Experiência Alice, uma outra forma de conhecer a história

Por Luana Façanha

Desde o dia 15 de setembro deste ano, a exposição Experiência Alice, baseada na obra de Lewis Carroll, está disponível para visitação no shopping Iguatemi, de segunda a domingo, das 11h até 21h. A mostra convida os visitantes a imergir no mundo de Alice, e vivenciar a história já conhecida com os olhos da própria personagem.

Porta onde ela encontra o Coelho Branco. Parte da exposição. Foto: Luana Façanha

Há doze cenários interativos que têm relação com o filme da Disney, lançado em 1951, e um sobre o filme com o mesmo nome, lançado em 2010 e dirigido por Tim Burton; que permitem que o visitante vivencie cada parte da história, com alguns objetos interativos que recriam cenas da animação da Disney. A mostra ainda apresenta um acervo de versões de livros e objetos relacionados à história, da artista plástica Adriana Peliano.

A exposição foi idealizada e organizada pela Organização Não Governamental (ONG) Orientavida, em parceria com a Disney do Brasil. Elas contrataram a Caselúdico, empresa de cenografia responsável por grandes eventos, para transformar o projeto em realidade e trazer o mundo de Alice para quem visita.

A primeira parte da exibição é composta por balcões contendo várias versões do livro “Alice no país das Maravilhas”, desde a versão manuscrita por Lewis, com o título original “As Aventuras de Alice no Subterrâneo”. Nessa parte, conhecemos a inspiração do autor para criar a personagem Alice: a filha do Reitor do local onde dava aulas de matemática. Como era próximo do reitor, via a menina, chamada Alice, com suas duas irmãs mais velhas. Ela era bastante curiosa e gostava de desafios. Por isso, Lewis lhe contava várias histórias, e fazia vários enigmas para que ela descobrisse. Até que um dia em um passeio de barco com o amigo e suas filhas, Lewis contou uma incrível história sobre Alice que a encantou. Então, Alice lhe pediu para que ele escrevesse essa história, e, em uma comemoração de natal, ele lhe deu o livro de presente.

Na exposição, há outras versões do livro, com várias ilustrações, feitas por artistas diferentes, como uma feita por Salvador Dalí, e objetos que fazem parte da história de Alice, além de portas que mostram curiosidades sobre a história. Cada sala, um cenário do filme, do momento em que ela entra na toca do coelho ao momento em que acorda. E a última sala é sobre o filme do Tim Burton, baseado na mesma história, lançado em 2010. Ao sair, o visitante encontrará uma lojinha com objetos da história.

A artista

O acervo é da artista plástica Adriana Peliano, uma especialista em Alice, ou, como prefere dizer, “especialice”. Peliano conta que é apaixonada por Alice desde sua infância, tanto a história quanto a personagem a acompanhou nas transformações de sua vida, criando uma relação mágica e orgânica. “Primeiro recebi Alice como uma viajante em reinos imaginários, depois tornou-se uma menina rebelde e desajustada em um mundo sem sentido, depois uma experiência de linguagem mais do que uma história, então um desafio filosófico, um portal mágico e fonte de criatividade inesgotável, uma jornada iniciática e surreal no inconsciente e no mundo dos sonhos e então tudo ao mesmo tempo agora, ‘alicedelicamente’.” conta.

Cena do Julgamento. Foto: Luana Façanha

A artista procura dialogar com o livro em várias de suas obras. Ela conta que a história traz diversas questões sobre a vida, “quando a lagarta pergunta para Alice  ‘Quem é você?’ e Alice não sabe dizer depois de tantas transformações, vejo ali uma semente desse universo caleidoscópico que é a presença de Alice na cultura e na arte,  na imaginação e no pensamento, na vida e no sonho”, explica Adriana. Ela considera a história interessante para várias disciplinas. “Alice desperta interesse nas mais diversas áreas do conhecimento, da psicologia à magia, à física quântica, à lógica, à matemática e por aí vai. Alberto Manguel disse uma vez que Alice é um livro infinito e é isso que me encanta como colecionadora, pesquisadora e criadora de ‘alicinagens’ e ‘amaravilhas’ na vida e no meu trabalho como artista e divulgadora da obra”, encanta-se.

Adriana visitou a exposição e achou que a cenografia original feita pelo Caselúdico “cria, através de ambientes curiosos e cheios de surpresas, um encontro entre cenários, sons, luzes e recursos tecnológicos. São 13 ambientes que recriam a trajetória de Alice entre personagens excêntricos e lugares inusitados, numa forma lúdica e interativa de contar a história de um jeito diferente. Espero que seja um chamado para que cada um encontre sua própria toca do coelho e viva aventuras incríveis”, comenta.

A professora universitária Fabíola Bezerra, 43, conta, ao sair da exposição, o quão interessante e envolvente é a mostra. “Recomendo, muito lindo. Envolve a gente, e a gente acaba voltando a ser um pouco criança. As frases são lindas, eu tirei foto de várias. Acaba que é a vida real, apesar de ser uma história, acaba refletindo um pouco do que a gente vive”, sugere.

 

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