Dança proporciona benefícios para a saúde mental

Por Clara Menezes

A dança, além de um exercício físico extremamente importante para a saúde física e mental, é uma forma de expressão que varia de acordo com cada cultura. De rituais para espantar doenças, como o “Matipu”, muito comum em regiões indígenas do Mato Grosso, a maneiras de expressão de uma cultura marginalizada em Nova Iorque, como o hip hop, a dança pode abranger diversas categorias.

“Quando dançamos, por exemplo, em uma festa, nós expressamos o que estamos sentindo, como a felicidade. Pessoas que dançam em passo menores expressam que estão tímidas. A dança realmente tem esse sentido de demonstrar sentimentos”, conta Ive Castro, 21, professora de uma academia de dança. Essa arte pode manifestar pensamentos, principalmente, porque é ligada à música.

“Quando dançamos, por exemplo, em uma festa, nós expressamos o que estamos sentindo, como a felicidade. Pessoas que dançam em passo menores expressam que estão tímidas. A dança realmente tem esse sentido de demonstrar sentimentos” (Ive Castro)

Marcello Bezerra, 31, começou a dançar aos 23 anos e hoje é professor de dança. Foto: Arquivo Pessoal.

Essa atividade física ajuda, também, as pessoas a verem a vida de uma maneira diferente. O professor de dança, Marcello Bezerra, 31, afirma que essa arte, além de inspirá-lo a procurar novas maneiras de praticar exercícios, é capaz de inspirá-lo em outros aspectos da vida. Para a psicóloga e dançarina Lara Araruna, 26, a dança pode ser uma válvula de escape, afastando sentimentos de solidão e isolamento característicos da depressão.

Benefícios

Além de uma forma de expressão, essa atividade física pode trazer benefícios físicos, mentais e cognitivos. Emagrecer, melhorar a percepção de tempo e espaço, reduzir o colesterol, definir os músculos e aumentar a concentração são alguns dos benefícios que a dança pode proporcionar a uma pessoa.

Um estudo feito em 2015 pela “International Journal of Neuroscience”, uma revista científica dos Estados Unidos, comprovou que a dança pode melhorar a depressão e reduzir o nível de estresse, principalmente, porque libera endorfina (presente em todos os exercícios físicos). Essa enzima pode reduzir a ansiedade, melhorar o humor, aumentar a autoestima, ajudar a relaxar e regular as emoções.

“As pessoas, quando estão dançando, conseguem expressar emoções, muitas vezes reprimidas, com o corpo”, diz a psicóloga Lara Araruna.  Além disso, ela conta que essa arte pode ajudar na respiração, no aumento da auto-estima e pode se tornar uma válvula de escape para os problemas que as pessoas estão sentindo.

Juliana Mota, de 19 anos, alivia seu estresse, principalmente, por meio da dança. Foto: Arquivo Pessoal.​

O controle do estresse foi uma das ajudas que a dança proporcionou à estudante de Nutrição, Juliana Mota, 19. “Eu consigo superar muito do meu estresse, enquanto estou dançando. Eu praticava esse exercício enquanto estava no pré-vestibular e, sem ele, eu não teria aguentado a pressão”, conta a estudante.

 

A dança pode, também, evitar problemas cardíacos. Um estudo feito pela Universidade do Oeste de Sidney, na Austrália, analisou cerca de 11 pesquisas e comprovou que, entre os 48 mil entrevistados, as pessoas que dançavam tinham menos tendências a morrer de doenças cardiovasculares.

Preconceito

No entanto, apesar dos inúmeros benefícios físicos e psicológicos que a dança pode trazer para uma pessoa, o preconceito ainda está muito presente, principalmente, em relação aos homens. Aqueles que gostam de dançar, muitas vezes, são taxados de “afeminados”.

Esse preconceito ocorre, na maioria das vezes, porque, desde criança, os homens são colocados em esportes socialmente considerados mais masculinos, como o futebol e as lutas marciais. O professor de dança Marcello Bezerra conta que, apesar do preconceito e das taxações, ele não desistiu do mundo da dança. “O cara que pratica e ensina a dança sofre muito com o preconceito. Mas, para superar, é preciso muita cabeça. As coisas melhoraram em uma certa proporção, mas você tem que se acostumar com isso”, conta o professor.

“O cara que pratica e ensina a dança sofre muito com o preconceito. Mas, para superar, é preciso muita cabeça. As coisas melhoraram em uma certa proporção, mas você tem que se acostumar com isso” (Marcello Bezerra)

Para a professora Ive Castro, o preconceito é algo muito visto, principalmente, nas redes sociais, com insultos verbais. O problema disso é que diversos alunos acabam desistindo de fazer o que amam porque não aguentam as pressões psicológicas. “No entanto, existem muitos meninos que superam essa situação e se empoderam, porque sabem que o que estão fazendo é certo”, diz a professora.

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