“Para quem nunca leu um cordel na vida: leia”, exalta cordelista em oficina do Mundo Unifor

Por Lígia Grillo

A maleta colorida de cordéis.
Foto: Lígia Grillo

Foi de uma maleta colorida que saíram as obras apresentadas na primeira parte da Oficina de Cordel, realizada no Mundo Unifor, hoje (17), na Universidade de Fortaleza. Da maleta, surgiram histórias de vida vindas do sertão nordestino. Klévisson Viana, 40, é cearense de Quixeramobim. Ele conta que a influência dessa arte em sua vida, começou cedo, quando, seu pai, agricultor, chegava em casa e lia literatura de cordel para os filhos. “A musicalidade dos versos, essa riqueza cultural, entrou no meu coração e permaneceu. Me fez poeta”. Para Evaristo Geraldo, 49, não foi diferente. A influência do cordel na sua trajetória surgiu desde a infância, em Quixadá. Seu pai, um pequeno agricultor, tinha contato com cantadores e repentistas. Por isso, a literatura sempre atuou na vida de Evaristo. De ouvinte, passou para leitor e hoje tornou-se escritor. Os dois ministram a Oficina de Cordel que, além de encantar o público presente, ostentou a rica cultura do sertão.

 

“A musicalidade dos versos, essa riqueza cultural, entrou no meu coração e permaneceu. Me fez poeta”. (Klévisson Viana)

 

Evaristo Geraldo e Klévisson Viana, cordelistas. Foto: Lígia Grillo

De versos improvisados, até aos mais antigos. Foi assim que a oficina foi ilustrada pelos artistas, que mesclavam o tempo do evento declamando versos de seus cordéis preferidos. “Para quem nunca leu um cordel na vida, a resposta é direta: leia”, aconselhou Evaristo. Klévisson Viana criou a primeira edição da Feira Do Cordel Brasileiro, com o intuito de prolongar a vida desse tipo de literatura no país. “Com essas oficinas vamos continuar com essa literatura, vamos criar novos leitores. Poeta não cria, se torna. Essa leitura pode despertar um poeta, e assim, essa arte se perpetuará por mais alguns anos”, conta Evaristo, quando questionado sobre a importância da oficina para os jovens universitários.  

A oficina procura atender todos os requisitos para o ouvinte se apaixonar pela literatura de cordel. Hoje (17), o intuito foi conhecer um pouco sobre o gênero literário e seus principais autores. Amanhã (18), será prática, tendo em vista treinar a parte estrutural de versos da literatura de cordel na produção do texto. Durante o evento, os cordelistas comentaram sobre a influência dessa literatura em outras formas de arte, como no cinema e na música. Filmes como o ”O auto da compadecida”, “Lisbela e o prisioneiro” e até um mais recente, “Cine Holliúdy”, têm traços da literatura de cordel incorporados em suas obras. O que evidencia a literatura de cordel como uma fortaleza que perdura no tempo.

Representatividade Feminina

Durante a oficina, Viana foi questionado sobre a falta da presença de mulheres no meio da literatura de cordel. De fato, Klévisson afirma que antigamente era raro encontrar cordéis feitos por mulheres, mas que isso está mudando com o tempo, já que hoje o Ceará conta com grandes nomes femininos na área. Ana Dilara Soares, 18, estudante de Publicidade e Propaganda, conta que se surpreendeu com o seu interesse pela área, que nunca tinha sido explorado antes da oficina. “Eu fiquei encantada quando eles recitavam os poemas deles e de outros artistas, a interpretação deles. Eu fiquei deslumbrada e eu estou ansiosa para ir amanhã de novo para aprender um pouco mais”, conta.

Os cordéis

Cordéis são folhetos contendo poemas populares. Eles são expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. Seus versos são escritos em forma de rima e alguns são ilustrados. Os autores ou cordelistas recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de uma viola. Cordel também é a divulgação da arte, das tradições populares e dos autores locais. É de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a perpetuação do folclore brasileiro e da cultura do sertanejo. No Brasil, a literatura de cordel é encontrada no Nordeste, principalmente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Serviço

Dia: 18 de Outubro

Local: Universidade de Fortaleza (Unifor), Bloco Q, sala Q18.

Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz

Fortaleza-CE, Brasil

Horário: Das 8 ás 12.

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