Ritmos brasileiros no metal: ousadia que deu certo

Por Edson Baima

Metal, música clássica, MPB e percussões indígenas. À primeira vista, esses gêneros musicais não parecem ter nada em comum. Mas foi com esses ritmos juntos que a banda brasileira “Angra” fez um marco para o metal nacional: o disco “Holy Land”. Afim de inovar no cenário do rock pesado e com intenção de levar os ritmos brasileiros para fora do País, o segundo disco da banda ousou em todas as suas dez faixas.

Comemorando 20 anos de lançamento este ano, “Holy Land” é um álbum temático que é inspirado na época do descobrimento do Brasil pela Europa, suas grandes navegações e o início da miscigenação das raças. Dessa forma, sabemos mais um motivo para que a banda tenha mesclado todos esses estilos musicais.

Dentre todas as músicas do disco, é válido ressaltar as que mais se destacam pela diferença sonora e pela influência da cultura brasileira. “Carolina IV” é introduzida com uma saudação à Iemanjá para depois contar a história de um navio que sai em busca de novas terras. “The Shaman”, em clima de misticismo, é uma canção sobre um pajé indígena que tenta ressuscitar um guerreiro por meio de rituais. A balada “Silence and Distance” fala, com o olhar de um navegante, sobre os mistérios do mar e sua imensidão azul.

Em vídeo encontrado no YouTube, é possível ver o making of de parte das gravações das guitarras e da voz. Nele, membros da banda falam quais eram suas influências para gravar o disco, além das suas expectativas. Também conta com comentários dos empresários, os quais dizem que não conseguem determinar um estilo para banda: “Para mim é um material muito novo. Toda essa pegada é diferente, não é como Helloween, Iron Maiden ou algo do tipo. Não é só heavy metal, é uma sensação diferente. Talvez porque eles são brasileiros”, comenta o guitarrista alemão Sascha Paeth.

Tambores, flautas, piano, berimbau e instrumentos de percussão se misturam ao peso das guitarras e à doce voz do vocalista André Matos. Essa combinação inusitada, gravada durante oito meses, resultou em um sucesso enorme entre os fãs e foi aclamado pela crítica musical: no Japão, Angra ganhou o “Disco de Ouro” pelas mais de 100 mil cópias vendidas. No canal de televisão “MTV”, o videoclipe da música “Make Believe” podia ser visto consecutivas vezes.

Formação da época. Da esquerda para direita: Kiko Loureiro (guitarra), Hugo Mariutti (baixo), André Matos (vocal), Ricardo Confessori (bateria), Rafael Bittencourt (guitarra). Foto: reprodução

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