5+ músicas censuradas durante a Ditadura Militar

Por Luiza Ester

Tortura, resistência e censura. O período ditatorial no Brasil, que durou entre 1964 e 1985, deixou marcas históricas. Entre muitas ações, essa intervenção tentou vetar e dificultar a circulação de ideias advindas da manifestação cultural, que fosse contra o regime vigente. Tudo era mantido sob o olhar crítico dos encarregados de impedir o debate no Brasil, e a música foi uma das expressões mais atingidas.

A Música Popular Brasileira (MPB) teve importante papel, quando, dando voz aos estudantes da época e opositores do regime, passou a ser disseminada pelo povo. Diante dos festivais que foram surgindo e o Movimento Tropicália, este último considerado o movimento que mudou a cultura brasileira, o regime militar se viu ameaçado.

Para combater as composições consideradas “de protesto” ou de qualquer conduta divergente à moral dos militares, o regime instaurou a censura no Brasil. Assim, foi criada a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), órgão que fiscalizava previamente todas as canções.

Portanto, o Jornalismo NIC reuniu 5 músicas censuradas durante a ditadura:

Que as crianças cantem livres

A obra de Taiguara, um dos cantores mais censurados, faz parte do seu álbum “Fotografias”, de 1973. Na composição, o cantor mostra a preocupação e esperança com tempos melhores. Os versos “E que as crianças cantem livres sobre os muros e ensinem sonhos aos que não podem amar sem dor. E que o passado abra os presentes pro futuro” revelam os muros como símbolos que separavam as trevas da luz. Em um show de 1986, antes de cantar “Que as crianças cantem livres”, Taiguara falou sobre os bastidores das reuniões que tinha com os agentes da censura.

Pra não dizer que não falei das flores

Considerada como um hino contra a ditadura, foi vista como subversiva. Na visão dos militares, a música incentivava o povo a protestar, sendo assim proibida sua execução em todo território nacional. O refrão “Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer” foi entendido como uma provocação aos políticos. Desde então, Geraldo Vandré, o compositor, se tornou o maior inimigo do regime militar. Perseguido, seu exílio durou de 1969 a 1973.

Sociedade Alternativa

A música de Raul Seixas compõe o álbum “Gita”, de 1974. A canção traduz o lema de liberdade da filosofia de Aleister Crowley, influente ocultista britânico e membro da sociedade secreta “Ordem Hermética da Aurora Dourada”. A frase de Crowley “Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei” é citada na música de Raul. O cantor sofreu repressão, pois o governo acreditava na existência de um movimento secreto. Isso poderia representar uma ameaça ao regime militar e fazer a população se rebelar. Sob essa suspeita, Raul teve que se explicar. Assim, seu apartamento foi revistado e, posteriormente, o cantor foi expulso do Brasil.

Apesar de você

A composição de Chico Buarque, também um dos mais censurados durante a ditadura, foi lançada quando ele havia voltado do seu exílio na Itália. A letra critica diretamente o regime, mas os censores aceitaram a desculpa de que se tratava apenas de uma briga entre namorados. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia? […]Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro!” ameaça e dialoga com a opressão da época. Depois de lançado, os militares perceberam o teor verdadeiro da canção e todos os LP’s que a continham foram recolhidos.

Cálice

Também de Chico Buarque, a música era originalmente “Cale-se”, mas foi alterada para poder ser aprovada. Lançada em 1973 em parceria com Gilberto Gil, o trecho “Pai, afasta de mim este cálice” faz alusão à oração de Jesus Cristo a Deus no Jardim do Getsêmane, explorando o duplo sentido da palavra cálice, para referenciar a censura e a repressão naquele período ditatorial. Mesmo aprovada pelos censores, quando Gil e Chico tentaram cantá-la no show no Palácio das Convenções do Anhembi, os militares perceberam o conteúdo e o som do microfone foi cortado. Na ocasião, os dois começaram a cantarolar sem que as palavras fizessem sentido explícito.

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