Novo conceito une o design ao sustentável

Por Lígia Grillo

No Brasil, todos os dias são coletados 188,8 toneladas de resíduos sólidos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Um número que gera um sério impacto sobre o meio-ambiente. Em função disso, tem se propagado o conceito de criar com o que já existe, o design sustentável, que tem como objetivo eliminar o impacto ambiental negativo através da reciclagem e reutilização. Materiais como garrafas PET, pneus e até madeira são utilizados nessa iniciativa de unir o design com a ecologia.

Luly Vianna, 34, Designer
Foto: Arquivo Pessoal.

Luly Vianna, 34, é designer e criadora de uma empresa que trabalha com produtos sofisticados e totalmente artesanais, com a visão de consumo consciente. A marca trabalha com no mínimo 60% de material reciclado, sendo eles borracha, algodão, banner, cinto de segurança, garrafas PET, mangueira, entre outros. A empresária conta que o objetivo principal da empresa é mostrar que é possível ter um produto reciclado de uma forma chique, elegante e principalmente com qualidade.

“No começo, elas meio que não acreditavam que aquele produto era reciclado. Não acreditavam que tinha um acabamento tão bom em um produto que até então era lixo”, conta Luly. “Tirar um resíduo do lixo, da rua, e estar trazendo de uma maneira com design, estar usando aquele produto de uma maneira produtiva com certeza [esse mercado] está  crescendo porque é uma tendência. A consciência das pessoas está aumentando em relação ao meio ambiente”, acrescenta.

Isabelle Vilote, 29, estudante de Design de Interiores e Juliano Pessoa, 36, Gestor Ambiental.
Foto: Arquivo Pessoal.

Isabelle Vilote, 29, estudante de Design de Interiores e Juliano Pessoa, 36, Gestor Ambiental, atuam juntos em uma empresa de mobiliário sustentável produzido com baixo impacto ambiental, unindo retrô, requinte e sustentabilidade. “A ideia de criar uma empresa surgiu da necessidade de reaproveitar resíduos que ainda não possuem reciclagem no Estado e também dar oportunidade que vimos no grande volume de descarte de itens que podem ser trabalhados”.

Crescimento no mercado

Segundo pesquisa apresentada por Fred Gelli, durante o Fórum HSM Expo Management 2012, 75% das marcas que ocuparão a lista das 500 maiores empresas em 2020 ainda não foram criadas. Este seria um resultado da mudança entre modelos de negócios antigos e novos, que refletem na maneira de pensar sustentavelmente e na expansão desse mercado do eco-design.

“A gente vê tanto lixo na rua. E está sentindo esse excesso. Excesso de matéria prima, excesso de consumo e excesso de produção. Então eu acho que as pessoas estão se conscientizando cada vez mais e estão optando por comprar produtos que agridam o menos possível o meio ambiente”, conta Luly. O mercado do design sustentável está crescendo no país devido à demanda pelo cuidado com o meio ambiente. É um novo conceito de produzir produtos usando materiais recicláveis e ajudar o meio ambiente a diminuir a quantidade de resíduos.

“As pessoas procuram hoje produtos mais acessíveis no mercado e também diferenciados e exclusivos. Desenvolver produtos sustentáveis de baixo impacto ambiental (ecomóveis) com o reaproveitamento de materiais é o objetivo da empresa”, ressalta Isabelle.

 

Processo de produção

O processo de produção dos produtos da empresa criada por Luly Vianna acontece em parceria com duas empresas, uma que transporta e a outra que recicla. A câmara, que pode ser tanto de pneu quanto de caminhão, um dos materiais utilizados como matéria-prima, passa por um processo de lavagem. São lavadas, abertas e reidratadas. Em seguida, são levadas até a oficina onde é feito todo o processo de corte e costura, para dar forma ao produto. É feita a mistura, os desenhos e se inicia a produção.

Já na empresa de Isabelle e Juliano, os produtos são fabricados manualmente. Os desenhos são de acordo com o material disponivel ou do pedido do cliente. Às vezes, é preciso agilizar o material específico para atender à demanda do pedido, mas sempre prezando a sustentabilidade. Cola para madeira, parafusos e lixa para acabamento fazem parte do processo de produção de luminárias, bancos, dentre outros produtos. Algumas peças são personalizadas com tinta spray ou apenas verniz, e outras apenas na madeira crua.

Foto: Arquivo Pessoal

“Nós usamos madeira entre outros materiais que são descartados. A partir do material recolhido, desenvolvemos o mobiliário ou objetos de decoração, como as luminárias. É a partir do material que criamos as peças, pois elas surgem de acordo com o que temos disponível, já que nosso objetivo é reaproveitar, e não precisar usar madeira nova”, conta Isabelle.

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