Excesso de tecnologias na infância afeta saúde

Por Clara Menezes

O século XXI vem sendo pautado, principalmente, pelo avanço tecnológico. As pessoas têm cada vez mais computadores, smartphones, videogames, etc. De acordo com um estudo feito pela Google em fevereiro de 2017, 62% dos brasileiros utilizam smartphones. Essa realidade não exclui, também, a faixa etária infantil que já nasceu cercada por tecnologias. No entanto, o uso em excesso de eletrônicos pode trazer consequências maléficas para a infância.

A Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou, em dezembro de 2016, um manual de orientação sobre a “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”. O texto traz diversas consequências acerca do uso excessivo de tecnologias para a juventude, como depressão, ansiedade e estresse. “O superexposição aos recursos tecnológicos na infância pode causar doenças psicopatológicas como embotamento afetivo, ou seja, a dificuldade de se relacionar, déficit de atenção, dificuldades de aprendizagem, despersonalização, impulsividade, ansiedade e depressão”, diz a psicóloga clínica, Cristiane Amorim, 49.

“O superexposição aos recursos tecnológicos na infância pode causar doenças psicopatológicas como embotamento afetivo, ou seja, a dificuldade de se relacionar, déficit de atenção, dificuldades de aprendizagem, despersonalização, impulsividade, ansiedade e depressão” (Cristiane Amorim)

Para a psicóloga, é preciso limitar o uso das tecnologias pelas crianças, porque elas ainda não estão preparadas para muita exposição online. No entanto, “é importante lembrar que a tecnologia pode ser de grande importância para o desenvolvimento do pensamento e da linguagem, estimulando a mente e potencializando o desenvolvimento intelectual e psicossocial”, afirma Cristiane.

A importância do brincar

A variedade de opções tecnológicas e o aumento contínuo da violência no Brasil são os principais motivos que podem fazer as crianças ficarem dentro de casa, em seu mundo virtual. Para a psicóloga Cristiane Amorim, o uso excessivo de computadores, smartphones, videogames, etc. pode diminuir os vínculos afetivos que a criança faz e, consequentemente, dificultar as relações familiares e sociais.

No entanto, durante as brincadeiras consideradas “antigas” e ao ar livre, como pega-pega, amarelinha e joão ajuda, a criança é estimulada de diversas maneiras. De acordo com um estudo feito em 2016 pelo International Journal Of Environmental Research and Public Health, um jornal científico, as crianças que brincam ao ar livre possuem uma melhor saúde física e mental.

“As brincadeiras com contato físico, em que as crianças exploram, experimentam e criam seu próprio universo, favorecem o aspecto interpessoal, a afetividade, a criatividade e a disciplina. Muito diferente do mundo virtual, que a criação já está pronta”, afirma Cristiane. No entanto, apesar da importância das brincadeiras de contato e ao ar livre, de acordo com um estudo mundial feito pela Omo, chamado “Valor do Brincar”, 84% das crianças brincam apenas 2 horas ou menos por dia ao ar livre.

​Leiliane Altino influencia seu filho, Murillo Kaillan, de 1 ano, a brincar sem tecnologias. Foto: Arquivo Pessoal.

O estudo indica, também, que nove entre dez pais dos 12 mil entrevistados relatam que seus filhos preferem esportes no mundo virtual que no mundo real. Para diminuir essa situação que pode acarretar muitas consequências, como a dificuldade de socialização, a depressão e a obesidade, diversos pais tentam estimular ao máximo seus filhos a brincarem “fora” das tecnologias. Esse é o caso da atendente de call center, Leiliane Altino, 22, que fala “eu prefiro influenciar meu filho a brincar sem tecnologias porque acho bem mais saudável e o desenvolvimento é totalmente diferente”.

As alternativas

Alguns projetos que visam ao estímulo do brincar na infância vem crescendo ao redor do mundo. Em Fortaleza, a “Prupê Pra Brincar” foi criada com o objetivo de ser um espaço para a primeira infância (seis meses a seis anos) poder brincar livremente e entrar em contato com outras crianças, melhorando o desenvolvimento físico e mental delas.

A Prupê oferece um espaço para as crianças brincarem e se desenvolverem. Foto: Pedro Ximenes.

Com balanços de cipó, brinquedos de madeira, espaços para contar histórias, instrumentos de panela, marcenaria e culinária, a “Prupê” é um lugar que traz de volta as brincadeiras bastante comuns antes das tecnologias. A psicóloga e sócia, Naiana Pontes Alencar, 28, conta que o projeto foi feito após muito estudo, principalmente, porque no seu escritório e no de sua sócia  Natalia Burlamaqui, 27, apareciam diversas crianças com problemas de adultos, como estresse e ansiedade. Então, para tentar amenizar essa situação que vem sendo cada vez mais comum, elas criaram um espaço para desenvolver e estimular a criança.

“Quando a gente observa as crianças de hoje em dia, elas quase não brincam mais. Isso é tão sério que algumas famílias passam a trazer o brincar apenas como um passatempo e não como algo importante”, explica Naiana Alencar. Para a psicóloga, o projeto foi criado por uma causa maior, com o objetivo de frear ao máximo o individualismo nas crianças e futuras adultas.

Recomendações

Para amenizar as consequências do uso em excesso de tecnologias pelas crianças, o manual de orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda aos pais:

A Sociedade Brasileira de Pediatria proporcionou algumas dicas aos pais, educadores e pediatras.

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