Cresce a busca por venda direta como saída para as dificuldades financeiras

Por Luiza Ester

Cosméticos, roupas, calçados e acessórios em geral. São alguns dos artigos disponíveis que possibilitam a venda direta. Cada vez mais aumenta o número de pessoas que desejam obter uma renda extra, sejam empregadas ou não, e que, em tempos de crise financeira, se aventuram no setor da venda direta, também conhecido como revenda.

O número de devedores cresce a cada ano e, simultaneamente, o de revendedores. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), em 2015 foram mais 110 mil novos adeptos à revenda. No Brasil, até junho de 2016, já existiam 4,6 milhões de pessoas empreendendo nesse ramo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em fevereiro de 2016, 58 milhões de brasileiros estavam com dívidas em atraso.

“O setor de vendas diretas possibilita que qualquer pessoa tenha a oportunidade de geração de renda, mesmo em momentos de crise econômica”, afirma Roberta Kuruzu, diretora executiva da ABEVD. Isso acontece porque, para iniciar a carreira no ramo, não é necessário tanto investimento. Além da possibilidade de trabalhar em casa, há vantagens como não ter patrão ou horário fixo.

​Amanda Pereira. Foto: arquivo pessoal

Para Amanda Pereira, 19, revendedora de roupas íntimas e produtos de beleza, essa é uma forma de “passar por algumas dificuldades e ter uma renda”. No caso dela, seus pais já eram comerciantes de lingeries e ela cresceu neste meio. Recentemente, ao descobrir-se grávida, encontrou uma saída no ramo, para sustentar as despesas advindas desse momento da vida. “Preciso de um sustento, ao menos para meu filho. Por isso, decidi revender os produtos da minha mãe. Fora que já revendo cosméticos. Tudo por uma melhora financeira”, afirma Amanda.

 

 

“Preciso de um sustento, ao menos para meu filho. Por isso, decidi revender os produtos da minha mãe. Fora que já revendo cosméticos. Tudo por uma melhora financeira” (Amanda Pereira)

Rosana Maria. Foto: arquivo pessoal

 

Rosana Maria, 26, revendedora de roupas há 6 meses, está conseguindo se manter com a venda de seus produtos. Ela conta que, no momento, essa é a sua única fonte de renda. “Fiquei desempregada em julho de 2016 e em novembro abri minha loja virtual. Hoje vendo em Fortaleza e Cedro”, declara.

 

 

“Fiquei desempregada em julho de 2016 e em novembro abri minha loja virtual. Hoje vendo em Fortaleza e Cedro” (Rosana Maria)

Relação de degraus

Sistema mononível e multinível são as duas formas que esses revendedores podem lucrar. Ainda de acordo com a ABEVD, no mononível, “o revendedor compra o produto e o revende com uma margem de lucro média de 30%”. Já no multinível, “além da margem de lucro, o revendedor que indicar outros revendedores também ganha uma porcentagem em cima dessas vendas. Nesse sistema, os ganhos são proporcionais ao esforço empregado”. Ou seja, o intuito é criar uma espécie de troca entre as empresas e os seus “colaboradores”.

Assim, conforme o esforço de cada revendedor, ele consegue obter pontos e, consequentemente, conquistas junto às marcas. Então, se cria uma relação de “confiança” entre os dois.

Daniel Viana. Foto: arquivo pessoal

Daniel Viana, 33, faz parte de uma empresa que conta com uma série de patentes, selecionando seus vendedores por méritos conhecidos como “graduação”. Viana relata ser “graduação de ouro”, quarto nível do sistema intitulado “Carreira de Sucesso”, tendo conseguido o título com apenas 8 meses no ramo. “Quando comecei era proprietário de um depósito de material de construção e entrei para ter somente uma renda extra. Com o passar do tempo, percebi que o mercado que estava entrando era muito promissor. No dia 21 de janeiro deste ano fechei o meu comércio para me dedicar ainda mais ao que faço”, relata.

 

“[…] Com o passar do tempo, percebi que o mercado que estava entrando era muito promissor. No dia 21 de janeiro desse ano fechei o meu comércio para me dedicar ainda mais ao que faço” (Daniel Viana)

Investimento e empreendedorismo

Empreendedores também estão investindo nas empresas de catálogo, como são chamadas as marcas que mantêm um canal de venda direta. Para os empresários, a vantagem é que o setor possui ampla abrangência, desde produtos de limpeza e suplementos nutricionais até recipientes plásticos para armazenagem de alimentos. “A expectativa para os próximos anos é que o setor continue pujante. Importantes marcas do varejo tradicional, consolidadas no mercado, passaram a explorar a venda direta” estima a diretora executiva da ABEVD.

Para os revendedores, de fato, as vantagens do setor são muitas. Mas, como toda ação empreendedora, só é possível quando se exerce habilidades importantes para a venda do produto. Assim, o Jornalismo NIC listou algumas estratégias que podem ser utilizadas.

Infografia: Vinícius Rodrigues

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