“Quanto mais o livro circula, mais informação e conhecimento se espalha no mundo”

Por Luana Façanha

A leitura é uma experiência humana que permite que o leitor acesse seus sentimentos, se identifique com personagens e situações, obtenha conhecimento, mude sua visão de mundo, de atitudes e de pensamentos. Portanto, a leitura é essencial para o ser humano. Existem diversos projetos literários em Fortaleza, importantes para convidar mais pessoas a conhecerem os benefícios que a leitura traz, que se apresentam das formas mais criativas para as pessoas, em casas de passarinhos espalhadas pela cidade e estruturas colocadas nos terminais de ônibus, e disponibilizam livros gratuitos para quem quiser ler, como os Ninhos de Livros e as instalações do Terminal Literário.

Fonte: Retratos da Leitura no Brasil – 4ª edição

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil – 4ª edição realizada pelo Instituto Pró-Livro e pela Ibop Inteligência, em 2015, 73% da população brasileira gosta de ler, sendo esta a principal motivação para a procura de livros (25%). Entre outros motivos, as pessoas recorrem aos livros para atualização cultural, conhecimento geral ou crescimento pessoal. De acordo com a mesma pesquisa, a principal barreira para a leitura é a falta de tempo. Os altos preços e a escassez de livrarias também dificultam o acesso à literatura.

Algumas bibliotecas e empresas criaram  projetos sociais que disponibilizam livros e incentivam sua troca da melhor forma possível, como a da Universidade Federal do Ceará, e as de Órgãos Públicos, como o Tribunal Regional do Trabalho – 7ª Região (TRT), oferecem um espaço em suas bibliotecas onde livros estão disponíveis para o uso sem cadastros ou multas. É solicitado que as pessoas façam o empréstimo dos livros e, depois, devolvam. Esta é uma forma que as bibliotecas criaram para que as pessoas tenham consciência que de que livros devem ser passados de mão em mão, e uma forma de fazer com que exerçam a cidadania.

Biblioteca Livre

Dentre os vários tipos de projetos de incentivo à leitura existem as bibliotecas livres. São locais em que os livros estão disponíveis para as pessoas levarem para casa sem qualquer burocracia ou controle. Podem ser organizadas em estantes, prateleiras, caixinhas e até geladeiras antigas. A funcionária da área de limpeza do TRT, Conceição, 42, frequenta a biblioteca livre Direito de Ler, no TRT, e conta: “Frequento bastante a biblioteca livre [o projeto]. É bom porque incentiva a leitura. Para quem tem o hábito como eu, é maravilhoso, porque a gente não tem acesso às bibliotecas fora daqui, por conta do tempo. Para quem não tem o hábito, é um incentivo”.

A bibliotecária do TRT, Rejane Maria, que coordenou o projeto, lembra a importância da propagação da literatura. “Quanto mais o livro circula, mais informação e conhecimento se espalha no mundo gerando impacto direto na melhoria do vocabulário das pessoas, na ampliação do seu capital intelectual e na consciência de modo geral”. Segundo a bibliotecária, além dos efeitos terapêuticos, a leitura mexe com as nossas emoções e pode mudar o nosso comportamento.

“Quanto mais o livro circula, mais informação e conhecimento se espalha no mundo gerando impacto direto na melhoria do vocabulário das pessoas, na ampliação do seu capital intelectual e na consciência de modo geral” (Rejane Maria)

Na Universidade Federal do Ceará, foi aberto um espaço de leitura na biblioteca que funciona do mesmo modo, com livros que podem ser alugados sem registro, e que qualquer pessoa pode contribuir colocando seus livros. A bibliotecária da Universidade, Isabela da Rocha, 27, comenta que o local é bastante movimentado. Além disso, ela fala que o projeto é um incentivo à leitura e ao desapego aos livros. Isso permite que outra pessoa também possa ter acesso aos livros, pois hoje em dia, eles estão caros e nem todos podem comprá-los.  

Terminal Literário

Pessoas procuram livros pela instalação. Foto: Luana Façanha

Outro projeto que busca trazer a leitura e seus benefícios para a cidade é o Terminal Literário. Trata-se de um estrutura colocada nos terminais de ônibus para disponibilizar livros doados aos frequentadores do local, e funciona como um espaço de troca. Em Fortaleza, de acordo com o site da Prefeitura, essas instalações já estão disponíveis nos terminais do Papicu, Conjunto Ceará, Siqueira, Lagoa, Parangaba e Antônio Bezerra. No terminal do Papicu, Simone Nascimento, 38, utiliza esse projeto em busca de livros religiosos e de romances. “Eles são fundamentais para levar cultura, conhecimento para as pessoas, que às vezes não tem condição de encontrar um livro bom”, ressalta.

“Há muitos livros religiosos e de romances. Eles são fundamentais para levar cultura, conhecimento para as pessoas, que às vezes não tem condição de encontrar um livro bom” (Simone Nascimento)

Ninho de Livro

O projeto Ninho de Livro, distribui casinhas de passarinhos em diversos locais da cidade. A iniciativa da Satrápia, agência de projetos que desenvolve benfeitorias para cidades, trouxe para Fortaleza um formato de divulgação da literatura em que espalha as casinhas em diversos locais na cidade. Elas são colocadas em postes e os livros ficam disponíveis para quem quiser pegar ou para deixar um outro para quem quiser ler. De acordo com Larissa Barros, 27, responsável pela parte administrativa e de pré-produção da Satrápia, “as pessoas criam um sentimento de pertencimento em relação ao ninho, não só realizam as trocas como cuidam das casinhas.”

No mapa interativo você poderá conferir os locais próximos de onde poderá encontrá-las:

Problemas

Os projetos trazem oportunidades de leitura para as pessoas, mas em alguns locais eles se encontram vandalizados, com portas arrebentadas e até roubadas. Além disso, nos terminais literários, pessoas comentaram sobre o desinteresse da população para colocar mais livros. O comerciante que trabalha nas proximidades do Terminal Literário no Papicu, Thalyson Freitas, conta que a escassez de livro é comum. “O pessoal leva, e não repõe, muita gente traz, e deixa aí. Quando não tem nada para fazer, eu pego e fico lendo. Mas como não tem muito livro às vezes não. É preciso ser mais fiscalizado. E também depende da consciência de cada pessoa”, afirma.

 

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