Riso como terapia pode reduzir problemas psicológicos

Por Letícia Feitosa

“Viver sorrindo alegremente atrai pensamentos positivos que contagiam o ambiente”, afirmou o filósofo oriental Masaharu Taniguchi. A manifestação do bom humor traz benefícios ao corpo e à mente do ser humano. A risada é um fenômeno amplamente estudado ao longo da história. Já o uso do riso como recurso terapêutico é recente, começou a ser experimentado nos anos 1970, e é aplicado em pacientes em situação de estresse ou que reprimem desânimo, tristeza e sentimentos negativos.

O riso atua na fisiologia do organismo, de acordo com a  psicóloga e arteterapeuta, Lise Lopes Lima, 35. Uma boa gargalhada estimula a musculatura da cabeça e do pescoço, promovendo uma maior oxigenação do cérebro. O riso libera substâncias, como a endorfina, que provocam relaxamento, bem estar e vivacidade, além de aumentar a sensação de alegria. Consequentemente, o estresse é reduzido. Referente à saúde mental, os hormônios causadores da felicidade impulsionam uma conexão social maior, o que gera uma sentimento de inclusão, algo importante para um paciente com depressão, por exemplo.  

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“O bom humor propicia uma leveza e uma criatividade na relação com os aspectos da vida, se configurando como um ótimo ingrediente na solução de conflitos, na manutenção da auto-estima e na qualidade das relações interpessoais”, ressalta a psicóloga. Os benefícios são muitos, mas é preciso ter um frequente zelo por esse bom humor. Segundo Lise Lopes,  quando se cuida do ânimo, a pessoa assume uma postura de leveza em relação à própria existência, além de “contribuir para tratar com fluidez as intempéries da vida, trabalhando a aceitação da realidade na forma como ela se apresenta, e a criatividade na solução de desafios”, explica.

“O bom humor propicia uma leveza e uma criatividade na relação com os aspectos da vida, se configurando como um ótimo ingrediente na solução de conflitos, na manutenção da auto-estima e na qualidade das relações interpessoais” (Lise Lopes Lima)

A quem se destina

Quando a pessoa está desanimada e com o humor rebaixado, é recomendado a psicoterapia. A procura por um profissional é recomendado quando há, no indivíduo, a recorrência de um temperamento irritadiço e raivoso, presente em alguns quadros de ansiedade. “Há também a busca de um tratamento quando a pessoa experimenta oscilações de humor, humor inconstante, instável”, explica Lise Lopes.

De acordo com a psicóloga, quem procura terapias para questões relacionadas ao humor são pessoas que apresentam quadros de:

  • depressão;
  • ansiedade;
  • apatia;
  • instabilidade de humor;
  • irritabilidade;
  • comportamento agressivo;
  • dificuldades Interpessoais.

“Rir é o melhor remédio”

Madan Kataria, criador do ioga do riso. Foto: Reprodução

Uma das técnicas que se utilizam do bom humor para promover a saúde mental é a risoterapia, ou ioga do riso. O método foi criado na Índia, em 1995, pelo médico Madan Kataria. No procedimento, sem precisar ser necessário qualquer tipo de comédia, a gargalhada é provocada. O cérebro não diferencia a risada falsa da real, logo, é possível que ele tire os mesmos benefícios físicos e mentais de cada tipo. Então, na maioria das vezes, há uma simulação do riso. O procedimento é eficaz em muitos casos. A Revista Internacional de Psiquiatria Geriátrica (International Journal of Geriatric Psychiatry), publicou um estudo que afirma que há uma maior eficiência da prática da ioga do riso na redução e no alívio dos efeitos da depressão, principalmente em mulheres mais velhas.

Madan Kataria criou o primeiro clube do riso, onde os participantes da risoterapia se encontram para praticar em conjunto, uma vez que a atividade é mais eficaz quando o riso é estimulado em um grupo. Hoje, existem 6.000 clubes espalhados pelo mundo em mais de 60 países. No Brasil, Minas Gerais e São Paulo foram os primeiros estados a criar um clube para a execução dessa técnica de ioga no país.  

O Clube da Gargalhada do Brasil (CGB), sediado em Minas Gerais, surgiu em 2004 e é considerado o pioneiro na América do Sul. Segundo o site do clube, a missão das fundadoras, Mari Tereza Nascimento Vieira e Ursula Luise Kirchner, é “praticar o sorriso, o riso, a gargalhada e o bom-humor como forma diária de exercício para aliviar o estresse”. Veja o vídeo para conhecer o trabalho do CGB:

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