Estudantes de Publicidade e Propaganda realizam campanha para a Ambev

Por Ana Luiza Souza e Luiza Ester

O cartaz será impresso e fixado em pontos de venda de bebidas alcoólicas. Foto: divulgação

“A diversão termina quando o excesso começa”, essa foi a mensagem dos alunos de Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza (Unifor) para comemorar o “Dia da Responsa”. O consumo de bebidas alcoólicas em excesso afeta muitos brasileiros. Segundo dados da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (ABEAD), por ano, 32 mil pessoas morrem em decorrência da bebida alcoólica.

A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) comemora, anualmente, o “Dia da Responsa”, em 15 de setembro. O evento tem como objetivo mobilizar os brasileiros em prol do consumo consciente de bebidas alcoólicas. Para estampar a campanha deste ano, a empresa escolheu o cartaz dos alunos Germano Rocha, 33, e Ítalo Oliveira, 26.

Na entrevista a seguir, os alunos Germano e Ítalo falam um pouco sobre como foi o processo de montagem e seleção da peça publicitária, o sentimento de ter seu trabalho reconhecido e qual a importância dessa campanha para a conscientização dos jovens.

O cartaz de vocês foi escolhido pelo diretor da Ambev para estampar a mobilização anual do “Dia da Responsa”. Como vocês tiveram acesso à parceria entre a Universidade e a Ambev?

Germano: A Ambev entrou em contato com a Unifor buscando essa parceria. A gente teve esse contato através da disciplina de Criação Publicitária com o professor Cláudio Sena. Ele passou o desafio como uma atividade pros alunos. Foi basicamente isso. Surgiu como uma atividade extra da disciplina junto com essa parceria que a Ambev fez. Não ficou só restrita à Criação, teve parceria com o NIC [laboratório dos cursos de comunicação da Unifor]. O NIC ficou responsável de planejar uma ação e os alunos da disciplina iam elaborar uma campanha para a Ambev.

Italo: Eles entraram em contato com a coordenação e a coordenação direcionou eles para o que queriam para a campanha. No caso, a disciplina de Criação fica responsável por confecção de peças, voltadas para criação publicitária. No nosso, na disciplina, o pessoal responsável pelo setor de comunicação veio até a sala de aula. Teve uma reunião com a gente, explicaram o briefing, explicaram o Dia de Responsa, explicaram o que eles queriam. Foi assim ao longo de todo esse processo. Deram feedback, acompanharam o processo até nas escolhas das peças que iam ser veiculadas.

Para eleger qual seria a estampa da campanha, foram selecionadas algumas peças. Vocês acham importante estimular essa concorrência entre os alunos?

Italo: Eu vejo com bons olhos. Meu espelho aqui na faculdade são outros alunos. Claro, os professores também. Mas eu me espelho em outros alunos, principalmente alguns que já se formaram. A gente pensa “caramba, esse trabalho ficou tão legal”. Então, você ter essa concorrência sadia, você fica olhando o trabalho do outro no dia da apresentação, vê as diferenças como cada um recebeu aquele briefing e que caminho seguir para comunicar essa causa social deles.

Germano: Na verdade, estimula. Eu acho que a intenção não é a concorrência em si, mas estimular a gente para produzir uma coisa que tem potencial pra ir pro mercado, sair só da sala de aula. É um estímulo, na verdade. Eu não foco muito na questão da concorrência.

Como se deu a elaboração da peça publicitária de vocês?

Germano: O briefing foi passado e a gente tinha que trabalhar uma peça sobre o Dia de Responsa, que é um dia de conscientização que a Ambev faz sobre o uso moderado, o consumo inteligente de bebida alcoólica. Também fala sobre menores de idade e dirigir e beber. A ideia que a gente teve, que foi a ideia escolhida, gerou mais em torno da questão do excesso de bebida. Foi uma ideia que veio da minha rotina de sair com os amigos. Alguns amigos meus exageravam e não sabiam a hora de parar. Essa parte de não saber a hora de parar me fez pensar no efeito que isso causa, que é o efeito dominó. Um copo a mais vai levando a outro. Isso deu o conceito que foi a questão dos copos caindo, o efeito dominó que a gente usou na peça. Foi o que a gente aplicou pra trazer isso. No título, que o Italo fez, ele tentou, de uma forma bem interessante, colocar a questão de como a diversão de uma festa termina quando esse excesso começa.

Anteriormente, você disse que essa campanha deveria ter um aspecto positivo e não negativo. Por quê?

Italo: Muito interessante a Ambev engajar esse tipo de campanha, porque ela é uma empresa que vende bebida alcoólica e, claro, ela não quer que as pessoas deixem de consumir bebida alcoólica. Ela quer que as pessoas, como foi o briefing da campanha, consuma de forma inteligente, não exagere, não faça o uso de bebida quando for dirigir. Eles deixaram bem claro: “Esse tipo de lucro a gente não quer”. Então, de qualquer maneira, eles vendem bebida alcoólica, o briefing que passaram pra gente foi pra falar de maneira positiva. Ao contrário de uma vertente de campanha que é ir pelo impacto, pelo choque, de mostrar o lado negativo. Nem sempre é o mais eficaz. Eles pediram e a gente optou por seguir essa linha mais positiva. Exaltar o lado de quem sabe parar vai dar certo, e não o lado negativo de que, se você não parar, isso vai acontecer com você.

Germano: A gente tentou não “vilanizar” a bebida. Na verdade, o problema não é a bebida em si, é a questão de como você faz isso. Se você dirige e bebe, aí está o problema. Se você bebe demais e faz besteira em uma festa, aí está o problema. Se você dá bebida para menores, aí está o problema. Então, o problema não é a bebida em si, mas o que o usuário faz no seu momento de diversão. Se ele está usando com responsabilidade ou não.

Qual a importância dessas campanhas de responsabilidade social elaboradas por jovens e para os jovens?

Germano: Eu acho que é de extrema importância, porque eles sabendo disso, a gente tá falando de igual pra igual. É uma questão que a gente passa por isso. Esses acidentes que acontecem por causa de bebida é uma coisa que tá muito clara na sociedade. Por isso que a comunicação foi uma forma de dizer “galera, não é errado você beber”, porque se você colocar como errado, eles vão falar “ah, mas eu gosto, eu quero beber”. Bebe, mas que tenha noção que, se você beber e dirigir, isso pode causar um problema. Pode tirar tua vida, pode tirar a vida de outra pessoa. Vá de Uber, vá de carona com o amigo que não ta bebendo. Curta de uma forma responsável para que você possa ter outras festas pela frente.

Italo: O fato da própria Ambev divulgar que foi uma campanha feita por alunos, faz com que os jovens que vejam isso sintam uma proximidade maior, porque podem dizer “quem falou isso foi um jovem também”. A gente tem a mania de achar que, tudo que uma pessoa mais velha fala, é careta. Então, quando é um jovem falando pra outro jovem, você se sente mais identificado com aquela campanha.

Qual a sensação de ter um trabalho reconhecido por uma empresa de grande porte, como a Ambev?

Germano: Foi de extrema alegria. É muito legal ter um trabalho seu veiculado, porque as pessoas vão reconhecer, não só a importância do trabalho em si, mas que você teve alguma participação naquilo. É legal porque a gente ainda tá na faculdade e tá querendo ir pro mercado. Isso abre algumas portas, dá uma visibilidade pro nosso trabalho e estimula a gente a sempre continuar perseguindo esse caminho.

Italo: É incrível porque aqui [Unifor], nas disciplinas voltadas para criação, se fazem ótimas peças, mas não são veiculadas, que chamamos de peças fantasmas. Então, ter essa oportunidade do nosso trabalho veiculado aí na rua, literalmente, é fantástico. Participar disso sem ta no mercado ainda é um privilégio sensacional.

Por que vocês acham que o cartaz de vocês foi o escolhido?

Germano: Essa é difícil. A gente tinha outras opções, outras ideias, mas eu acho que essa foi a que a Ambev queria dizer com a campanha. Trazer pro usuário a responsabilidade de saber o momento certo de tomar suas decisões de parar e tudo mais. Isso ficou muito representativo de alguma forma.

Italo: Nós soubemos adequar o que o briefing pediu ao tipo de linguagem que eles queriam. Casando isso, o que foi determinado por eles, estando numa linguagem adequada. Nem negativa, nem divertida demais. Nós equilibramos a imagem, a composição da peça. Tivemos um cuidado com as partes mais técnicas. Também, de na parte textual não colocar um título negativo, que chocasse muito. Uma coisa que a pessoa visse, se identificasse e pudesse contribuir para não cometer excessos, como beber e dirigir.

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