Artes auxiliam no processo de aprendizagem

Por Luiza Ester

As dificuldades que alguns estudantes têm no aprendizado pode ser consequência de uma metodologia rigorosa e padronizada. As artes, por ter uma vasta dimensão linguística, ajudam no desenvolvimento do raciocínio, da imaginação, percepção e coordenação motora dos seres humanos.

Segundo Ana Valeska Maia, 45, professora de História e Filosofia da Arte, o contato com a arte “abre portas para sensibilidade”. Ana acredita que o processo educativo tradicional, construído com disciplinas em áreas separadas e que não se comunicam, percebe o humano “pelos pedaços”. “O trabalho com a arte dá uma amálgama a tudo isso que foi fragmentado e possibilita uma percepção mais coerente do que é esse ser humano nas suas potencialidades criativas e imaginativas. O mundo da arte é inseparável do mundo humano, não tem sentido tirar o universo da arte do contexto educacional”, afirma.

“O trabalho com a arte da uma amálgama a tudo isso que foi fragmentado, e possibilita uma percepção mais coerente do que é esse ser humano nas suas potencialidades criativas e imaginativas. O mundo da arte é inseparável do mundo humano, não tem sentido tirar o universo da arte do contexto educacional” (Ana Valeska Maia)

A criança tem potencial para a criação. Foto: Acrilex

Cada pessoa é uma “criadora em potencial”. Mesmo antes de aprender a ler e a escrever, ela reage positivamente aos estímulos artísticos. Segundo o blog Projetos Pedagógicos Dinâmicos, “as atividades de artes fornecerão ricas oportunidades para o desenvolvimento das crianças, uma vez que põem ao seu alcance os mais diversos tipos de materiais para manipulação”.

De acordo com o artigo “Arte, infância e formação de professores”, publicado em 2014 pela Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduc-MT), por Josué de Campos, Érika Ferraz Teixeira e Marlene Márcia Goelzer, “a criança, por meio do fazer, reordena elementos extraídos da realidade, organiza-os, cria situações imaginárias, elaborando seu conhecimento sobre o mundo físico e social”. A arte vai além das perspectivas físicas, em que o tato é estimulado. Quem cresce envolvido com ela, está inserido em um âmbito que proporciona liberdade de expressão e melhora a percepção do mundo.

Sala de aula
Arte possibilita novas possibilidades de metodologia. Foto: Colégio Marista

Para despertar o desenvolvimento artístico dos estudantes e da sociedade é preciso empenho político, pois o investimento em arte e cultura no Brasil é, muitas vezes, deixado de lado. Para Ana Valeska, perceber a arte como fator na construção de vida é uma questão de política pública. “Sem ela [arte] como esse ser humano vai ter uma possibilidade de perceber o mundo em uma perspectiva mais ampliada?”, questiona.

Investimentos baixos na área da cultura é simultâneo à desvalorização da disciplina de Artes. Em 2016, o Governo Federal tentou implementar a Reforma do Ensino Médio, em que o ensino da Arte deixaria de ser obrigatório. Ana Valeska acredita que a impressão disseminada pelo sistema é que sempre faltará uma formação com consistência, riqueza de mundo e possibilidade de criação.

“Ensino de arte e ensino com arte, os dois, porque o mundo é interpretado e ressignificado por intermédio das linguagens artísticas”, opina Ana Valeska. De acordo com a professora, o mundo da arte precisa ser acessível, também, como campo de apropriação, para que as pessoas possam enriquecer o seu mundo interno em relação ao externo. Por isso, em suas aulas costuma intercalar linguagens audiovisual e poética. Com o ensino da arte, as pessoas podem descobrir possibilidades diferentes das quais estão habituadas.

“Ensino de arte e ensino com arte, os dois, porque o mundo é interpretado e ressignificado por intermédio das linguagens artísticas” (Ana Valeska Maia)

Psicologia da arte

“Antes de ser preparado para explicar a importância da arte na educação, o professor deverá estar preparado para entender e explicar a função da arte para o indivíduo e a sociedade. O papel da arte na educação é grandemente afetado pelo modo como o professor e o aluno vêem o papel da arte fora da escola”, é o que afirma Ana Mae Tavares, em seu artigo publicado pela Fundação Iochpe em 1991, A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos.

Por ser, de alguma forma, uma manifestação do homem, a arte pode ser analisada de uma forma subjetiva e psicológica. A ciência que estuda esses fenômenos de criação e apreciação artística, desde essa perspectiva, é conhecida como psicologia da arte. Ela também analisa os processos mentais e culturais que envolvem a criação, seja em sua própria construção ou em sua recepção por parte do público.

Segundo Ana Valeska, a psicologia da arte pode ter uma relação com a própria obra e uma perspectiva de afeto, quando em contato com alguém. Essa ciência estuda além do que é visível no artefato, mas também o encontro da pessoa com a expressão artística e como isso a afeta. “Então, é um jogo de implicação mesmo. É um campo mútuo de afetação. A pessoa que usufrui do universo artístico também significa e transforma o seu mundo”, afirma.

“Então, é um jogo de implicação mesmo. É um campo mútuo de afetação. A pessoa que usufrui do universo artístico também significa e transforma o seu mundo” (Ana Valeska Maia)

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