Fabrício Carpinejar revela o segredo da felicidade

Por Luiza Ester

“A vida, ela é generosa se nos contentamos com pouco. A receita da felicidade é ser feliz com pouco e precisar de muito para ser triste. E, primeiro, a gente precisa desafiar certos condicionamentos e aparências”, disse o jornalista e escritor Fabrício Carpinejar, durante a palestra “Feliz por pouco e transbordando por muito: como ser feliz criativamente”. O evento aconteceu na noite de ontem (04), no Teatro Celina Queiroz da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Entre histórias pessoais, fictícias e de amigos, Carpinejar observa o comportamento humano e analisa o que pode ser feito para buscar a felicidade. O escritor, que se adjetiva como “feio”, afirma essa característica como o seu reforço para se reinventar. Para ele, dentro de cada um existe “um homem feio” e as pessoas querem esconder isso. “Existe alguma deformação… Existe alguma monstruosidade que vocês, com astúcia, escondem”, aponta.

Carpinejar afirma que, se a proteção é feita com o defeito, não é possível alcançar a felicidade. Pois, “a felicidade é enxergar” e é pela observação que são traduzidos os comportamentos. Para isso, é preciso desenvolver uma espécie de interpretação do seu próprio eu. O escritor diz ser no olhar esse encontro. “[…] ou seja, saindo de si mesmo, ver o tanto que a gente não quer observar, porque observar é ser. É ser o outro”.

Mesmo o trauma deve ser visto como ponto positivo, porque ele “é exagerado”. A ironia, o sarcasmo e o deboche, tidos como algo ruim, precisam ser vistos como bom.  O homem necessita mudar sua posição diante de certas situações. De acordo com Carpinejar, a felicidade não é alcançada, porque as pessoas não querem mudar sua perspectiva de vida.

É costume de Carpinejar manter a aproximação com o público. Foto: Luiza Ester

A mudança no modo de ver a vida não é feita, porque as pessoas são criativas para odiar. “A gente cria tudo que é tipo de insulto e, na hora que a gente vai elogiar, sempre somos básicos e decentes. […] Elogiar é humildade, a gente não faz. Mas, para destruir alguém, a gente usa todas as nossas reservas ideológicas” declara o jornalista. O pensamento está na dúvida daquilo que pode ser fundamental para o outro, quando, na maioria das vezes, é esperado a semelhança de ideologias.

O que importa é que a emoção seja real. Os questionamentos giram em torno, também, do porquê que os seres humanos não são didáticos quando externam seus desejos. O suspense, a adivinhação e a telepatia são exemplos do que ficam internalizados. Assim, é essencial que a vida seja vista da melhor maneira, até nas dificuldades. “A gente precisa gemer pelo riso ou pela tristeza, ou pelo aborrecimento do nosso dia a dia”, assegura Carpinejar.

“A gente precisa gemer pelo riso ou pela tristeza, ou pelo aborrecimento do nosso dia a dia” (Fabrício Carpinejar)

Verdadeira fortuna

Na casa onde morava, durante a infância, havia um cofre que sempre despertou curiosidade. Ele conta ter ficado feliz quando a residência foi assaltada, pois só assim o “tesouro” de seu pai seria aberto. A decepção de encontrar papéis em um lugar tão escondido foi frustrante. Se percebeu que, ao contrário do comum, o que era valioso para seu pai não era dinheiro, mas seus poemas. O filho dos poetas brasileiros, Maria Carpi e Carlos Nejar, acredita ser nas pequenas coisas a riqueza do mundo.

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