presença porque passamos a ter múltiplos avatares que sinalizam a nossa presença para o mundo, no contexto ao nosso redor”, explica.  

“A partir de certo ponto, temos tantos dados ao nosso redor que ficamos anestesiados, por volume, por diversidade, por variedade e até de profundidade pelo que esses dados representam.” Ele comparou, por exemplo, a capacidade de armazenagem de dados do Facebook para explicar o quanto uma rede social pode armazenar, e que, de fato, estamos cercados por todos esses dados.

API’s

Ele comentou sobre as API’s (Application Programming Interface), que são os códigos de programação. “Código executável por computador não é nada mais do que uma espécie de poesia concreta que uma máquina entende e sabe executar.” Meira esclareceu que, para quem não conhece, parece algo complicado, mas, depois que se aprende os princípios, é tão fácil quanto andar. “As API’s separam os mundos computacionais de tal forma que só vemos a beleza e a interatividade da nossa interface, além de possibilitar que sistemas completamente diferentes sejam orquestrados para resolver um problema”.

“As API’s separam os mundos computacionais de tal forma que só vemos a beleza e a interatividade da nossa interface, além de possibilitar que sistemas completamente diferentes sejam orquestrados para resolver um problema” (Sílvio Meira)

Sílvio Meira também comentou sobre a sociedade atual, que se encontra conectada. Mostrou dados que provam que diversos lugares estão online. Isso alimenta as redes sociais, pois as pessoas querem compartilhar  o que acontece com elas. Com todas as facilidades que as plataformas nos dão, os serviços passam a ser muito importantes. “Todos estão olhando para esse espaço no momento. E vai ser um dos espaços mais agitados do universo de negócios e do universo de mudanças sociais do comportamento pessoal, familiar, nas próximas décadas”, acredita.

Plataformas

Meira durante a palestra. Foto: Ares Soares

Todas essas mudanças, como explicou, são “chaves” de duas “portas” para o futuro imediato. Uma delas são as plataformas, como a do Uber, e outros aplicativos que podem fazer com que os usuários estabeleçam conexões simples e efetivas, podendo compartilhar e/ou fazer transações. As plataformas têm um papel social, podem mobilizar as pessoas para uma ação em conjunto, além também de poderem ser ambientes de aprendizado, de compartilhamento e de conhecimentos.  Ele salientou que precisamos agir cooperativamente, ao agir em rede. As plataformas precisam trabalhar em conjunto. E elas são as bases para o mercado em rede. Ele ainda mostrou como a transformação digital gerou mudanças radicais, a ponto de ser considerada um “ponto de ruptura daqueles negócios”.

Samuel Miranda, 28 anos, recém-formado em Engenharia de Controle e Automação, comentou a relevância da palestra. “O que ele falou está se desenvolvendo, e ninguém sabe quando vai acontecer realmente, quando essa ‘internet das coisas’ poderá trabalhar para a gente. Ele foi bem esclarecedor, e falou bastante sobre o assunto”.

 

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