5+ clássicos da literatura brasileira

Por Luiza Ester

Obras e autores denominados clássicos são considerados modelos de um gênero. De acordo com o blog Lendo.org, do professor André Gazola, a literatura clássica serve para ensinar aos leitores algo a respeito do seu próprio mundo. Para um livro ser assim chamado, ele precisa ser atemporal, universal e bem escrito.

A literatura brasileira tem muitos escritores e obras consagrados, utilizados até hoje como referência para quem adentra o mundo das Letras e até da vida escolar. O Jornalismo NIC reuniu alguns desses clássicos:

Iracema
​Capa do primeiro exemplar de “Iracema”. Foto: Divulgação/ Dutra Leilões

Publicado em 1865, o romance de José de Alencar se desenrola no período da colonização do Brasil. Usufruindo diversas vezes do Tupi, o autor conta a saga da índia Iracema em torno da relação amorosa entre ela e o português Martim. “Iracema” transcorre diversos pontos do Ceará, apresentando as origens da terra natal do autor (inclusive sua cidade, Messejana), a paixão da índia pelo homem branco e o nascimento da figura do primeiro brasileiro, Moacir, fruto da relação dos dois. A índia percorria o local, que hoje representa a dimensão da cidade de Fortaleza, de norte a sul, esperando seu amado.

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Trecho do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. Foto:Reprodução

O livro de Machado de Assis se desdobra na segunda metade do século XIX, quando Dom Pedro II ainda está no comando do país. Foi publicado em 1881 e ainda é considerado uma das obras revolucionárias da literatura brasileira, por se tratar de um enredo em que o narrador conta sua história depois de morto. A peculiaridade está na maneira em que Brás Cubas, o narrador-personagem, critica a sociedade. Isso também se dá sob as perspectivas dele vivo e morto, em que o primeiro é rodeado por futilidades, e o segundo reconhece e expõe suas características mais profundas.

O Cortiço
Desenho do que seria o cortiço. Ilustração: Mathias Townsend

Publicado em 1890, a trama se passa em Botafogo, Rio de Janeiro, também por volta do século XIX. A história, de Aluísio Azevedo, é bastante atual e, talvez, uma visão do sistema capitalista, uma vez que fala de avareza, posse, ambição e desigualdade. Há no enredo dois cenários: o cortiço de João Romão, casas amontoadas onde vivem pobres; e um sobrado de Miranda, que representa a burguesia daquele período. João é um português explorador, e Miranda é bem sucedido. O desenrolar se dá pela disputa de terreno entre os dois e a inveja que João sente do burguês. Além disso, a obra também pode ser vista como um conjunto, uma vez que outros personagens compõem a história e têm importância, cada um com sua singularidade.

Memórias de um sargento de milícias
Um dos capítulos de Memórias de um sargento de milícias, quando publicado no Jornal Correio Mercantil. Foto: Reprodução​/ Blog Rio 450

A obra de Manuel Antônio de Almeida, publicada de junho de 1852 a julho de 1853, era originalmente um folhetim de jornal, impresso semanalmente. Por isso, sua narrativa incorpora diversas variações de linguagem e a leitura é de fácil compreensão. O enredo se passa no período em que D. João VI estava no Brasil. O “sargento de milícias” é Leonardo, um menino abandonado pelos pais e criado pelos padrinhos, mas extremamente travesso. A história narra sua trajetória até ser um sargento, passando pelo romance com Luisinha. O livro conta suas aventuras de maneira cômica e torna o leitor ciente do que acontece, até mesmo quando ele não está participando da ação.

Dom Casmurro
Capa de Dom Casmurro. Foto: Reprodução/ Wikipédia

Publicado em 1899, também de Machado de Assis, é uma das obras mais intrigantes e conhecidas pelos brasileiros. A história se passa na segunda metade do século XIX, levantando temas cotidianos e polêmicos, como a paixão entre Bentinho e Capitu, e a suposta traição de Capitu com o melhor amigo do marido. O relato de Bento, apesar de começar desde criança, começa a ter significância na adolescência, quando inicia o relacionamento com sua amada. A intensa devoção do narrador-personagem vai até a desconfiança se o filhos dos dois, Ezequiel, é mesmo fruto da relação. Isso é pressuposto, uma vez que o leitor tem acesso somente à visão de Bentinho, sem respostas ou comprovação se, de fato, aconteceu tal infidelidade.

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