“Her” questiona futuro da tecnologia

Por Clara Menezes

Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um solitário escritor de cartas virtuais. O objetivo da empresa em que trabalha é escrever para pessoas incapazes de expressarem seus sentimentos pela escrita. A falta de tato sentimental, típica do ambiente futurista do filme, remete à perda gradativa de contato entre pessoas como vista na contemporaneidade.

A vida de Theodore está entediante desde o término da relação com a sua ex-mulher, Catherine (Rooney Mara), o até então amor da sua vida. Com flashbacks de sua relação amorosa, o personagem principal demonstra uma superação falha. No entanto, após ver uma propaganda sobre a criação de um novo sistema operacional que funcionaria como um verdadeiro humano, uma inteligência artificial, a vida de Theodore toma rumos inesperados.

Samantha

Theodore faz o download do sistema operacional sem expectativas de aproximação. Foto: Reprodução

O escritor instala o sistema operacional em seu computador e começa a usá-lo. Após se autodenominar Samantha (Scarlett Johansson), a voz virtual adquire a personalidade que, no começo, Theodore deseja que ela tenha. Lendo livros em milésimos de segundo, informando os e-mails de seu “consumidor” e realizando chamadas, a inteligência artificial facilita a vida do personagem principal.

Porém, extremamente solitário, Theodore cria sentimentos por Samantha. O que antes era para ser apenas um relacionamento entre homem e máquina, vira quase um namoro real. A sociedade, no entanto, mostra-se extremamente receptiva com essa forma de se relacionar. O contato sentimental entre uma pessoa e uma máquina já não parece tão absurdo. A paixão por Samantha é tão intensa que o nome do filme é voltado unicamente para ela (her, em inglês).

Apesar de comum na sociedade em que vive, Theodore ainda tem dificuldades, no começo, de demonstrar seu afeto em público. Após conversar com sua amiga Amy (Amy Adams), que também tem um sistema operacional como companheira, ele aceita verdadeiramente seu relacionamento. “Eu acho que, qualquer pessoa que se apaixona, é uma aberração. É uma coisa louca para fazer. É mais ou menos como uma forma de insanidade socialmente aceitável”, reflete a amiga em conversa. De piqueniques entre casais e conversas com a afilhada, aos poucos, a máquina vai se tornando quase um humano.

Eu acho que, qualquer pessoa que se apaixona, é uma aberração. É uma coisa louca para fazer. É mais ou menos como uma forma de insanidade socialmente aceitável” (Amy)

Questionamentos

Sem o aparente clichê típico de filmes futuristas, o diretor Spike Jonze cria uma realidade quase alcançável para quem assiste. A dificuldade de contato humano, a facilidade da interação virtual e sua comodidade são situações vividas pelas pessoas no século XXI e, provavelmente, se intensificará em poucos anos. Com essa temática, o filme questiona até que ponto a inteligência artificial pode ser verdadeiramente uma pessoa. Para Samantha, os sentimentos dela são reais. De ciúmes a prazeres humanos, o sistema operacional age e pensa como os seres humanos. Então, a sociedade estará fadada aos relacionamentos entre máquina e homem?

 

Para entender mais sobre o filme, confira o trailer:

Ficha técnica

Direção: Spike Jonze

Ano de produção: 2014

Duração: 125 minutos

Classificação: 14 anos

Gênero: Drama/Romance/Ficção Científica

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