Unifor comemora Dia Mundial do Meio Ambiente

Por Clara Menezes

A Universidade de Fortaleza (Unifor), para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado todo dia 5 de junho, realizou uma palestra com o tema “A importância do saneamento básico como garantidor da dignidade humana: uma abordagem interdisciplinar”. O evento debateu sobre a necessidade do saneamento básico em Fortaleza e as consequências de sua carência.

A palestra, realizada na manhã de hoje no auditório da Biblioteca, começou com a apresentação de músicas juninas da Orquestra Sanfônica da Escola de Aplicação Yolanda Queiroz e foi intermediada pela professora orientadora do projeto “O Ambiente inteiro sadio”, Sheila Pitombeira. Esse projeto faz parte do Projeto Cidadania Ativa, que tem como objetivo conscientizar os alunos acerca dos direitos nas comunidades com visitas e intervenções, e desenvolver políticas públicas para governos e instituições não governamentais.

Participaram do encontro o gerente da Unidade de Negócios da Metropolitana Leste (Cagece), Gentil Maia Lima; a professora de Engenharia Ambiental e Sanitária da Unifor, Lamarka Lopes Pereira; a professora da Universidade Federal do Ceará, Cely Martins Santos de Alencar; e o médico e mestre em Saúde Pública, Bruno Sousa Benevides.  

A falta de saneamento básico

​Os palestrantes falaram sobre a falta de saneamento básico em Fortaleza. Foto: Clara Menezes.

Para Gentil Maia Lima, que trabalha na Cagece, a falta de regularização de diversas comunidades implica no consumo e desperdício excessivo de água. Isso ocorre, principalmente, por causa da ausência de um controle da água. Segundo afirma, “as pessoas, por não terem um órgão que, muitas vezes, avisa quando há vazamentos e regula a quantidade de água, não tem noção da quantidade da perda que está causando”. Essa situação pode, na maioria das vezes, contaminar os mananciais, pois não há o controle de para onde vai a água desperdiçada, e precarizar a saúde da população.

Para a professora Cely Martins Santos Lima, “os quatro pilares para haver o saneamento básico são o planejamento das cidades, a educação, a cultura do mínimo consumo e o direito à informação”. No entanto, para que a população tenha acesso a esse direito, é necessário que todos que vivem na precarização do saneamento básico sejam ouvidas.

“Os quatro pilares para haver o saneamento básico são o planejamento das cidades, a educação, a cultura do mínimo consumo e o direito à informação” (Cely Martins)

Com base em estudos, Cely Martins afirma que 61%  do esgoto doméstico no Brasil não é tratado. Por causa desse quadro precário, a professora da Unifor, Lamarka Lopes Pereira, conta que o Município de Fortaleza está discutindo sobre um plano de educação ambiental para diminuir, principalmente, os resíduos sólidos da cidade.

Epidemia

O médico e mestre em Saúde Pública, Bruno Sousa Benevides, conta que a carência de saneamento básico, principalmente, em regiões de situação precária, é uma questão de saúde pública. Para ele, a chikungunya já é uma epidemia.

A doença causada pela picada do mosquito Aedes Aegypti tem sintomas bastante característicos, como a febre, a dor nas articulações, dor de cabeça e manchas vermelhas na pele. Para Bruno Sousa, a chikungunya é pior porque as dores só podem ser amenizadas por analgésicos e elas podem durar anos, mesmo que não seja uma dor constante.

Para controlar a manifestação da doença, é necessário que o saneamento básico esteja presente. “O ponto estratégico do Aedes Aegypti é o lixo”, conta o médico. A chikungunya, no entanto, apesar de aparentemente inofensiva, vem causando a morte de diversas pessoas. Conforme uma publicação do Jornal O Povo, a Secretaria de Saúde (Sesa) confirmou que o Ceará teve, até 19 de maio deste ano, 8 mortes  por causa da doença.

“O ponto estratégico do Aedes Aegypti é o lixo” (Bruno Sousa Benevides)

A programação da semana

​A “Exposição ECOS: Mobiliário e Arte” feita por Socorro Silveira exposta no Centro de Convivência da Unifor. Foto: Clara Menezes.

Por causa do Dia Mundial do Meio Ambiente, a Unifor programou diversos eventos. Além da “Exposição ECOS: Mobiliário e Arte”, de Socorro Silveira, que pode ser vista no Centro de Convivência da Universidade até o dia 7 de junho, o curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Unifor está promovendo uma campanha para recolher resíduos eletroeletrônicos.

Essa campanha, que estará recolhendo os resíduos por meio de caixas no Centro de Convivência e no bloco D até o dia 30 de junho, tem o objetivo de recolher os eletroeletrônicos inutilizados para a Sociedade Comunitária de Reciclagem e Lixo do Pirambu (SOCRELP). O projeto irá, dessa maneira, ajudar os catadores de lixo a terem mais praticidade.

Outro evento que vai até o dia 7 de junho é a venda de camisas de uma loja que utiliza duas garrafas PET para fazer uma blusa. “Além de blusas sustentáveis, o papel da etiqueta é um papel semente, ou seja, você pode plantar para nascer plantas”, conta o dono da loja, Rafael Studart, 32.

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