Projeto social ajuda pessoas com deficiência

Por Clara Menezes

A reabilitação de pessoas com deficiência pode trazer benefícios físicos e psicológicos. Os exercícios físicos, por exemplo, proporcionam uma melhoria no funcionamento cardiovascular e na coordenação motora. Além disso, essas atividades estimulam a independência, a autonomia e a auto-estima.

Segundo um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, 6,2% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência auditiva, visual, física ou intelectual. No Ceará, o número chega a 2,3 milhões. Então, percebendo a falta de trabalhos voltados para essa grande parcela da população, o curso de Educação Física da Universidade de Fortaleza começou a trabalhar com pacientes do Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami).

O projeto

O exercício na piscina proporciona benefícios para a coordenação motora. Foto: Pedro Ximenes.

O programa ocorre há mais de 20 anos, desde antes de o Nami funcionar onde está hoje, ao lado da Unifor. Para o educador físico e responsável pelo projeto, Vicente Cristino, 56, o principal objetivo do trabalho social é ajudar os pacientes a superarem seus obstáculos físicos ou psicológicos. Durante a manhã, as atividades são voltadas para crianças com microcefalia, Síndrome de Down, distrofia muscular de Duchenne, atrofia espinhal, etc. Já pela tarde, a ênfase é dada para adolescentes e adultos que têm sequelas devido a acidentes de trânsito, AVC ou a tumores. Durante o trabalho dos profissionais e estudantes, o paciente aprende a nadar e, se desejar, se tornar um atleta.

Além disso, o projeto é direcionado, também, aos estudantes da Universidade. Alunos de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, por exemplo, aprendem a prática dos estudos com uma ação social. “O objetivo é direcionar a atenção e os cuidados para os pacientes, por meio dos alunos”, conta o professor Vicente Cristino.

Benefícios

As vantagens do projeto para o bem-estar físico dos pacientes são várias. Melhorar as condições orgânicas do corpo, o equilíbrio e a capacidade cardiovascular, por exemplo, são algumas das influências da reabilitação. Além disso, as pessoas com deficiência trabalham, também, o psicológico. “Se alguém sofre um acidente e perde uma perna, pode sofrer depressão e isolamento”, afirma o coordenador Cristino. Então, ao trabalhar com o retorno dos deficientes às atividades, o paciente ressocializa e interage com outros, melhorando, assim, o seu humor.

Para entender mais os benefícios do projeto, confira abaixo um vídeo do treino dos pacientes. É importante ressaltar, no entanto, que alguns dos pacientes do vídeo precisam de cadeiras de rodas no cotidiano:

 

Relatos

A técnica de enfermagem, Fátima, 44, é mãe de Paulo Roberto, 12, que é atendido durante a manhã. Segundo ela, o projeto muda a vida de quem participa. Seu filho, antes de ser paciente do programa interdisciplinar, não tinha equilíbrio e não conseguia sentar. Hoje, Paulo já é capaz de andar. Além disso, ela é tia e mãe de criação de Anna Clara, 9, que é acompanhada durante a tarde. “Ela perdeu a mãe e se fechou em seu próprio mundo, não conversava nem com psicólogos. Foi aqui [na piscina] que ela conseguiu liberar a dor dela de uma maneira que só ela e Deus sabem”, conta Fátima.

“Ela perdeu a mãe e se fechou em seu próprio mundo, não conversava nem com psicólogos. Foi aqui [na piscina] que ela conseguiu liderar a dor dela de uma maneira que só ela e Deus sabe” (Fátima)

As mães Fátima e Leni durante o treino de seus filhos. Foto: Pedro Ximenes.

Para a mãe e dona de casa, Leni, o principal benefício do projeto foi, também, o maior equilíbrio que sua filha adquiriu. A menina, Sarah, 14, nasceu de seis meses com paralisia cerebral. Foi só com quatro anos que ela começou a ser atendida pelo professor e coordenador do projeto, Vicente Cristino. “Quando a Sarah iniciou, ela conseguia andar, mas muito pouco. Agora, ela sobe degraus, no ônibus, e até se veste sozinha”, conta a mãe, orgulhosa.

 

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