Unifor promove mês de conscientização sobre doação de órgãos

Por Clara Menezes

Setembro Verde é o mês voltado para a conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), por meio do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o Ceará foi um dos cinco estados brasileiros de maior destaque, com 24,9 doadores para cada milhão de pessoas em 2016. Apesar desse índice promissor no ano passado, em 2015, 2.333 pessoas morreram à espera de um transplante de órgão.

Para homenagear os doadores, no mês de setembro a Fundação Edson Queiroz promove o 15º ano da campanha “Doe de Coração”. Parcerias com hospitais e meios de comunicação ajudam a propagar o projeto, que objetiva impactar um maior número de pessoas sobre a importância dos transplantes. Essa campanha pretende atingir as famílias, já que depende principalmente delas para o processo de doação ocorrer. “Quem trabalha com transplante sabe a importância da ‘Doe de Coração’. Ela leva conhecimento à população, fazendo lembrar que existem muitos pacientes precisando de doação. É uma caridade inexplicável”, conta a cirurgiã de transplante hepático, Dra. Denissa Mesquita, 37.

 

Importância da doação

​Mary Ferraz recebeu o transplante de um rim por meio de sua irmã. Foto: Arquivo Pessoal.

No caso de doações que não comprometem o funcionamento do corpo, como um rim, a decisão é da própria pessoa doadora. Já nos casos de transplantes de coração, pulmão e fígado, por exemplo, as famílias são as responsáveis por permitir os transplantes de um familiar com morte cerebral. Porém, a esperança de sobrevivência do familiar com morte cerebral, pode levar os familiares à dúvida sobre realizar ou não o processo de doação. “A não aceitação ocorre, principalmente, por causa da falta de conhecimento sobre a morte encefálica”, afirma Denissa.

Para a comerciante Mary Ferraz, 56, que recebeu a doação de um rim de sua irmã, Marilene, “a doação tem que ser feita de forma consciente. Salvar a vida de uma pessoa desconhecida pode até nos causar questionamentos, mas salvar vidas, principalmente de familiares, é uma escada para o nosso aperfeiçoamento como humanos”. A comerciante tinha pressão alta, no entanto desconhecia sua condição. Foi só após seus rins secarem e perceber que não havia mais função renal que ela recorreu à hemodiálise, um método de filtragem do sangue por meio de aparelho que funciona como um rim artificial.

“A doação tem que ser feita de forma consciente. Salvar a vida de uma pessoa desconhecida pode até nos causar questionamentos, mas salvar vidas, principalmente de familiares, é uma escada para o nosso aperfeiçoamento como humanos” (Mary Ferraz)

Após entrar na fila para conseguir um rim, ocorreu um contratempo: o órgão que supostamente seria utilizado no transplante não era compatível. Diante disso, surgiu a perspectiva de que sua irmã, Marilene, doasse um de seus rins. Depois dessa “demonstração de amor”, como diz Mary, ela retornou à sua vida normal. “A felicidade bateu em minha porta novamente e hoje sou agradecida”, conta a comerciante.

 

Aumento de transplantes

O número de doações de órgãos vem aumentando gradativamente. Dados: brasil.gov.br

Apesar de ainda ocorrer mortes devido à falta de órgãos para doação, o Brasil aumentou o número de transplantes em 2016. Com 2.983 doadores, o número representa uma taxa de 14,6 pessoas por milhão, significando um crescimento de 5% se comparado com 2015. Os dados divulgados pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, são referentes aos transplantes feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para entender mais sobre o aumento de doações de órgãos, confira o gráfico ao lado:

Esse crescimento no número de doadores vem ocorrendo, principalmente, por causa da gradativa conscientização da sociedade, em geral. “Após assistir uma reportagem, percebi que são poucas as pessoas que se assumem doadoras”, conta a auxiliar em saúde bucal, Charliane Costa, 26. Por isso, ela procura sempre lembrar aos familiares e amigos sobre sua vontade de doar. “Eu vejo essa situação como uma importante atitude. Ela traz esperança não apenas para quem recebe o órgão, mas para toda a família”, afirma.

 

O processo

O Hospital Israelita Albert Einstein, localizado em São Paulo, produziu um vídeo para simplificar a compreensão do processo de doação de órgãos. Confira:

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