“Revolução dos Bichos” ironiza ambição pelo poder

Por Luiza Ester

Qual é a essência do ser humano? Com uma linguagem clara e didática, George Orwell consegue metaforizar princípios da cidadania e da ética. A leitura de seu livro,  “Revolução dos bichos”, é indispensável para entender as relações governamentais, geopolíticas e, até mesmo, a moral de cada pessoa. Egoísmo, autoritarismo e, consequentemente, corrupção são algumas das abordagens retratadas na obra.

Conflitos de interesses são evidentes na história do mundo. Política, organização e insatisfação são palavras que, juntas, não aparentam estranhamento. Em 1945, Orwell publicou o livro, originalmente “Animal Farm”, com o intuito de retratar justamente isso. Na obra, o autor utiliza animais para fazer uma reflexão acerca da impossibilidade de alcançar o poder sem perder a honestidade.

Esse pensamento relata a aversão de Orwell a qualquer regime autoritário ou totalitarista. A obra satiriza o período histórico da Segunda Guerra Mundial, em que a União Soviética perdeu princípios no decorrer de sua revolução. Além disso, o livro pode ser usado para representar qualquer época, uma vez que é recorrente os momentos em que os considerados mais fracos, quando conseguem o poder, são corrompidos pelo meio.

Granja dos bichos

O enredo da história se passa na “Granja do Solar”, liderada inicialmente pelo fazendeiro Jones, um homem que tratava mal seus animais. Depois de um sonho, Major, um dos porcos mais velhos da granja, partilha a vontade de livrar-se da submissão ao homem. Isso só poderia ser possível se os animais fossem governados por eles mesmos e, então, propõe uma reunião para dar início a Revolução dos Bichos. Logo nos primeiros momentos, o velho porco morre, mas seus ideais de libertação contra os humanos continuam a ser semeados no local.

Com o falecimento de Major, os porcos Bola-de-Neve e Napoleão tomam a frente do Movimento. Após a expulsão do Sr. Jones, a fazenda passa a se chamar “Granja dos Bichos” e a canção “Bichos da Inglaterra”, ensinada anteriormente por Major como um hino para os animais, é proferida semanalmente. Segundo os porcos, os princípios do Animalismo, filosofia defendida na revolução, eram resumidos em Sete Mandamentos, escritos no celeiro da granja.

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Depois da expulsão do fazendeiro, os donos das granjas vizinhas e amigos do Sr. Jones persistem na tentativa de retomar a, então, Granja dos Bichos. Em uma batalha entre humanos e animais, Bola-de-Neve luta bravamente para proteger as terras conquistadas por ele e seus companheiros. Assim, os animais conseguem vencer o combate e, posteriormente, o destemido porco dedica seu tempo ao aperfeiçoamento da granja e auxílio aos outros bichos.

Poder

Mesmo com a vitória naquele combate, Napoleão começa a implicar com as ideias pensadas por Bola-de-Neve. Toda responsabilidade de qualquer acontecimento ruim na granja era agora culpa do bom porco. Com isso, Napoleão o expulsa da fazenda e, durante toda a história, o situa como criminoso. Apesar da desconfiança dos outros bichos, ele consegue mantê-los incontestáveis.

A sede pelo poder modifica os rumos da Revolução. Misteriosamente, os Sete Mandamentos começam a ser alterados. Os porcos, considerados agora elite da granja, começam a negociar com os humanos e apoderar-se da casa onde Sr. Jones morava. O hino é abolido, com a justificativa de que o objetivo descrito na canção já teria sido atingido com o regime de Napoleão. Enquanto os porcos usam roupas e aprendem a andar sobre duas patas, os outros bichos não têm mais condições de trabalho e qualidade de vida.

Como os animais mal conseguem lembrar como era a vida e aqueles mandamentos antes da Revolução, são facilmente iludidos. Os suínos celebram a produtividade da fazenda com os homens e os bichos morrem de fome. A granja se torna representação da ganância. Então, não há mais como distinguir os porcos dos humanos.

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