Pesquisas mostram que estresse diminui produtividade

Por Clara Menezes

“O Cérebro Adolescente” analisa o comportamento dos jovens. Foto: Reprodução.​

A “demência do preocupado” é um termo criado pela neurologista americana Frances Jensen, autora do livro “O Cérebro Adolescente”. Essa denominação aborda o conceito de que o cérebro, cada vez mais ocupado com responsabilidades, está esquecendo de situações cotidianas. “Nós não estamos lidando com tarefas tempo suficiente para o nosso cérebro perceber. Somos obrigados a trabalhar rápido”, conta a neurologista em uma entrevista para uma organização pública de comunicação social dos Estados Unidos, NPR.

No entanto, esse termo ainda não é reconhecido pela medicina porque não existem estudos precisos que comprovem essa debilitação. “Eu acho que a demência do preocupado ocorre. Porém, é difícil de constatar porque, dentro da psicologia organizacional, tudo ocorre através da observação. É preciso ter um maior número de observações que permitam criar uma teoria”, afirma a professora de Psicologia Organizacional, Tereza Mônica, 60.

“Eu acho que a demência do preocupado ocorre. Porém, é difícil de constatar porque, dentro da psicologia organizacional, tudo ocorre através da observação. É preciso ter um maior número de observações que permitam criar uma teoria” (Tereza Mônica)

Segundo a psicóloga, a “demência do preocupado” é de difícil diagnóstico, também, porque existem outras variáveis que acarretam o esquecimento. O estresse e a ansiedade ocorridos pelo excesso de trabalho ou de estudos são dois dos principais fatores de falta de memória. Além disso, segundo Tereza Mônica, a Síndrome de Burnout, uma depressão causada pelo esgotamento físico e mental, também pode estimular o esquecimento.

Produtividade no trabalho

O estresse afeta diretamente a produtividade das pessoas nas empresas. Em um estudo feito, em 2016, pela Willis Towers Watson, uma empresa com o objetivo de aumentar o desempenho de seus clientes, o estresse era o principal fator de risco à saúde dos empregados e à produtividade das empresas. Analisando 56 empresas brasileiras, essa condição mental ficou em primeiro lugar com 62% dos casos, seguido pela falta de atividade física, com 44%.

Para o empresário Sérgio Holanda, o estresse afasta o espírito de cooperação, criando uma atmosfera negativa e diminuindo o foco. “A empresa deve proporcionar um ambiente confortável, com pequenos intervalos de descontração e com reuniões rápidas de bom dia e de palavras motivacionais”, explica ele.

“A empresa deve proporcionar um ambiente confortável, com pequenos intervalos de descontração e com reuniões rápidas de bom dia e de palavras motivacionais” (Sérgio Holanda)

Além disso, um estudo divulgado em 2011 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que longas jornadas de trabalho estão ligados diretamente à fadiga, à sonolência e à desatenção. Algumas grandes empresas já adotaram a diminuição da carga horária de trabalho, como a fábrica da Toyota, na Suécia, que obteve um aumento de 25% na produtividade.

Momentos de descontração podem trazer benefícios para a produtividade. Foto: Reprodução.​

De acordo com um levantamento feito pela Conference Board, uma empresa de pesquisa norte-americana, a redução da jornada de trabalho pode aumentar a produtividade em até 3% por hora. A organização, que reúne 1200 empresas de 60 países, afirma que 1 americano trabalha o mesmo que 4 brasileiros. No entanto, para a psicóloga organizacional Tereza Mônica, a flexibilidade de horário existe em poucas empresas e pode não funcionar com todas. “O funcionário foi acostumado a trabalhar sob pressão, a estudar sob pressão e concluir tudo sob pressão”, conta ela.

 

A vida acadêmica

O estresse, também, pode afetar os estudos e o desempenho acadêmico. Segundo Tereza Mônica, o aluno que dedica todo o seu tempo para a vida acadêmica, muitas vezes, tem o estresse diminuido porque ele aprende o que deseja. No entanto, alguns precisam estudar e trabalhar para se sustentar. Isso gera uma sobrecarga e, para o aluno conseguir sobreviver, ele vai ter que compensar em alguma área, como fazer os trabalhos da faculdade de véspera.

Para a coordenadora do Programa de Apoio Psicopedagógico (PAP), Terezinha Joca, 60, “as pessoas estão ficando muito aceleradas, sempre em busca de mais. Se hoje deu tempo de dormir, no outro dia você já coloca outra coisa para substituir. Como se o lazer não fosse de primeira necessidade”. Segundo ela, tanto os estudantes como os trabalhadores precisam desacelerar da rotina, procurando hobbies e meditar, para que possam desestressar. “A gente não pode apenas viver das exigências de um trabalho e de uma faculdade”, adverta a psicóloga.

“As pessoas estão ficando muito aceleradas, sempre em busca de mais. Se hoje deu tempo de dormir, no outro dia você já coloca outra coisa para substituir. Como se o lazer não fosse de primeira necessidade” (Terezinha Joca)

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