Cresce a violência contra os jovens no âmbito familiar brasileiro

Por Matheus Miranda

A violência contra a criança e o adolescente representa, atualmente, um grave problema nos lares familiares no Brasil. Segundo o serviço Disque 100, em 2017, já foram registradas mais de 17.588 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, equivalentes a duas denúncias por hora. Foram 22.851 vítimas, sendo 70% delas meninas. Os dados de violência contra menores de idade inclui também violência física, psicológica, discriminação, negligência e judiação.

Os maus-tratos sofridos na infância e na adolescência são um dos grandes problemas em nossa sociedade, que em sua maioria acontecem nos lares dos jovens. Infelizmente, alguns desses casos são encobertos pela vítima que não consegue ter a coragem de denunciar os agressores, muitas vezes seus familiares, ou têm medo que eles possam fazer algo pior. Esses argumentos dificultam a atuação preventiva e o adequado encaminhamento dos jovens, podendo se perpetuar por meses ou anos.

Segundo a psicóloga infantil Nágila Gonçalves, 33, a violência doméstica entre os jovens é inaceitável. ‘‘A violência doméstica contra crianças e adolescentes é um tema de grande relevância na atualidade. Não somente no Brasil, mas mundialmente, tem-se presenciado o aumento dos casos de violência contra o menor, principalmente decorrente de conflitos familiares onde estão relacionados aspectos da realidade contemporânea, como brigas de casais, desemprego, dificuldades financeiras, alcoolismo e drogas, entre outros’’

‘‘Não somente no Brasil, mas mundialmente, tem-se presenciado o aumento dos casos de violência contra o menor, principalmente decorrente de conflitos familiares onde estão relacionados aspectos da realidade contemporânea, como brigas de casais, desemprego, dificuldades financeiras, alcoolismo e drogas, entre outros’’ (Nágila Gonçalves)

Violência doméstica entre os jovens

A violência doméstica contra crianças e adolescente pode se manifestar de diversas maneiras além da agressão física. Assim, é comum a violência através de ameaças, humilhações e outras formas que afetam psicologicamente as crianças e adolescentes.

Outra forma constante de violência é a omissão. Alguns pais deixam de fornecer os cuidados necessários ao crescimento de seus filhos, que passam a sofrer privações essenciais à sua formação, como falta de carinho, de limpeza e, até mesmo, de alimentação adequada. Vale ressaltar que nem sempre essa omissão é decorrente da situação de pobreza em que a família vive.

De acordo com A Secretaria de Direitos Humanos (SDH), os principais alvos de agressões são crianças e adolescentes entre 4 e 14 anos, que somam mais da metade dos registros e são 57,78% das vítimas. A maioria dos agressores são parentes, mães, pais, avós e tios são 67,94% dos agressores. Dessa forma, os casos de abuso costumam ocorrer dentro de casa, num total de 48,74% dos registros.

Para  a integrante do Fórum Permanente de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Fórum DCA) Heloísa Chagas, 37, essa é uma das razões que dificultam o combate a essas práticas. “É uma questão cultural que está presente em toda a sociedade e decorre de relações desiguais de poder entre crianças e adultos que têm o poder de usar a força para coagi-la, inclusive com castigos corporais. Nosso desafio é promover essa mudança cultural, pois as crianças devem ser preservadas”, ressaltou Chagas.

‘‘É uma questão cultural que está presente em toda a sociedade e decorre de relações desiguais de poder entre crianças e adultos que têm o poder de usar a força para coagi-la, inclusive com castigos corporais. Nosso desafio é promover essa mudança cultural, pois as crianças devem ser preservadas”(Heloísa Chagas)

Lei da Palmada

Em vigor desde junho de 2014, a Lei da Palmada foi alvo de muitos argumentos positivos e negativos, principalmente dos indivíduos que defendem um modo de “educação tradicional”. Muitos alegam que castigos físicos leves ou moderados sempre foram usados como métodos de correção comportamental e nunca provocaram distúrbios nas pessoas.

De acordo com o Advogado Ulisses Freitas, 58, A Lei da Palmada não proíbe a tradicional “palmadinha” nas crianças desobedientes, mas sim, qualquer outro tipo de castigo que provoque sofrimento físico e lesões nos menores. ‘‘A ideia é conscientizar os pais e responsáveis que as crianças devem aprender a fazer o que é correto não por medo de apanhar, mas sim por compreender os princípios básicos dos valores morais, éticos e comportamentais que regem uma sociedade’’, afirmou Ulisses.

‘‘A ideia é conscientizar os pais e responsáveis que as crianças devem aprender a fazer o que é correto não por medo de apanhar, mas sim por compreender os princípios básicos dos valores morais, éticos e comportamentais que regem uma sociedade’’ (Ulisses Freitas)

Quando a criança ou o adolescente passam a apresentar sinais de maus tratos, há que se levantar a hipótese de que esteja sofrendo agressões. Nesse caso, uma averiguação cuidadosa deve ser realizada. É conveniente que esse procedimento seja desenvolvido com a ajuda de outros profissionais, como psicólogos, médicos e advogados.

Um dos serviços de denunciar esse tipo de violência entre crianças e adolescentes é o próprio Disque 100. O departamento tem como competência receber, examinar e encaminhar denúncias e reclamações sobre violações dos direitos humanos. Além de ajudar nos conflitos de jovens que são maltratados pelos familiares, também trabalha em resolver o mais rápido possível a vítima da situação de violência.  

 

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