A paixão radiofônica de Ana Paula

Por Lia Bruno

Filha de pais professores, Ana Paula Farias, 50, sempre teve a docência e o rádio como suas maiores paixões. “Quando eu tinha 7 anos, dizia para os meus pais que eu queria ser repórter e professora de faculdade”, declarou. Tendo passado boa parte de sua infância entre Fortaleza e a Serra de Aratuba, onde moravam seus avós paternos, ela sempre teve um contato muito forte com a leitura, música, fotografia e a arte.

Quando eu tinha 7 anos, dizia para os meus pais que eu queria ser repórter e professora da faculdade” (Ana Paula Farias)

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Ana Paula, em sua vida profissional, aventurou-se pelos diversos campos da comunicação, mas nunca deixou o magistério de lado. Quando ainda estudava Filosofia na Universidade Estadual do Ceará (UECE), seu primeiro trabalho em rádio foi na Rádio Assunção Cearense, onde apresentava um programa de notícias da prefeitura de Fortaleza.

A vida amorosa começou cedo, teve seu primeiro namorado, 10 anos mais velho do que ela, aos 12 anos. “Era um namoro inocente, nada muito sério”, explicou a professora, que afirmou sempre ter tido um gosto para homens bem mais velhos, o que preocupava seus pais. “Enquanto as meninas da minha idade se interessavam pelos garotos do terceiro ano, eu gostava dos que já estavam na faculdade”, brincou.

Conheceu o pai de sua única filha aos 18 anos. Ele era 7 anos mais velho e havia sido seu professor no colégio. Namoraram durante 7 anos, entre idas e vindas, e quando terminaram, ela acabou engravidando. “Mesmo com a separação, temos uma ótima relação e continuamos muito amigos”, ressalta.

Infância e Juventude

“Muito lúdica”, é assim que Ana Paula descreve a infância. Ela lembra que seu pai, mesmo trabalhando três expedientes, sempre encontrava tempo, quando chegava em casa, para brincar com as filhas. “Ele nos levava para viajar nos finais semana, já que não tinha muito contato com a gente na semana”, conta.

Aos 12 anos, comprou sua primeira máquina de escrever com o dinheiro de uma mesada que recebia do avô. “Nessa época eu achava que era poeta e usava a máquina para escrever meus poemas”, lembra. Sempre muito ligada ao jornalismo, mesmo que indiretamente, Ana Paula gostava muito de inovar em seus trabalhos escolares. Seu pai, na época, possuía um rádio gravador da marca National, no qual ela utilizava para fazer entrevistas e apresentá-las em sala de aula. “Eu sempre dava um jeito de entrevistar alguém, pois gostava muito dessa coisa da tecnologia”, conta.

“Nessa época eu achava que era poeta e usava a máquina para escrever meus poemas.” (Ana Paula Farias)

Ana Paula, junto com as amigas do colégio, tinha o costume de frequentar a avenida Beira Mar aos domingos. Em muitas dessas saídas, fez amizades com funcionários da FM do Povo e FM Verdes Mares, que tinham suas sedes próximas à praia. “Eu era muito amiga das pessoas de lá e já achava que aquilo estava me preparando para o futuro, já que queria seguir o caminho da comunicação”, declara.

Sempre muito ligada à música, ela aprendeu a tocar flauta, que era uma moda na época. Gostava de frequentar lojas de discos e tinha várias coleções em casa.

Jornalismo

Antes de estudar Jornalismo, Ana Paula estudou um ano de Filosofia na UECE, mas logo abandonou para ingressar no curso de Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. No primeiro semestre, conseguiu uma bolsa na Rádio Universitária, onde ficou por quatro anos. Foi nessa época que conheceu grande parte de seus atuais colegas de trabalho, como o professor Eduardo Freire, a quem considera um grande amigo.

Apesar de não ter muita afeição pela área, seu primeiro emprego foi na televisão, em um programa de TV da Assembleia Legislativa do Ceará, que na época não tinha o próprio canal e contratava a Rede Jangadeiro como produtora. O programa na época era coordenado pelo atual coordenador do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza, Wagner Borges, o qual a professora conhece desde os tempos de escola.

Ana Paula também trabalhou no Tribunal de Justiça do Estado, como assessora de imprensa de seu tio, que havia acabado de assumir o cargo de diretor, e trabalhou também num programa sobre arte e cultura na Rádio Dom Bosco.

Docência

Foi em 1999, quando passou em um concurso para professora substituta na UFC, que Ana Paula iniciou sua carreira como docente. Lá ela permaneceu por 4 anos, até seu contrato acabar. “Eu tinha um professor no primeiro semestre de Jornalismo que sempre me dizia que eu seria professora e quando eu passei no concurso para a UFC e o reencontrei, a primeira coisa que ele disse foi: Eu não disse?”, conta.

Em 2007 ingressou na Unifor como professora da disciplina de radiojornalismo. Nesse mesmo ano, sua filha, que na época tinha 8 anos, foi diagnosticada com um melanoma de terceiro grau. “Após passar por vários especialistas, o último me disse que eu deveria ir para São Paulo, pois aqui ninguém saberia tratar da doença”. Já em São Paulo, ficou hospedada no apartamento que sua irmã dividia com a professora Carmem Lúcia, também docente da Unifor, e que na época fazia doutorado na cidade. “No final de tudo, após vários exames, o melanoma fora descartado”, conta aliviada.

Eu me sinto muito bem quando eu trabalho, eu faço o que eu gosto porque gosto”, explica. Para ela, abandonar a sala de aula está fora de cogitação e mesmo que esteja aberta a novos projetos, jamais faria algo que a afastasse disso. “Me abastece”, conta.

Eu me sinto muito bem quando eu trabalho, eu faço o que eu gosto porque gosto” (Ana Paula Farias)

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