Projeto social reaproveita lixo eletrônico

Por Clara Menezes

O lixo eletrônico, ou o e-lixo, vem crescendo com o aumento das tecnologias. De acordo com Programa para o Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (Pnuma), o mundo irá produzir cerca de 50 milhões de toneladas de resíduos em 2017. Porém, a estimativa de produção anual por parte da indústria eletrônica é de 41 milhões.

O excesso de resíduos eletrônicos visto no cotidiano foi o que levou o empreendedor Sérgio Lima, 46, a procurar uma alternativa para o descarte desse tipo de lixo. Com libélulas falsas feitas de indicador óptico a laser, um pau de selfie transformado em helicóptero e antigas impressoras usadas como jardineira, o empreendedor mudou a perspectiva do que era considerado lixo. “Tudo se transforma. Tudo pode ter um novo valor”, acredita ele.

“Tudo se transforma. Tudo pode ter um novo valor” (Sérgio Lima)

Além de reutilizar os resíduos eletrônicos que provavelmente seriam jogados fora de maneira inapropriada, Lima criou uma economia sustentável e social. Ajudando o meio ambiente, seu projeto social denominado “Lixo eletrônico vira arte” ensina, também, estudantes de escola pública a reutilizarem o considerado “inútil”. Para ele, sua iniciativa é uma “via de mão dupla”: as indústrias vendem um material que precisa ser descartado e seu projeto paga barato por objetos que podem ser utilizados de diferentes formas.

Segundo o empreendedor, as empresas começaram a investir mais na beleza do produto do que em sua qualidade. Por isso, as tecnologias atuais quebram facilmente e, consequentemente, ocorre o acúmulo excessivo de lixo eletrônico tanto no local de seu projeto quanto nas ruas. Seu sonho, no entanto, ainda é ajudar a sociedade com seu trabalho. Além de melhorar, em sua própria maneira, a saúde das pessoas e a beleza da cidade, o projeto pretende criar uma relação econômica e social com catadores de lixo. Os catadores vendem os produtos para o projeto ganhando dinheiro, e eles e seus filhos podem aprender a reutilizar resíduos eletrônicos da melhor maneira possível.

Lixo Eletrônico

Trabalhos do empreendedor Sérgio Lima, 46.

Problemas de saúde

No entanto, o problema não é apenas a quantidade de lixo. O descarte indevido desses resíduos pode causar impactos no meio ambiente e, consequentemente, na saúde da população. Segundo a química industrial, Lamarka Lopes Pereira, 38, os eletrônicos têm uma grande quantidade de metais pesados, como o mercúrio e o chumbo. “Estes metais possuem a característica de bioacumulação. Além dos prejuízos a curto prazo como intoxicações agudas, temos a longo prazo a possibilidade de desenvolvimento de câncer nos humanos”, afirma.

“Estes metais possuem a característica de bioacumulação. Além dos prejuízos a curto prazo como intoxicações agudas, temos a longo prazo a possibilidade de desenvolvimento de câncer nos humanos” (Lamarka Lopes Pereira)

Para entender um pouco mais sobre o desperdício de lixo eletrônico, confira o infográfico abaixo com a quantidade desses resíduos que foram descartados na América Latina, em 2014:

Lixo eletrônico produz milhões de toneladas ao ano. Infografia: Vinícius Rodrigues

Falta de conhecimento

Para a química industrial, Lamarka Lopes, a quantidade de lixo eletrônico vem aumentando, principalmente, por causa da falta de informação sobre os locais destinados para o descarte. Segundo ela, é necessário aumentar o volume de informações repassadas às pessoas em escolas e universidades, por exemplo. Além disso, é necessário informar sobre as consequências da disposição inadequada dos resíduos eletrônicos, como o câncer e a contaminação do solo e da água.

Onde descartar?

Para descartar lixo eletrônico adequadamente, veja o mapa abaixo com os principais pontos de coleta desses resíduos em Fortaleza:

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