Sylvia Moretzsohn questiona velocidade das informações no Jornalismo

Por Clara Menezes e Luiza Ester

“Informação é uma arma de guerra” disse a jornalista, professora e pesquisadora Sylvia Moretzsohn durante a palestra “Jornalismo em tempo real como doutrina de choque”.  O evento aconteceu na manhã de hoje (16), no Auditório da Biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor). Mediado pelo professor Márcio Acselrad, contou também com a presença da professora de filosofia Sandra Helena. Na ocasião, fora questionado a rapidez das informações no mundo moderno e, por consequência, a condição do jornalista nesse meio, de informar sem checar o que é verídico.

Foto: Pedro Vidal/FotoNIC

O jornalismo passa por mudanças constantes desde o surgimento da Internet. Para se adaptar, esse meio de comunicação trocou o que antes exigia um trabalho demorado pela velocidade da informação. Para Sylvia Moretzsohn, essa aceleração gera uma competição das grandes mídias, objetivando apenas quem consegue repassar primeiro os fatos. A consequência prevista é a replicação por veículos e a alienação social. Ao que parece, a comunicação se tornou uma corrida das grandes empresas do ramo.

Essa aceleração causada pelo capitalismo trouxe consequências para a sociedade. Segundo a jornalista, as redes sociais, apesar do discurso de ser um meio libertário e, supostamente, livre de desinformações, também são capazes de privar pensamentos.  A imensidão de possibilidades para o acesso consegue ser seletiva, pois alguém pode escolher apenas acessar e ler páginas que condizem com suas ideologias. Com isso, Sylvia afirma que a Internet impede a maioria das pessoas de questionarem suas certezas.

Veracidade dos fatos

A professora de filosofia Sandra Helena. Foto: Pedro Vidal/FotoNIC

Para Sylvia Moretzsohn, a aceleração do tempo é consequência do capitalismo. As informações são, cada vez mais, rápidas e instantâneas. Esse imediatismo impede, tanto os jornalistas quanto o público, de contextualizar a realidade por ângulos distintos. Portanto, apesar do compromisso com a credibilidade, o jornalismo não é um antídoto contra a pós-verdade. A professora discute que o espaço entre o discurso e a prática, no ramo, é imenso.

“O jornalismo em tempo real não permite uma interpretação apurada dos fatos”, diz Sylvia. Muitos jornais expõem dados sem explicações. Essa situação também pode acarretar a divulgação de informações falsas. “Como você vai se posicionar no mundo se você não sabe a verdade?”, questiona a jornalista. Segundo Sylvia, a credibilidade precisa ser integrada às redes sociais para que as pessoas possam saber em quem confiar.

“Como você vai se posicionar no mundo se você não sabe a verdade?” (Sylvia Moretzsohn)

Em concordância com a jornalista, a professora Sandra Helena afirma não confiar mais na imprensa. “Eu tenho, hoje, que identificar o que é a verdade”, conta. Ela declara não se contentar apenas com as informações dos veículos de comunicação e procura, por conta própria, checar as notícias. “Eu não leio mais jornais para checar informações e, sim, perfis no Facebook porque eles estão do meu lado”, fala a professora sobre a tendência social.

Debate

Ainda sobre o assunto, Sylvia Moretzsohn discutirá amanhã (17) com a professora Adriana Santiago, o filme “Nobody Speak: julgamentos da imprensa livre”. O documentário de Brian Knappenberger traz uma reflexão ética acerca do jornalismo, os critérios de imprensa e os direitos à privacidade e à informação.  O debate ocorrerá na sala A da Videoteca na Universidade de Fortaleza, às 13:30.

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