Projeto reutiliza arranjos florais de festas com fins sociais

Por Letícia Feitosa

Arranjos de flores sempre estão presentes na decoração de festas de casamento e outros vários eventos sociais. O problema é que, terminada a cerimônia, vários buquês são descartados ainda em bom estado. Mas o que muita gente não sabe é que é possível prolongar a vida dessas flores e reaproveitá-las. Existem projetos voluntários que estão reaproveitando arranjos utilizados em casamentos para produzir ramalhetes e distribuí-los em casas de repouso. Esse tipo de ação social já existe em Fortaleza e tem conquistado vários sorrisos em lares de idosos espalhados pela cidade.

Flores entregues pelo “Sorria,
Frô” na Casa de Nazaré, em Fortaleza. Foto: divulgação/Sorria, Frô

A ONG “Flor Gentil”, de São Paulo, foi uma das pioneiras no reaproveitamento das flores usadas em eventos. Em 2009, a florista Helena Lunardelli questionou o destino dos ramalhetes e decidiu recolhê-los em buffets e dar uma nova cara às flores para, então, distribuí-las em casas de apoio. “Levamos vida para as instituições reutilizando as flores até o final de seu ciclo”, diz a florista em entrevista à revista iCasei. Inspirado no “Flor Gentil”, o projeto “Amor Perfeito” nasceu em Belo Horizonte e no primeiro mês de atividade, já recebia 20 pedidos por dia. Em Fortaleza, o Coordenador e Assessor de Marketing, Rodrigo Goyanna, 32, também teve a ideia de espalhar flores pelos lares de idosos e o “Sorria, frô” é o resultado dessa vontade. O projeto é voluntário e ainda é novo na cidade, então há obstáculos na sua realização.

O assessor de marketing conta que a maior dificuldade nesse tipo de ação é encontrar cerimônias dispostas a doar arranjos. “A gente queria ter casamento todo mês, para fazer uma ação todo mês, mas não é tão fácil assim”, conta. A primeira ação do “Sorria, frô” foi na Casa de Nazaré, e a segunda foi no Hospital de Messejana. Nos dias das mães, a ideia era visitar o Hospital da Mulher, mas não conseguiram nenhum casamento disposto a disponibilizar os buquês utilizados no mês de maio. Agora, o objetivo do projeto é realizar um arraiá, aproveitando as festas juninas, no Lar Torres de Melo, mas só será possível se a equipe conseguir flores suficientes no mês de junho.  

Como funciona?

Equipe do “Sorria, frô” em sua primeira ação. Foto: divulgação/Sorria, frô

Dificuldades à parte, o “Sorria, frô” segue no propósito de entregar “alegria em forma de flor”, como explica o Goyanna. No dia da ação, os voluntários recolhem os arranjos no final do casamento e os levam para um local a fim de remontá-los. “Dependendo da quantidade de flores, a gente dá várias viagens para pegar no buffet e levar para um canto só”, explica Goyanna. Então, com as flores em mãos, o grupo parte para o local da ação. “A gente tenta proporcionar uma experiência fantástica e linda para os velhinhos que vão nos receber. Já levamos lanches e bandinha de música também. Não são só as flores. Tentamos agregar adereços que possam potencializar essa experiência e tornar o dia deles mais especial”, conta.

Beatriz Rodrigues, 20, conheceu o “Sorria, frô” porque sua mãe já participava do projeto. A jovem participou da ação da Casa de Nazaré e conta o que a atraiu a ser voluntária. “Os idosos são pessoas muito carentes, ainda mais lá onde a maioria está abandonada pelos familiares. E foi muito gratificante fazer parte da ação. Quem não gosta de receber flor, né?”. Rodrigo Goyanna acredita que esse tipo de ação social é enriquecedor tanto para os membros da equipe, quanto para os idosos dos lares. “Quando você participa de um projeto social desses, você acaba convivendo com pessoas de coração tão bom e descobre que o mundo também é feito de gente boa. Isso contagia. De forma altruísta, sem querer nada em troca, só proporcionar alegria para os velhinhos”, enfatiza.

“Quando você participa de um projeto social desses, você acaba convivendo com pessoas de coração tão bom e descobre que o mundo também é feito de gente boa. Isso contagia. De forma altruísta, sem querer nada em troca, só proporcionar alegria para os velhinhos” (Rodrigo Goyanna)

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