Amazônia celebra seu dia sob nova ameaça

Por Lia Bruno

Nesta terça-feira (05) é comemorado o Dia da Amazônia, data que foi escolhida para homenagear a criação da província do Amazonas por Dom Pedro II, no ano de 1850. Com um histórico de desmatamento e exploração, nos últimos dias a região também tem lidado com mais um problema: o decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados. A Renca, nome pelo qual é conhecida, foi criada em 1984, durante o regime militar, e é localizada nos estados do Pará e Amapá. A medida imposta pelo presidente Temer, no dia 28 de agosto, decreta o fim da reserva e a sua liberação para mineração, que conta com a participação de empresas privadas.

O decreto enfrentou protestos de diversas entidades ambientalistas e celebridades, como a modelo Gisele Bündchen, que iniciaram, nas redes sociais, uma campanha com hashtags como “SOS Amazônia” ou “Todos pela Amazônia”. “É uma tragédia realmente anunciada. Vai resultar em desmatamento, contaminação dos rios”, afirma Maurício Voivodic, diretor executivo brasileiro da WWF (Fundo Mundial para a Natureza) em entrevista para AFP (Agence France-Presse, uma agência internacional de notícias).

Para Lorena Rocha, 18, estudante do curso Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), o pensamento não é diferente. “Acredito que abrir a reserva para mineração não vá trazer benefícios, pois, para explorar, precisa-se desmatar e esse desmatamento irá gerar impactos ambientais e nos povos locais”.

O presidente Temer, no dia 31 de agosto, em decorrência dos protestos que repercutiram nas redes sociais, resolveu anunciar a paralisação de todos os procedimentos relativos a eventuais direitos minerários na área. Especialistas acreditam que, caso a medida continue, há uma grande possibilidade de impacto ambiental nas regiões próximas. Eles afirmam que se um rio for contaminado, por exemplo, a água que chegar às áreas protegidas também será afetada.

Contudo, nesta terça, o governo federal publicou no “Diário Oficial da União” uma portaria que impõe que a “análise dos processos minerários” da Renca deve se dar apenas após o encerramento de discussão com a sociedade. O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que a decisão de se discutir o decreto foi tomada para que ocorra um debate com a sociedade a fim de discutir as alternativas para proteção da região. Ainda, segundo o MME, as conclusões desse debate deverão ser apresentadas em um prazo de 120 dias.

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