Filme aborda vida de jovem em busca de liberdade

Por Clara Menezes

Christopher McCandless (Emile Hirsch) é o típico jovem americano de classe alta. Bonito e inteligente, o recém-formado na universidade de Emory, em Atlanta, tem o futuro promissor. A faculdade de Direito da Universidade de Harvard está de portas abertas para ele. No entanto, a hipocrisia vivida pelos pais é o principal motivo para Christopher desistir de tudo que esperavam que ele fosse.

O personagem principal doa todo seu dinheiro para uma instituição de caridade, picota os cartões de crédito e abandona seu carro no meio da estrada. Tudo com o objetivo de se desligar do mundo materialista e fútil que viveu durante sua vida. O filme, narrado pela sua irmã Carine McCandless (Jena Malone), é baseado no livro-reportagem homônimo do jornalista Jon Krakauer. Ele conta a trajetória da vida real de Christopher durante sua viagem em busca de uma vida ligada intensamente à natureza.

“A grande aventura”

Christopher, com o objetivo de se transformar em um verdadeiro “mochileiro”, muda seu nome para Alexander Supertramp (que em tradução livre do inglês significa “super andarilho”). Vivendo entre trabalhadores de uma grande indústria e em comunidades hippies, o então Supertramp procura a capacidade de sentir pelo outro a empatia que tanto faltou em sua infância e adolescência. Para ele, “é inegável que viver sem lenço nem documento sempre nos alegrou. Isso está associado, em nossas mentes, com fugir do passado, da opressão, da lei e de obrigações maçantes. A liberdade absoluta”.

“É inegável que viver sem lenço nem documento sempre nos alegrou. Isso está associado, em nossas mentes, com fugir do passado, da opressão, da lei e de obrigações maçantes. A liberdade absoluta.” (Alexander Supertramp)

A falta de contato com a família, preocupada por causa de seu desaparecimento, pode parecer contraditória com os ideais que o jovem procurava. No entanto, ao longo do filme, o depoimento da irmã de Christopher demonstra uma personalidade previsível. Para ela, era óbvio que um dia o irmão ia deixar tudo para trás, sem preocupações com os pais, como forma de devolver o sofrimento que sentiu.

Apesar de refutar a ideia de família que tinha, Supertramp convive com um casal de hippies que o trata como um filho. Mesmo eles tentando o convencer do perigo de viver sozinho no Alasca (o objetivo do jovem desde o começo), ele acredita estar indo para o lugar certo. O motivo para ir a um lugar deserto é, principalmente, a ideia de ser inabitado pelo homem. O completo equilíbrio entre a natureza e Supertramp é uma busca incessante durante todo o filme.

Ônibus mágico

O verdadeiro Alexander Supertramp em seu ônibus mágico, lugar que morou cerca de 3 meses. Foto: Reprodução.

Quando Alexander chega ao Alasca, ele percebe que um ônibus foi deixado em um local deserto. Impressionado com a história que aquele coletivo poderia ter, ele o denominou de “magic bus” (ônibus mágico, em tradução livre). Apenas naquele lugar, sem o contato com nenhum ser humano, ele se sente completamente livre. As barreiras impostas pela sociedade foram finalmente quebradas. O humano na sua verdadeira forma natural foi encontrada por Supertramp. Agora, ele está completamente imerso na “natureza selvagem”.

 

Reflexão

A vida do antigo Christopher McCandless era permeada de mentiras, falsidade, violência e indiferença. Todas as situações vividas por ele o levaram a fazer escolhas aparentemente rebeldes. Com uma história de vida emocionante e uma trilha sonora melancólica, o diretor Sean Penn faz os espectadores pensarem em uma vida que eles provavelmente nunca vão ter. A necessidade de mudança, de quebra dos padrões impostos, são tão inerentes à alma do ser humano que é quase impossível não refletir.

Para entender mais sobre o filme, confira o trailer abaixo:

 

Ficha Técnica

Ano: 2008

Direção: Sean Penn

Duração: 148 minutos

Gênero: Aventura/Biografia/Drama

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