Redes sociais ajudam a combater violência contra animais

Por Clara Menezes

A violência contra os animais ainda é comum no Brasil. Todos os dias, seja na Internet, por meio das redes sociais, seja na cidade, as pessoas são capazes de ver animais abandonados na rua lutando para sobreviver. No entanto, essa situação é capaz de causar consequências psicológicas adversas nesses seres vivos. “Um animal violentado normalmente desenvolve um comportamento anormal que envolve o sentimento do medo, podendo tornar-se tímido ou agressivo”, diz a veterinária Cristina Vidal Fontenelle, 36.

“Um animal violentado normalmente desenvolve um comportamento anormal que envolve o sentimento do medo, podendo tornar-se tímido ou agressivo” (Cristina Fontenelle)

Apesar dos maus-tratos contra os animais serem considerados crime previstos pela Lei de Crimes Ambientais, a Organização Mundial da Saúde estimou, em 2014, que cerca de 30 milhões desses seres vivos estão em situação de abandono. Isso ocorre, principalmente, porque, na maioria das vezes, os casos de violência permanecem no anonimato. Os maus-tratos ocorrem em um local privado, sem testemunhas, e a vítima é incapaz de relatar. Então, se as pessoas ao redor não perceberem, não há denúncias.

A importância da Internet

As redes sociais vêm impulsionando os relatos de violência contra os animais. Muitos grupos, principalmente do Facebook, são conhecidos por ter denúncias, procura por animais perdidos etc. Alguns dos mais conhecidos são o “Alguém Conhece Alguém Que”, que, apesar de não ser destinado unicamente aos bichos, possuem uma grande parte de seus participantes voltados para a questão, e o “Causa Animal do Ceará”, organizado pelo vereador Célio Studart.

​Jacqueline Viana é ativista na ONG Arca de Noé. Foto: Arquivo Pessoal.

“A Internet veio para nos ajudar a propagar e a conscientizar sobre a importância de ter um olhar de amor e carinho com os bichos”, conta a ativista na ONG Arca de Noé, Jacqueline Viana, 40. Essa associação protetora de animais possui um total de 70 bichos e já conseguiu muita ajuda pelas redes sociais. “A gente arrecada muitas doações de alimentos e medicações, resgata animais e encontra voluntários por causa da Internet”, diz a ativista.

No entanto, mesmo com a divulgação sobre a importância de não violentar os animais, algumas pessoas ainda estão alheias a essa situação. “Muitos dizem que não se importam com animais porque existem crianças sofrendo, mas uma coisa não exclui a outra”, conta a veterinária Cristina. Para ela, diminuir a violência requer conscientização. “A justiça tem que ser para todos os seres, pois estamos interligados. A natureza é  uma só. Acho que a violência só diminui verdadeiramente com a internalização dessa consciência”, afirma Cristina.

O encarceramento

Existem alguns tipos de violência que passam despercebidos pela sociedade, em geral. Uma delas é o encarceramento de animais como forma de entretenimento. Ainda existem muitos zoológicos e outras maneiras de “prisão”, como o SeaWorld, um dos maiores parques aquáticos de mamíferos marinhos dos Estados Unidos. No entanto, “animais em zoológicos não podem ser considerados bem tratados porque estão em prisão perpétua. Muitas vezes, estão estressados, depressivos, acima do peso normal, infestados por parasitas e, consequentemente, doentes”, afirma a veterinária.

“Nós precisamos evoluir quanto a achar que zoológico é uma coisa normal, porque os animais não estão em seu habitat natural”, diz a ativista Jacqueline. Apesar de ainda existir o encarceramento de animais como forma de entretenimento, muitos lugares já estão pondo fim nesta violência. A Costa Rica, por exemplo, anunciou em junho de 2016, será o primeiro país do mundo a fechar todos os zoológicos e devolver à natureza os animais em cativeiro. O governo ainda deu dez anos para esses entretenimentos continuarem. Após esse prazo, os zoológicos serão fechados imediatamente.

As denúncias

A violência contra os animais é crime federal previsto pela Lei de Crimes Ambientais do país. É possível denunciar esse crime ao IBAMA (0800 11 35 60), à Polícia Militar (190), ao Corpo de Bombeiros(193) e ao Ministério da Justiça (www.mj.gov.br). Esses são os maus-tratos contra os animais considerados pela lei federal:

Situações que são consideradas maus-tratos. Infográfico: Clara Menezes.

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