Campanha de prevenção ao suicídio movimenta as redes sociais

Por Ana Luiza Souza

Hoje (10/09) é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e para a divulgar a data, a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) criou a campanha Setembro Amarelo. No Brasil, as primeiras movimentações ocorreram em 2014, com o uso da cor amarela na iluminação de monumentos como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

O número de adeptos à campanha aumentou, e muitos usuários das redes sociais passaram a compartilhar mensagens de apoio ou divulgar as ações da campanha. Outros começaram a divulgar canais que podem ajudar quem tem pensamentos suicidas, como o número 141 do CVV (Centro de Valorização da Vida), ou deixam seus números à disposição de quem precisa de apoio.

O Facebook criou um mecanismo de prevenção ao suicídio. Nesta página, os indivíduos com depressão e outros transtornos psicológicos podem mandar mensagem para alguém próximo, entrar em contato com uma linha de apoio ou receber dicas para superar a situação. Caso alguém esteja preocupado com um familiar, amigo ou conhecido, a plataforma também oferece dicas de como identificar os sinais e ajudar para remover o perigo.

Prevenção ao Suicídio

Ferramenta do Facebook oferece apoio para pessoas que estão com ideação suicida ou para quem quer ajudar um conhecido. Fotos: Reprodução/Facebook

 

Todos podem ajudar?

Segundo a psicóloga e arteterapeuta, Lise Lopes Lima, 35, a divulgação da campanha nas redes sociais é importante para que a população converse sobre o tema e assim saiba identificar os sinais dos  cidadãos que tem ideação suicida. “[A campanha] ajuda as pessoas a identificarem os sinais em pessoas do seu convívio e isso pode fazer a diferença, pode ser decisivo para que a ajuda chegue a quem precisa”, afirma.

Entretanto, segundo Lise Lopes, é preciso que além da ajuda de conhecidos,  pessoas com depressão e outros problemas psicológicos possam também ser acompanhadas por profissionais da área, como psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais. “Todo ser humano pode estar próximo, escutar, conversar. Essas ações são de ajuda e podem significar muito para alguém em sofrimento. Entretanto, muitas vezes, nesses casos, é necessário uma escuta qualificada, uma intervenção terapêutica, que é competência de um profissional qualificado para isso”, afirma a psicóloga.

“Todo ser humano pode estar próximo, escutar, conversar. Entretanto, muitas vezes, nesses casos, é necessário uma escuta qualificada, uma intervenção terapêutica, que é competência de um profissional qualificado para isso” afirma a psicóloga” (Lise Lopes)

Para a estudante de Letras, Giulia de Castro, 19, que sofre com ataques de pânico desde os 11 anos, a campanha é importante e pode salvar vidas. Mas a população não está preparada para auxiliar e acaba desqualificando o trabalho dos profissionais da área. Para ela, “Só um profissional (psiquiatra ou psicólogo) está realmente capacitado para orientar quem sofre de problemas psicológicos. Uma pessoa leiga, ao tentar fazer o papel de um profissional tentando ‘aconselhar’ pode atrapalhar mais do que ajudar. Divulgar é importantíssimo, tentar tomar o lugar do profissional não”, opina.

“Divulgar é importantíssimo, tentar tomar o lugar do profissional não.” (Giulia de Castro)

Setembro Amarelo

Usuários se colocam à disposição de quem precisa de ajuda nas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook

A campanha busca não só divulgar a prevenção ao suicídio, mas também conscientizar a população sobre a realidade dos indivíduos que têm pensamentos suicidas. No Brasil, o movimento é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Centro de Valorização da Vida (CVV).

O suicídio é considerado pelo Ministério Público como um problema de saúde pública, desde 1990. Entretanto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 9 entre 10 casos podem ser evitados. É com o objetivo de estudar, debater e divulgar a prevenção a esse problema que os profissionais da saúde realizam diversas ações neste mês. Porque é preciso que haja divulgação e sensibilização da população, a fim de ajudar as pessoas com depressão e outros problemas psicológicos possa ser eficaz.

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