5+ livros reportagens vencedores do Prêmio Jabuti

Por Clara Menezes

O Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio de literatura brasileira, foi idealizado pelo escritor e crítico literário Edgar Cavalheiro, em 1959. Na época, ele era presidente da Câmara Brasileira do Livro e buscava, junto com os dirigentes da entidade, uma maneira de aumentar os recursos do mercado editorial. Então, para o prêmio ocorrer, foram organizadas diversas reuniões pelo presidente  Cavalheiro e o secretário Mário da Silva Brito.

Com diversas categorias, como Infantil, Romance, Gastronomia e Direito, o Prêmio Jabuti tem um Conselho Curador desde 2012 composto por nomes importantes da Literatura. Este ano, os integrantes são o filósofo, professor e autor Eduardo Jardim; o professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Jair Marcatti; o professor sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo Luis Carlos de Menezes; e o jornalista e professor de Literatura Pedro Almeida.

Como uma homenagem ao maior prêmio da literatura do Brasil, o Jornalismo NIC preparou uma lista com 5 livros de reportagens entre os vencedores do Prêmio Jabuti. Os livros reportagens são de extrema importância para entender a História, muitas vezes, não conhecida por grande parte da população. Eis a nossa lista e boa leitura!

Cova 312

O livro escrito por Daniela Arbex conta a história de como as Forças Armadas, durante a ditadura, assassinou o jovem militante Milton Soares de Castro e simulou um suicídio por enforcamento. Após descobrir que o jovem foi o único morto na penitenciária de Linhares, a jornalista e autora do bestseller “Holocausto Brasileiro” procura todas as informações sobre  o  militante, reconstituindo sua vida. Narrado como um romance, a obra ganhou primeiro lugar na categoria de “Reportagem e Documentário” do Prêmio Jabuti em 2o16. O nome de “Cova 312” surgiu porque a autora encontrou o corpo de Milton, até então desaparecido, na cova 312 do Cemitério Municipal de Juiz de Fora.

​Daniela Arbex busca a história do jovem militante Milton Soares de Castro para saber o que realmente aconteceu. Foto: Reprodução.

A Casa da Vovó

O Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, mais conhecido pela sua sigla, DOI-Codi, foi um órgão de repressão contra a esquerda criado durante o Regime Militar. Esse órgão do exército tinha diretrizes de acordo com a Doutrina de Segurança Nacional do governo norte-americano durante a Guerra Fria. Para escrever “A Casa da Vovó”, livro vencedor do primeiro lugar em sua categoria de “Reportagem e Documentário” em 2015, o autor Marcelo Godoy conversou com mais de 200 apoiadores do regime de extrema direita, incluindo pessoas que foram agentes ativos de uma das mais fortes máquinas repressoras do governo militar.

​O DOI-Codi tinha um caráter de extrema repressão e violência contra os defensores dos ideais comunistas. Foto: Reprodução.

1889

Escrito pelo jornalista e historiador, Laurentino Gomes, o último livro da trilogia (composta, também, por 1808 e 1822) conta a história da Proclamação da República em 1889. O livro tem uma narrativa leve, evidenciado no subtítulo que diz: “Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil”. Essa escrita suave com um pouco de tom humorístico atrai até as pessoas que não se interessam por livros de história.

​”1889″ explora o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil. Foto: Reprodução.

As Duas Guerras de Vlado Herzog

O jornalista Vladimir Herzog foi um dos principais símbolos da luta contra a Ditadura Militar no Brasil. A foto de seu corpo morto mostra a clareza dos absurdos e das mentiras contadas pelos militares. Para narrar a história, o jornalista Audálio Dantas explora em seu livro não apenas a vida de Herzog no Brasil, mas também de sua vida antes de chegar ao país, quando sua família precisou deixar a Iugoslávia por causa da perseguição judia durante a Segunda Guerra Mundial. O escritor reconstitui a história de Vladimir por meio de depoimentos, de arquivos e de sua própria memória.

Vladimir Herzog foi um jornalista morto durante a Ditadura Militar. Foto: Reprodução.

O Leitor Apaixonado

Feito pelo jornalista Ruy de Castro, o livro reúne 45 artigos escritos originalmente para a imprensa sobre nomes conhecidos e desconhecidos da literatura. De escritores como Oscar Wilde, Mario de Andrade e F. Scott Fitzgerald a João de Minas e Pedro Carolino, o livro retrata o lado humano desses artistas, analisando como suas personalidades afetaram diretamente a escrita. Para isso, é mostrado a história de vida desses escritores. Desde os autores que se tornaram mundialmente famosos, apesar de inúmeros fracassos, até outros que batalharam por anos e não conseguiram algum reconhecimento significativo.

Ruy Castro analisa as histórias profissionais e de vida de escritores renomados e desconhecidos. Foto: Reprodução.

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