Célio Fernando discute cenário da previdência e da desigualdade

Por Luiza Ester

“Você vai ter que escolher se a sociedade quer ser feliz agora ou no futuro”, disse o economista Célio Fernando Melo na noite de ontem (17), durante uma palestra na Universidade de Fortaleza (Unifor). Promovida pelo curso de Ciências Econômicas da instituição e o Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), a ocasião faz parte de um ciclo de palestras em homenagem ao Dia do Economista, comemorado no dia 13 de agosto.

Com o tema “As pirâmides da desigualdade e das faixas etárias: o dilema de ser feliz na velhice ou na mocidade”, Célio Fernando abordou o equilíbrio do orçamento público, as desigualdades sociais e a previdência. Para fazer essa análise, o economista ressaltou que profissionais desse ramo precisam “ter alma” e pensar fora da caixa para transformar a sociedade.

Diagnóstico

“A questão da desigualdade é que tudo está interligado”, declarou o economista. Segundo o Célio, é preciso analisar o bônus demográfico do país, ou seja, o resultado da redução da taxa de fecundidade e da diminuição da taxa de mortalidade. Para a previdência, esse fator é importante, pois pessoas ativas economicamente financiam o “regime geral” dos aposentados.

Foto: Ares Soares/Unifor

Além disso, Célio Fernando observa a população apta a trabalhar, mas que não tem emprego e não estuda, como “geração NemNem”. Para o economista, essa situação é cada vez mais preocupante, pois sem a força de trabalho não há como produzir. Embora o Brasil tenha muitas riquezas, não é possível “realizar”. Sem a exploração dos diversos meios de produção, se torna inviável o crescimento econômico.

A discussão sobre a população mundial cresce simultaneamente à globalização, o avanço tecnológico e às mudanças de época. De acordo com o economista, não há uma resposta sobre como ser feliz na velhice ou na mocidade. “É um dilema. Você vai tentar, obviamente, diante de tanta incerteza, fazer o máximo possível para que você tenha um pouco de qualidade de vida”, afirma. Essa condição de vida estará, também, imposta segundo a economia do país.

Existe um cenário de variáveis. Mesmo com avanços, a pobreza não tem diminuído e as mazelas sociais crescem cada vez mais. Segundo Célio, os discursos governamentais têm correntes ideológicas e políticas, mas a sociedade é condizente com uma discussão rasa. Assim, para entender as visões sobre a economia precisa de uma visão sistêmica e ordenada.

“O diagnóstico é fácil, mas a solução é difícil”, opina o economista. Falar sobre a longevidade é discutir como cada um viverá após suas condições de trabalho. Para Célio, a solução se baseia na mudança de valores e no entendimento de que as alterações econômicas não são só estruturais, mas “de época”.

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