Cresce o número de brasileiras que não desejam ser mães

Por Letícia Feitosa

“Não me vejo sendo mãe”, conta a estudante, Diana Costa, 25, que decidiu logo cedo que não queria engravidar. Ter filhos não é mais uma prioridade para muitas brasileiras. Em alguns casos, a vontade de crescer no âmbito profissional, de viajar ou de dedicar o tempo aos estudos são maiores que o desejo de ser mãe. Porém, quando fazem essa escolha, é comum muitas mulheres sofrerem preconceitos por parte da sociedade ou serem rejeitadas por seus parceiros.

De acordo com as pesquisadoras do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano e Daniele Fernandes, a porcentagem de residências com casais sem filhos passou de 13,5% para 18,8%, apenas no Brasil. Ana Amélia Camarano, demógrafa que levantou os dados a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), afirma, ao site O Globo, que essa mudança é consequência do avanço da mulher no mercado de trabalho e das modificações nos padrões de consumo dos brasileiros.

Diana Costa, aos 11 anos, teve que ajudar a mãe a cuidar de sua sobrinha e essa experiência influenciou a sua escolha. “Fui percebendo, aos poucos, que ter um filho é uma responsabilidade muito grande que não quero ter. Eu tenho muitos planos de vida, quero viajar e estudar”, conta. A jovem está em um relacionamento estável e seu companheiro compartilha do mesmo desejo de não ter filhos e, em breve, fará uma vasectomia. Apesar de ter ouvido alguns comentários debochados a respeito de sua escolha, Diana alega nunca ter sofrido preconceito. A família a apoia em sua decisão e seus amigos dividem opiniões. “Tenho três melhores amigas. Uma me apoia em toda e qualquer decisão. As outras duas me acham uma doida por não querer ter filhos. Acham que um dia vou mudar de opinião”, compartilha.

“Fui percebendo, aos poucos, que ter um filho é uma responsabilidade muito grande que não quero ter. Eu tenho muitos planos de vida, quero viajar e estudar” (Diana Costa)

“Childfree” é um termo usado para mulheres que não desejam ser mães. Foto: Buzz

A auxiliar em saúde bucal, Charliane Costa, 25, conta que já teve problema em relacionamentos por causa da sua decisão de não engravidar. “Quando solteira percebi em um pretendente que o fato de eu não querer gerar um filho era um empecilho para se relacionar comigo”, conta a jovem que hoje é casada com alguém que respeita e tem o mesmo pensamento quanto a não ter filhos. Charliane também fala que muitos não aceitam essa escolha e acham que ela mudará de ideia. “Até hoje ainda sou muito questionada sobre a minha decisão, sempre que o assunto aparece sou bombardeada com ‘Você só será completa quando for mãe’ ou ‘Você diz isso porque não achou o homem ideal’ e outros comentários”, completa.

“Terminei um relacionamento de três anos por esse motivo, ele queria filhos e eu não”, conta a atendente de consultório, Nathiele Alves, 22, que se considera ChildFree” (termo para designar quem decide nunca engravidar) e administra o grupo fechado no Facebook, “Minas childfree – não quero ter filho”. Nathiele não recebe nenhum tipo de suporte, nem da família, nem dos amigos. “Minha mãe quando soube surtou. Meus amigos riem e dizem que no futuro eu vou mudar de ideia”, relata. Já a assistente administrativa Lidiane Silva, 32, tem muito apoio de seus amigos e familiares. Para ela, há vários exemplos de mulheres que não desejam ser mães, e isso auxilia na sua decisão. Segundo Lidiane, “colocar um filho no mundo requer tempo, dinheiro e paciência, e eu não estou preparada”.

“Colocar um filho no mundo requer tempo, dinheiro e paciência, e eu não estou preparada” (Lidiane Silva)

A estudante Mikaelly Lira, 20, não pensa em ter filhos e não enxerga um futuro sendo mãe. “Eu sempre imagino meu futuro estudando e viajando e nesse meu sonho não existe nenhuma criança”. Para ela, a sociedade ainda não entende o poder de escolha da mulher quanto a querer ou não engravidar. “Se você fala que não quer [ter filhos] as pessoas já te perguntam logo o que seu parceiro acha disso. Não ligam pra SUA opinião. A sociedade infelizmente ainda é muito machista, então é sempre a opinião do ‘marido’ que conta”, afirma.

“Eu sempre imagino meu futuro estudando e viajando e nesse meu sonho não existe nenhuma criança” (Mikaelly Lira)

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