Pau de Arara vai a Pernambuco para conhecer a terra do Rei do Baião

Por Edson Baima e Mirelly Oliveira

Em sua 10ª edição, o Projeto Pau de Arara atravessou as fronteiras cearenses e chegou em Exú, Pernambuco. Entre os dias 22 a 26 de junho, um grupo de 40 alunos da Universidade de Fortaleza (Unifor) – entre eles, estudantes de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Audiovisual e Novas Mídias, e Arquitetura e Urbanismo – teve a oportunidade inédita de conhecer a terra de Luiz Gonzaga, além de locais já visitados pelo Pau de Arara, como Crato e Juazeiro do Norte.

O criador e coordenador do Projeto, prof. Jari Vieira, conta que quis retomar o Pau de Arara no nível que ele tinha deixado anteriormente, atravessando as fronteiras do Estado novamente. “É como se fosse uma cidadezinha do interior do Ceará de tão perto que é. A escolha de Exú foi mais pelo fato de ser a terra do Luiz Gonzaga. Eu diria que depois do Padre Cícero, quando você fala em sertão e cultura popular, você se lembra do Luiz Gonzaga”, complementa.

A terra de Luiz Gonzaga

Interação entre crianças e alunos da Unifor. Foto: Nayara Monteiro

A primeira parada foi no Parque Asa Branca, considerado um patrimônio cultural do Nordeste brasileiro. O local exalta a vida do Rei do Baião. Envolve um passeio pela casa onde morou o músico nos últimos dias de vida, além de uma réplica de taipa da primeira casa onde viveu. O Museu do Gonzagão é o principal atrativo turístico do Parque e da cidade de Exú. A iniciativa de criar o museu foi do próprio Luiz Gonzaga e possui peças originais de instrumentos, roupas, tablaturas, fotos e premiações. “Foram mais de 40 troféu, oito discos de ouro e quatro discos de platina. Ganhou desde o Troféu Imprensa ao Troféu [Abacaxi] do Chacrinha. Da RCA, aquele do cachorrinho, o Troféu Nipper de Ouro, só quem tem é Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves e Elvis Presley”, relata o mediador do Museu, Rafael de Oliveira.

“Eu me lembro de alunos lá dentro da casa do Luiz Gonzaga se lembrando de coisas da sua infância. Eu, por exemplo, me lembrei, quando vi um móvel de telefone, de um que tinha na casa da minha mãe quando eu morava em Juazeiro. Outros alunos falavam ‘esse azulejo eu via quando ia na casa da minha vó’. Isso é o Projeto Pau de Arara, é mexer com a memória afetiva das pessoas, não é só fotografar” (Jari Vieira)

E para quem desejou levar um pouco da cultura local consigo, foi possível adquirir de tudo um pouco na lojinha do Parque, como chapéus, sandálias, chaveiros, esculturas em barro, entre outros. A estagiária da célula de fotografia do Núcleo Integrado de Comunicação (NIC), Celina Diógenes, 19, comenta que na loja ela conseguiu sentir, nas mãos, tudo que apenas viu no Museu. “Pude viver mais um pouco dessa experiência [cultura sertaneja] e comprar um chapéu de couro para levar de lembrança para o meu avô, que sempre foi fã do Luiz Gonzaga. Toda essa vivência deu uma sensação de pertencimento naquele local”.

Fundação Casa Grande

O segundo dia teve como principal destino a Fundação Casa Grande, na cidade de Nova Olinda, na região do Cariri. A fundação é uma organização não-governamental, cultural e filantrópica. O projeto tem o objetivo de educar crianças, da educação infantil até a profissionalização, através de programas de cultura, artes e turismo. Na fundação é possível conhecer o Museu do Homem Kariri e os demais espaços da Casa Grande como a rádio comunitária Casa Grande FM, a biblioteca, a  videoteca e a gibiteca. O que mais chama atenção dos visitantes são as crianças, que apesar da pouca idade, já são responsáveis por boa parte do funcionamento da fundação.

Tales Costa. Foto Edson Baima

A visita foi mediada por Tales, 13, diretor de literatura da fundação. O garoto, que já faz parte da instituição há quase 10 anos, conta que tem muito orgulho de participar dessa comunidade. “A fundação Casa Grande para mim é uma extensão escolar e familiar. Aqui a gente se tem como uma família, nós ensinamos e aprendemos com todos. Para mim é um orgulho estar aqui. Eu não veria Nova Olinda sem a Fundação Casa Grande”, afirma Tales.

Alemberg Quindins, fundador da Casa Grande, participou de uma roda de conversa com os alunos da Unifor, juntamente com a diretora do Memorial Homem Kariri, Yasmin, 12. As perguntas giraram em torno da formação das crianças na fundação. Essa questão chama muita atenção, pois as crianças são incumbidas de muitas responsabilidades. “A gente não esperava que eles fossem se interessar pelo o que estava na casa. Eles entraram e começaram a ser recepcionistas”, conta Alemberg.

A aluna de Arquitetura e Urbanismo, Letícia Guerra, participou pela primeira vez do Pau de Arara. Ela conta que ficou muito impressionada com as crianças da Fundação e com os trabalhos que elas realizam. “Eu nunca tinha visto um local como aquele, que foca e valoriza as crianças. Na instituição eles tratam as crianças como adulto. O que é muito interessante, ter essa responsabilidade desde pequeno”, afirma Letícia.

Os destinos finais do segundo dia foram mais rápidos. A loja do Espedito Seleiro, famoso por suas peças de couro e por ser filho de Raimundo Seleiro, homem que calçou o Lampião, proporcionou que os estudantes vestissem a cultura local com suas compras. E, por fim, uma visita ao Museu de Paleontologia, em Santana do Cariri.

O professor Jari em frente à Fundação Casa Grande. Foto: Jari Vieira

A Herança do Padre Cícero

O último dia foi dedicado, exclusivamente, a Juazeiro do Norte. Foram quatro destinos: a famosa estátua do Padre Cícero, a Igreja do Bom Jesus do Horto (ainda em construção), a Igreja dos Franciscanos e a Igreja do Socorro, onde se encontra a lápide do Padre Cícero. Foi um dia silencioso, voltado para a religiosidade e para registros fotográficos que conseguem passar emoções devido a forte crença do povo local.

Para o professor Jari Vieira, os alunos fizeram dessa edição um sucesso. “Foi uma mistura que deu muito certo. Nesta edição do Pau de Arara a gente conseguiu reunir um dos melhores grupos. Um grupo que tava sempre unido, pensando coisa junta. Eu não consegui ver grupinhos, eu consegui ver um grupão. Essa é a ideia”.

Uma grande aventura

Foto: Thaís Mesquita

Durante a viagem, o roteiro teve mudanças inesperadas. Devido a alguns problemas com o ônibus, o grupo teve que parar algumas vezes e esperar o concerto. Durante essas paradas, o Pau de Arara vivenciou ainda mais a cultura do interior nordestino, parando ao lado de casas simples na beira das estradas. As pessoas que sentavam nas calçadas eram mais um motivo para as fotos. “O grupo soube lidar com isso muito bem. No geral, o pessoal descia, ia tirar foto na hora do prego, tentava ajudar, saber o que tinha acontecido”, relata Jari.

“Esse Pau de Arara acabou sendo a edição com mais vivências. Os pregos que o ônibus deu incrementou mais a nossa vivência de parar na estrada, de bater na porta de um desconhecido e esse desconhecido, que às vezes não tem o que comer, oferecer  água pra gente colocar no radiador [do ônibus]”, comenta o estudante de Jornalismo, Levi Nogueira.

Por fim, mais uma parada fora do roteiro. O Pau de Arara visitou a Empresa Tuboarte, em Jaguaribe. A distribuidora de móveis recebeu os alunos da Unifor, mostrando a empresa e seus produtos. A companhia também apresentou a sede da Fundação Tuboarte, projeto voluntário que ajuda crianças menos favorecidas da cidade, ocupando o tempo livre dessas crianças com aulas de dança e música.

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