Epilepsia atinge 1,9 milhão de brasileiros

Por Clara Menezes

A epilepsia é uma disfunção que causa descargas elétricas excessivas no cérebro, acarretando alteração da consciência, contrações e movimentos musculares involuntários. As convulsões podem variar de pequenos lapsos de atenção a episódios longos e severos de falta de consciência. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em fevereiro de 2017, cerca de 50 milhões de pessoas no mundo sofrem de epilepsia, sendo 1,9 milhão brasileiros. Após a divulgação, esse distúrbio cerebral foi considerado uma das doenças neurológicas mais comuns do planeta.

As crises epilépticas podem ser parciais, ou seja, a descarga de energia excessiva ocorre apenas em um dos hemisférios cerebrais ou totais, nas quais a desorganização de sinais elétricos ocorre nos dois hemisférios. A principal diferença entre os dois tipos é a sua potência. Enquanto no primeiro a vítima pode estar consciente e possuir alguns comportamentos fora do normal – como movimentos repetitivos da mão -, no segundo, a pessoa pode ter convulsões longas. Uma característica em comum é a perda de consciência.

Entre as situações que podem acarretar a epilepsia, estão as malformações cerebrais, fatores genéticos, drogas ou tóxicos, doenças degenerativas do cérebro e distúrbios vasculares, metabólicos e nutricionais. Essa última causa foi o que ocorreu com o estudante de Publicidade e Propaganda, Luiz Marcos Aleixo, 20. “O meu caso de epilepsia pode ser adquirido. Eu me alimentava muito mal, dormia muito pouco e eu ainda me meti a besta de fazer atividade física. Foi o combo”, conta o estudante.

“O meu caso de epilepsia pode ser adquirida. Eu me alimentava muito mal, dormia muito pouco e eu ainda me meti a besta de fazer atividade física. Foi o combo” (Luiz Marcos Aleixo)

As privações causadas pela epilepsia

Apesar de poder ser controlada por meio de medicamentos ou, em casos nos quais os remédios falham, de cirurgias, as pessoas que têm epilepsia ainda precisam se privar de algumas ações consideradas comuns. Trancar portas, tomar banho desacompanhado e cozinhar estão entre as principais contraindicações.

Outra privação é a possibilidade de dirigir. Para obter aprovação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a pessoa com epilepsia deve passar por diversos exames médicos. A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é dada ao condutor que prova, por meio de avaliação médica, que não sofre novas crises há um ano, que suas crises ocorrem apenas durante o sono, ou que sua epilepsia é proveniente de algum evento controlável específico.

Luiz Marcos Aleixo, que teve a sua primeira crise epiléptica durante uma aula de boxe chinês, conta que, quando acordou no hospital, não sabia o que estava acontecendo. Após essa ocorrência, sua epilepsia foi controlada imediatamente por medicamentos mas, mesmo controlada, ele tinha algumas restrições durante seu tempo em observação. “Eu tomava banho com a porta destrancada e não ficava muito tempo sozinho em casa”, diz o estudante.

“Eu tomava banho com a porta destrancada e não ficava muito tempo sozinho em casa” (Luiz Marcos Aleixo)

Thais Ribeiro, 19, já teve diversas restrições por causa de sua epilepsia noturna. Foto: Arquivo Pessoal

Já para a estudante Thais Ribeiro, 19, suas crises epilépticas ocorriam durante o sono. “Eu passei a dormir com uma pessoa no meu quarto, não podia trancar nenhuma porta, não podia ficar sozinha de jeito nenhum. Durante cinco anos, eu não dormia em casa de amiga e não ficava em festas até tarde”, lembra a estudante sobre suas privações ocasionadas pela epilepsia.

 

Segundo a neurologista pediátrica, Dra. Cristine Aguiar, são inúmeras as restrições. Os pacientes devem fazer uso correto do medicamento prescrito pelo médico que o acompanha, retornar ao seu neurologista e realizar exames de controle regularmente. Além disso, a médica conta que os pacientes não devem consumir bebidas alcóolicas e drogas ilícitas, e devem estar sempre acompanhados em situações de risco, como banhos de mar e piscina.

Como proceder em crises

Para a Dra. Cristine Aguiar, é imprescindível que não somente os familiares, mas também qualquer pessoa comum saiba o que fazer durante uma crise epiléptica. “É preciso manter a calma, colocar o paciente de lado e não tentar dar água ou alimentos até que o paciente recobre a consciência”.

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